Os Justiceiros

Os Justiceiros

 Em defesa aos direitos dos justos, deve-se defender os direitos dos criminosos.

Este artigo que segue é endereçado aos que fazem justiça com as próprias mãos, e para todos os que apoiam e se orgulham dessas atitudes. Mas claro, pode ser lido por qualquer um. 

Muitos questionam e criticam o denominado “pessoal dos direitos humanos”, afirmando que eles são demais protetores dos bandidos e de menos da população. Mal sabem ou percebem os justiceiros, os e as âncoras de Jornal que acham essa atitude "compreensível", que ao defender cada centímetro da integridade física de um indivíduo criminoso, um defensor dos direitos humanos age na defesa de toda a sociedade.

Os papéis não devem ser invertidos: Os defensores dos direitos humanos não são os inimigos, e não buscam impor quaisquer medidas sobre os direitos dos justos (que estão de acordo com a lei). Buscam eles, na realidade, o estabelecimento de um limite moral para a sociedade, um “até onde vai e quando é que basta” a intensidade das punições ao crime pelo Estado, limitando e regrando moralmente a forma de ação da polícia.

Uma vez que o limite da violência se torna mais fraco, dando mais espaço às atitudes justiceiras, anti-criminosas e desreguladas, um Estado se vê cada vez mais no direito e autoridade de fazer o que quiser com os bandidos, sem alguém que os defenda, e se vê no mesmo direito de agir contra a população. Isso quer dizer, o Estado faz uso da tolerância à violência por uma parcela do povo, da incitação à violência por uma parcela dos formadores de opinião, e age da mesma forma que agem os justiceiros, desregulada e violentamente.

As manifestações de Julho de 2013, cujas causas pacíficas foram apoiadas pela nossa página, foram uma atitude em defesa dos direitos humanos. Foi um grito de “basta” para com, primeiro, a violência com a qual o governo tratou os manifestantes em sua reação militar contra alvos civis, inaceitável nesse século. É aqui, principalmente, que se encontra o significado de “não é só sobre os 20 centavos”. Segundo, uma luta pelas diversas requisições que o povo vem clamando faz tempo, aí é sim sobre os 20 centavos, sobre a corrupção, por aí vai, questões do dia a dia de um país em desenvolvimento.

Essa violência que o governo tratou os manifestantes é fruto da mesma aceitação e tolerância do povo perante um Estado opressor (e aliás apoio de parte do povo ao uso da força para obter a "ordem", cenário da Ditadura Militar), e foi, em um certo momento, devidamente repreendida pelos manifestantes que organizaram outra passeata muito maior. Lembremos que o Estado brasileiro tem um histórico recente de opressão, não fazem muitas décadas, e ainda temos resquícios de opressão no próprio nome de sua instituição de segurança pública, a Polícia Militar. Ou seja, para simplificar, aceitar ou promover o uso da violência ilegal e bruta contra o crime, quando existe uma opção oficial dentro dos conformes da lei, é a mesma coisa que dizer ao governo que ele pode fazer a mesma coisa na hora que quiser, ainda mesmo fora dos conformes da lei, ou agredindo os direitos humanos. É dizer ao governo "podem bater nos jovens manifestantes, nos mendigos de rua, nos camelôs, e em qualquer morador das favelas que estiver no caminho da polícia", podem muito bem chacinar o próprio povo.

Assim, garantir tratos socialmente dignos aos bandidos que tantos cidadãos "de bem" querem ver espancados e mortos, salva o chão moral da nossa sociedade, para que ele não se torne um buraco sem fundo, e impede, quando defendida a integridade física dessas pessoas, a livre ação de um Governo que comece a funciona no modo “os fins justificam os meios”.

