O fenômeno da persistência da retina e o Cinema

O fenômeno da persistência da retina e o Cinema

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Ao contrário do que se costuma pensar, cinema vai muito além de entretenimento, ele pode ser arte, pode ser cultura, pode ser protesto, pode ser diversão, mas acima de tudo, pode ser ciência. Nunca se perguntaram do porque em vemos imagens em movimento no cinema quando na verdade as imagens em sequência estão paradas?

Muito simples, ou melhor, não tão simples assim. Isso se chama Fenômeno da Persistência da Retina. O que é?

Ok, vamos lá...O olho humano é um mecanismo complexo desenvolvido para a percepção de luz e cor. É composto basicamente por uma lente e uma superfície fotossensível dentro de uma câmera, grosseiramente comparado a uma máquina fotográfica. Quando olhamos na direção de algum objeto, a imagem atravessa primeiramente a córnea, uma película transparente que protege o olho. Chega, então, à íris, que regula a quantidade de luz por meio de uma abertura chamada pupila. Quanto maior a pupila, mais luz entra no olho. Passada a pupila, a imagem chega a uma lente, o cristalino, e é focada sobre a retina. A lente do olho produz uma imagem invertida, e o cérebro a converte para a posição correta. Na retina, mais de cem milhões de células fotorreceptoras transformam as ondas luminosas em impulsos eletroquímicos, que são decodificados pelo cérebro. Essas células fotorreceptoras podem ser imagesclassificadas em dois grupos: os cones e os bastonetes. Os bastonetes são os mais exigidos a noite, pois requerem pouca luz para funcionar, mas não conseguem distinguir cores. As células responsáveis pela visão das cores são os cones. As células fotossensíveis da retina, os cones e bastonetes, transformam a energia luminosa em impulsos bio-elétricos, e estes são enviados para o cérebro, que então os interpreta como imagem. Por isso, em última análise, poderíamos dizer que é o cérebro que realmente “vê”. Mesmo depois de o cérebro ter recebido os impulsos, a retina continua mandando informações, por aproximadamente 1/10 de segundo após o último estímulo luminoso. Por este motivo, se uma imagem for trocada numa velocidade maior do que esta, elas tendem a fundir-se no cérebro, provocando a sensação de movimento contínuo. Experiências que demonstram este princípio:

1. Fixar o ponto que se encontra sensivelmente ao centro de cada imagem durante aproximadamente 30 segundos, sem pestanejar. De seguida, deve-se olhar para uma superfície branca (teto ou folha branca).

Aparecerá a imagem em negativo – isto é, se o objecto for escuro ele aparecerá claro, se for claro aparece escuro.

O físico belga Joseph Plateau ficou cego, quando ao testar a capacidade da resistência da retina, fixou o sol durante 20 minutos (ficou cego por um mês após o experimento).

2. Fazer rodar uma moeda – consegue-se ver as duas faces ao mesmo tempo (obtem-se melhores resultados iluminando a moeda de forma a que esta reflita a luz que lhe está a incidir).

Enfim, voltando ao Cinema, tradicionalmente, 24 frames de película nos proporcionam 1 segundo de imagem em movimento, embora os primeiros filmes fossem de 16 a 18 quadros por segundo. O Fenômeno da Persistência consiste na capacidade da retina em manter por uma fração de segundo uma imagem, mesmo depois desta haver mudado.

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Outra teoria, exemplificada pelo teórico de Cinema, Arlindo Machado em sua obra Pré-cinemas & Pós-cinemas, intitulada Fenômeno Phi consiste em: "se dois estímulos são expostos aos olhos em diferentes posições, um após o outro e com pequenos intervalos de tempo, os observadores percebem um único estímulo que se move da posição primeira à segunda.” Esta teoria não invalida a persistência retiniana e pode ser interpretada de diferentes maneiras: ou apenas postula ser um fenômeno psíquico e não físico, ou ainda é um fenômeno complementar, cuja sensação pode ser advinda justamente da persistência retiniana. Há autores que consideram um engano comparar o fenômeno Phi com o da Persistência Retiniana, pois seriam duas análises, sob interpretações diferentes, do mesmo objeto.

Em outras palavras, se não houvesse essa nossa capacidade mecânica em reter uma imagem mentalmente por uma fração de segundo, quando fôssemos ao cinema, o efeito ilusionista se quebraria e nada mais veríamos que uma sequência de slides de imagens....

Texto: Andy B. Goode
Referências: MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas & Pós-cinemas, Editora Papirus, Campinas, 4ª Edição, 2007.

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