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O texto à seguir possui caráter meramente introdutório

Kant, Descartes, Sócrates, Aristóteles, Hume, Voltaire, Maquiável – esses, dentre muitos outros, são autores renomados da filosofia e que todo o estudante da mesma, cedo ou tarde, terá de se deparar com alguma obra. E, tão logo isso aconteça, um problema nos salta aos olhos: como compreender o que esta escrito na referida obra?

Em primeira instância, parece uma questão trivial. Porém, basta olharmos, por exemplo, para um simples fragmento da obra A Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant, para compreendermos a essência do problema:

Ser não é, evidentemente, um predicado real, isto é, um conceito de algo que possa acrescentar-se ao conceito de uma coisa; é apenas a posição de uma coisa ou de certas determinações em si mesmas. No uso lógico é simplesmente a cópula de um juízo. A proposição ‘Deus é onipotente’ contém dois conceitos que têm os seus objetos: Deus e onipotência; a minúscula palavra ‘é’ não é um predicado mais, mas tão-somente o que põe o predicado em relação com o sujeito. Se tomar pois o sujeito (Deus) juntamente com todos os seus predicados (entre os quais se conta também a onipotência) e disser ‘Deus é’, ou existe um Deus, não acrescento um novo predicado ao conceito de Deus, mas apenas ponho o sujeito em si mesmo, com todos os seus predicados e, ao mesmo tempo, o objeto que corresponde ao meu conceito

O leitor não habituado com a natureza dos textos filosóficos, tendo contato com texto supracitado, perceberá as enormes dificuldades acerca da compreensão do mesmo. Donde, compreender-se-á que a leitura de tais textos – principalmente os mais antigos – requer um conhecimento prévio, requer um método – e portante, não é à toa que as universidades, no currículo do curso de filosofia, costumam inserir logo no seu início uma disciplina chamada Metodologia Filosófica ou Introdução aos Textos Filosóficos, dentre outras nomenclaturas.

Por conseguinte, aquele que se propõe a estudar, analisar, criticar, concordar ou discordar de algum texto, antes de mais nada, deve estar disposto à compreender este mesmo- , para tal se faz necessário entender o pretexto, i. é, a motivação do escritor que levou-o a escrever determinada coisa. E para isso, se faz necessário compreender o contexto, i. é, a localização sócio-histórico-politico-cultural do autor. Para compreender Aristóteles, se faz necessário saber como a sociedade grega estava organizada na época, que ele não era um ateniense, dentre outros fatores que o influenciaram nas suas ideias. Com isso, entender-se-á que o motivo que levou Aristóteles, em sua Ética à Nicômaco, a defender a escravidão, não foi o mesmo motivo que levou o empirista britânico John Locke à fazê-lo, assim como esclarecer-se-á a diferença de argumentação entre ambos, para sustentar o que é, aparentemente, a mesma afirmação. No entanto, mais importante do que compreender o que ambos, Locke e Aristóteles, sustentam, é não julga-los pelos atuais valores sociais que condicionam a nossa visão de mundo – nosso contexto, completamente distinto dos supracitados, encerra um círculo hermenêutico que não se pode ignorar, e olhar para estes ou para qualquer outro pensador com um olhar pejorativo seria uma atitude cega e impensada.


Compreendendo o contexto e posteriormente o pretexto (nesse ponto, surge a importância de ler um resumo biográfico dos autores), entender o texto propriamente torna-se uma tarefa bem menos árdua – ou seja, para compreender o trecho citado no inicio deste artigo, se faz necessário saber que Immanuel Kant viveu entre os séculos XVIII e XIX na cidade de Königsberg (antiga Prússia); que foi altamente inspirado pelo filósofo empirista David Hume; que o trecho pertence à uma obra sobre Epistemologia, na qual Kant tenta responder à pergunta das condições de possibilidade do conhecimento e que na seção aonde encontra-se o texto em questão, Kant dedica-se à refutar a ideia de uma prova ontológica da existência de Deus concebida por pensadores como Descartes e Santo Anselmo.

Portanto, estudar filosofia necessariamente pressupõe conhecer história – pelo menos no que tange ao(s) autor(es) abordado(s). Para tal, em outro momento, será dedicada uma abordagem aos grandes contextos pela qual a filosofia passou – desde os tempos pré-socráticos, até a era contemporânea.


Em relação à leitura do texto filosófico propriamente dita, seguiremos uma obra entitulada Metodologia Filosófica, escrita por Dominique Folscheid e Jean-Jacques Wunenburger. Sintetizando, a obra sugere uma decomposição do texto, procurando definir os seguintes itens:

  • Tema: i. é, sobre o que o autor esta falando no texto, do início ao fim;
  • Tese: a afirmação central do autor, ou seja, qual seu posicionamento a respeito do tema;
  • Problema: o conjunto do tema, da tese e da movimentação argumentativa do autor, suscita uma série de problemas que o autor tentará responder – o foco aqui é detectar qual(is) são este(s) problema(s);
  • Movimentação argumentativa: é o conjunto ordenado de argumentos da qual o autor se utiliza para sustentar sua tese. É uma movimentação essencialmente lógica, i. é, apresenta uma série de premissas, da qual se infere uma ou mais conclusões, e usando dessas conclusões como novas premissas, infere-se em outra conclusão, até atingir sua tese (importante ressaltar que cada autor tem sua forma de elaborar um determinado texto: alguns preferem anunciar sua tese logo no início e em seguida, apresentar seus argumentos; outros, em contrapartida, preferem deixar para apresentar sua tese central no fim do texto, assim como existem outros que apresentam sua tese no meio do texto);
  • Conceitos-chave: neste ponto, apresenta-se a importância de se ter um dicionário filosófico em mãos – pois existem certas palavras-chave na qual cada autor atribuí seu significado específico, mas nem sempre ele faz questão de explicar esse significado. Por conseguinte, anotar os termos centrais do texto para posterior consulta a um dicionário, é de vital importância para a compreensão do mesmo: por vezes, pensamos que um texto critica X e discordamos dele por tal, enquanto na verdade ele crítica Y, posto que ele pode ter usado um termo que é normalmente associado à uma tal ideia para referir-se à uma outra ideia diferente da primeira.