Em uma sociedade desenvolvida socialmente, os bandidos possuem acesso aos mesmos serviços públicos que a população geral, porém dentro de uma prisão, de forma mais restrita. Falo especificamente da Suécia, que além de vir fechando diversas prisões pelo índice criminal ser cada vez menor, as prisões que ainda funcionam não prendem os criminosos no "xadrez", mas sim em pequenos apartamentos. Mas como isso, se eles são criminosos? É pelo crime ser, numa sociedade desenvolvida, um acidente social, e não mais uma falta de responsabilidade do Estado, como é a existência das favelas no Brasil, e pela situação precária do nosso ensino acessível. Normalmente não vemos, em tal sociedade desenvolvida, um homem roubar ou matar por falta ou pouco acesso aos serviços, mas sim por problemas mais relacionados ao lado emocional, ao momento da vida ou problemas psicológicos graves, até mesmo genéticos.

Se você, caro brasileiro, participou pacificamente das manifestações e não apanhou, agradeça aos "defensores de bandidos", ao “pessoal dos direitos humanos”, por ainda estar em liberdade e não na prisão. Claro que algumas pessoas foram presas, e repito, algumas. Se você, caro brasileiro, participou de forma menos pacífica, se chegou a depredar alguma propriedade pública ou privada, agradeça aos defensores dos direitos humanos por estar vivo, talvez com uma cicatriz de tiro de borracha, agradeça pois por conta deles, o tiro não foi de metal. Se você é pai ou mãe, agradeça por teus filhos estarem bem. Agradeça por não vivermos numa ditadura, ainda que muitos tenham vontade disso.

Portanto, diferente do que a pseudo-jornalista, agressora direta contra o humanismo, Rachel S. disse, a defesa dos Direitos Humanos não é um “estorvo” ao “cidadão de bem”, estorvo é a existência de um grupo de pessoas emocionalmente instáveis, que não fazem parte das instituições oficiais de segurança do Estado, fazendo justiça com as próprias mãos. Isso não apenas configura um crime grave, diretamente oposto à legislação vigente e sem qualquer regulamento, como também dá ao Estado uma liberdade de ação violenta cada vez maior. Aliás, senhora "jornalista", a ineficiência da máquina pública de segurança não justifica o ato dos justiceiros, pois nesse caso, a ineficiência do ensino público justificaria, pela mesma lógica, os atos criminosos a priori, como roubo, tráfico e outros mais. Então se eu tenho que adotar um bandido, você precisa adotar um justiceiro, ambos são criminosos do mesmo tipo.

Eu e o "pessoal dos Direitos Humanos" nos posicionamos contra a violência policial, contra o ato justiceiro ilegal, contra ações marginais perante a lei, contra atitudes delinquentes por parte de cidadãos que se consideram “de bem”, contra um jornalismo ou formadores de opinião que incitam e apoiam a violência criminosa, seja contra ladrões, seja contra pessoas inocentes. E estamos a favor, sempre, da defesa dos Direitos Humanos.

  • http://www.kombato.org Paulo Albuquerque

    Eu pessoalmente não teria nada contra os direitos humanos, se eles fossem realmente como os "Human Rights" . Mas não são. Aqui, semanalmente há notícias de pessoas sendo mortas por bandidos, policiais etc. Mas nunca, em nenhuma hipótese vejo os direitos humanos defendendo os policiais. Logo, não são pró humanos, mas sim, apenas "pró-criminosos", "pró-crime", "pró-bandidagem".

    • http://pensadoresclarecido.wordpress.com Octavio Milliet

      Poxa meu caro, o texto não tem nada de pró-criminosos, se não o fato de que o autoritarismo do Estado aumenta com a tolerância da população para com a violência. Não toleramos a violência dos criminosos, é por isso que consideramos eles criminosos. Em tempos bárbaros, crimes eram questões sociais, roubar, matar, estuprar, eram parte das culturas tribais na Europa. Hoje em dia isso é crime, e não toleramos isso. Se tolerarmos a violência por parte da população contra os criminosos, abrimos caminho para outras violências também.

      Já sobre os policiais, meu texto simplesmente não abordou essa parte, não significa que eu não vejo os direitos dos policiais como algo que deve ser defendido. E defender os Direitos Humanos em geral também inclui defender os policiais, professores e trabalhadores.

      Por fim, é meio equivocado falar "não vejo os direitos humanos defendendo os policiais", em primeiro lugar porque a Declaração dos Direitos Humanos vale para TODOS os seres humanos. Em segundo, pois não existe uma "entidade sobrenatural" chamada Direitos Humanos, que escolhe quem ela vai defender. Quem defende os direitos dos policiais é VOCÊ, que quer que eles sejam defendidos, e todas as pessoas que concordam que existe muito a ser feito pelos policiais. Não faz sentido cobrar isso dos outros, e ainda reclamar do trabalho que eles fazem.

      Abraços,
      Octavio.

      • F P

        Otavio, mas os policiais são humanos tambem, não?? Portanto quem deve defender os direitos deles são os direitos humanos, e não "VOCÊ", como mencionado por ti.
        O que acontece sempre e estamos cansados de ver, e acredito que foi a intensão do nosso amigo ali de cima, é que muitas vezes os policiais, na visão dos direitos humanos, podem correr os riscos que correm (afinal, o risco está diretamente relacionado a sua função), mas os bandidos não podem.
        Não entendo a diferença feita pelo pessoal que tanto os protege, já que o cara que esta ali praticando o crime, sabe muito bem que está sujeito a tomar bala. Quer dizer... hoje eles sabem que eles NÃO VÃO TOMAR BALA, já que na hipotese em que um policial da um tiro em um bandido, o policial acabará sendo crucificado, correrá risco de ser afastado da corporação (aquilo que gera sua renda e o sustento de sua familia, etc). Talvez essa segurança dos bandidos em suas ações e, por outro lado, a insegurança da policia, em seu exercício, se de pela DESIGUALDADE do tratamento que lhes é concedido. Os bandidos, por serem "vitimas da sociedade" acabam sendo muito mais protegidos do que os outros individuos. Apesar do principio da igualdade consistir em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, tudo tem limites, né?!

        Quem paga o preço disso é a sociedade, que por fim vira vitima dos bandidos (a sociedade é vitima das suas proprias vitimas), somado aos Direitos Humanos que tanto os protege, ainda mais em um país como o nosso, onde a Justiça é falha.

        Outra coisa interessante, mencionaram que os Direitos Humanos estão aqui para definir os limites (até onde vai, até quando basta, as ações do Estado - máximo). Mas e o limite mínimo?? Fica a criterio da legislação, que no nosso país é uma vergonha.

        VAI BRAZIU!

  • Guilherme S.

    Ah se todo esse pessoal que acha que é com violência que se resolve as coisas, lutassem pelo que cria criminosos...

    • Guilherme S.

      lutassem contra oque cria**

  • Fernando breda

    Faça o favor a sociedade adote um bandido.. porra quanta merda, esta claro q o estado defende criminosos, seja eles pobres e ainda mais muito ricos, a população foi desarmada contra vontade popular com um governo tirânico populista. racionalista sei? então a impunidade é racional? o direito de se defender é irracional ? estamos em guerra civil, nos temos um dos maiores índices de mortes por armas de fogos do mundo seja do lado dos bandidos, da policia e civis, fora a roubalheira dos nossos burocratas os mesmo q dão nossos impostos para essas ongs de defesa dos "direitos dos manos"..

  • Hélio

    A idéia dos direitos humanos, a grosso modo é: "O catarro não é o culpado da gripe." Não adianta matar bandido se a produção está em alta. Décadas atrás nós já tínhamos um país que fazia valer o bordão "Bandido bom é bandido morto" (hoje é "Direitos humanos para humanos direitos") e sabe-se que isso não deu nada certo. A devida punição (humana) tem que existir, mas devemos entender bem o processo de "fábrica de bandidos". E a origem disso é o abismo da desigualdade social. E a desigualdade social não é dinheiro, mas sim o acesso às condições básicas de direitos à todos: educação, saúde, trabalho, saneamento básico e por aí vai.

    Provavelmente o cidadão (morador na favela, como a mãe citou), foi um nobre exemplo, mas no meio de um mar de exemplos contrários. É óbvio que baixa renda não é sinônimo de bandidagem (que foi isso que a mãe quis dizer), mas talvez ele tenha tido uma rara oportunidade que outros não tiveram, ou talvez um dia de sorte, ou talvez seus pais ensinaram a lutar pela vida mesmo com inúmeras condições adversas de sobrevivência e dignidade, uma consciência que as outras famílias na mesma situação não têm. Eu quero dizer que quem não tem acesso à saúde, trabalho, educação, saneamento básico etc, tem sim chance de ser alguém com vida digna, mas é desproporcionalmente difícil e muitíssimo injusto! A luta certa é a de que todo mundo tenha as mesmas condições para conseguir uma vida digna!

    Mas em uma situação eu sou a favor da sua indignação: eu ainda acho que político corrupto não é humano e deveria ser tratado com pena de morte (sem pena) ou "microondas". Pra mim, esses caras não tem motivo algum pra ser bandido e esses deveriam ser o último tipo de pessoa pra ser um, pois as decisões deles afetam milhões! É isso que me enfurece!

  • Jorge Cassano

    Caro Otávio ... Entendi e respeitei sua opinião ... Mas vamos e convenhamos ... Precisamos realmente de limites , tetos morais que nos separem do selvagem ... Por outro lado , suas palavras são as de quem (graças a Deus) não teve uma pessoa realmente querida cuja vida foi seifada precocemente , por alguém que geralmente passa de 1 mês a 4 anos detido por ter exterminado aquela pessoa . Vc vai ser pai um dia e espero que sua opinião não mude pela forma mais dolorosa !!! Não crie cobras p picar um dos seus mais tarde !!!

  • Thiago

    Isso mesmo adote um lindo bandido inclusive da política. Brasileiro é idiota mesmo com estas teses estúpidas de que violência não leva a nada. Claro que não leva pra Dilme, Maluff vários desses ladrões corruptos que a mesma violência que eles e seus antecessores criaram não os atinge. Quero ver algum idiota ae defendendo bandido qual um matar, estruprar ou coisa pior com a sua família. È lindo palavras quando não se é atingido. Segue minha opinião abaixo com mais clareza isso se não cortarem pois o sistema manda em tudo, só é publicado o que querem que seja.
    Na minha opinião a única solução é resetar o sistema. Independente de eleições, conversar fiadas, e outras coisas digo e afirmo resetar o sistema. Nossos 3 poderes que mandam no país só que em contra partida são os que roubam e como toda bola de neve ela aumenta aumenta até explodir. Os poderes rolaram a bola de neve desde 1950 aprox e ela estourou agora. Os justiceiros nada mais são que o resultado desta bola que explodiu, são o reflexo e fruto de uma sociedade corrupta, podre, ignorante, etc. A função dos 3 poderes é manter a população cega claro, imagine se eu fosse ladrão como eles eu iria querer fazer ou modificar leis que me punissem? Acho que não né!!! pois se eu fizesse isso podia voltar a idade da pedra como ser irracional. OBVIO MUITO OBVIO que nossa legislação nunca ira defender os direitos da minoria e sim da maioria. Os justiceiros só fazem o que o poder não quer fazer por que não os interessa e pq não os atinge como atinge todo trabalhador inocente todos os dias. Tomará que esta idéia dos justiceiros multiplique pelo Brasil afora como aquele filme CLUBE DA LUTA e mesmo que alguns corruptos claro achem errado todos os brasileiros apoiam esta ideia. Pegar um bandidinho pé de chileno é fácil tomara que os mesmos se profissionalizem e comecem a buscar os verdadeiros culpados disso tudo que são os canalhas corruptos que estão no poder. Força aos justiceiros.

    • http://pensadoresclarecido.wordpress.com Octavio Milliet

      "Segue minha opinião abaixo com mais clareza isso se não cortarem pois o sistema manda em tudo, só é publicado o que querem que seja."

      Sistema? Lol, você está no site do Universo Racionalista, e não na Veja, ou na União Soviética, ou na Coreia do Norte, filho. hahaha xD

  • Thiago

    Em uma sociedade desenvolvida socialmente, os bandidos possuem acesso aos mesmos serviços públicos que a população geral, porém dentro de uma prisão, de forma mais restrita. VAMOS NOS DESENVOLVER AFIM DE OFERECER MELHORES CONDIÇÕES AOS BANDIDOS, BOA IDEIA!