A forma mais didática de se realizar este exercício é executá-lo na ordem contrária na qual os itens foram apresentados: primeiro, deve se anotar os conceitos-chave do texto; segundo, determinar quais são os argumentos do texto e em qual ordem aparece, tomando o cuidado para não confundir um argumento qualquer com a tese do autor; terceiro, analísa-se os argumentos para suscitar os problemas os quais o autor tenta responder; por último, levantando as respostas sugeridas pelo autor a esses problemas, procura-se estabelecer qual a sua afirmação central, i. é, afirmação na qual gira em sua volta todos os argumentos do autor – sua tese. Partindo desta, determina-se qual o tema do texto.

Utilizando-se desta metologia, vamos analisar o trecho da obra de Kant citada no início do texto:

  • Sua tese é apresentada logo na primeira linha do texto:

Ser não é, evidentemente, um predicado real, isto é, um conceito de algo que possa acrescentar-se ao conceito de uma coisa

O que esta em negrito é sua afirmação, sendo que a expressão em destaque – predicado real – é considerada um conceito-chave de vital importância. A seguir, na parte sublinhada, Kant fornece uma lacônica e contundente explicação desse conceito, que será explicada posteriormente no próprio texto. Deste ponto, já é possível determinar o tema central do texto (ainda que este ficará mais clara nos argumentos posteriores): “O significado do juizo de existência, do ‘ser’, do ‘algo existe’ – assim como já é possível imaginar a problemática que o texto tenta responder: Qual o significado do verbo ‘ser? ou Existe um significado particular para o verbo ‘ser’?

  • Continuando na mesma sentença, encontramos seus dois argumentos principais, que não deixam de ser uma parte crucial de sua tese:

É apenas a posição de uma coisa ou de certas determinações em si mesmas. No uso lógico é simplesmente a cópula de um juízo.

Cada um dos argumentos foi destacada de uma forma – o primeiro em sublinhado, o segundo em negrito, e então se percebe que Kant esta oferecendo uma resposta à questão Qual o significado do verbo ‘ser’? – e temos ai o problema central do texto.

  • Posteriormente, Kant apela para o seguinte exemplo:

A proposição ‘Deus é onipotente’ contém dois conceitos que têm os seus objetos: Deus e onipotência; a minúscula palavra ‘é’ não é um predicado mais, mas tão-somente o que põe o predicado em relação com o sujeito.

Este trecho serve de sustentação para o segundo argumento (ser enquanto cópula de um juízo). Aqui, ele explicita a função semântica do verbo ser na frase ‘Deus é onipotente’ que aparece conjugado na 3ª pessoa do singular (é): este executa a mera função de conectar o sujeito Deus com o predicado onipotente; ao passo que onipotente é considerado um predicado real, ou seja, ele é acrescentado ao conceito Deus, e acaba por expandir seu significado. Aqui, Kant quer demonstrar que o verbo ser não possui a mesma função do adjetivo onipotente, i. é, o ser não expande o conceito de Deus e, portanto, não é um predicado real (tese).

  • E para sustentar seu primeiro argumento – o ‘ser’ sendo usado para evidenciar a posição do sujeito ou de suas determinações -, Kant diz:

Se tomar pois o sujeito (Deus) juntamente com todos os seus predicados (entre os quais se conta também a onipotência) e disser ‘Deus é’, ou existe um Deus, não acrescento um novo predicado ao conceito de Deus, mas apenas ponho o sujeito em si mesmo, com todos os seus predicados e, ao mesmo tempo, o objeto que corresponde ao meu conceito.

Neste trecho, Kant se dirige diretamente para os juízos de existência, por exemplo: “Deus existe”; “Deus é”, ou podemos alterar o exemplo para facilitar o entendimento: “O livro é azul, pequeno e existe.” Neste último exemplo, a frase atribuí dois predicados reais ao sujeito livro: azul e pequeno. O adjetivo existe (“é”) não pode ser considerado um predicado real (tese), pois este – em contrapartida aos conceitos azul pequeno – não aumenta meu conceito de livro, mas sim, coloca o sujeito em questão (juntamente com todos os seus predicados reais) em evidência, relacionando esse sujeito com o objeto empírico que corresponde meu conceito de livro (claro, no texto, o exemplo utilizado é Deus e não livro).


 

Deste ponto, o trecho que era inicialmente de difícil compreensão torna-se legível até para os mais leigos no assunto, e a filosofia deve ser assim: clara, sucinta e metódica. Claro, Kant escrevia de tal maneira devido ao contexto sócio-histórico-político-cultural em que vivera, por isso seus textos – assim como o de muitos outros – tende a ser de dificílima compreensão. Contudo, com o método adequado, não existe texto impossível de ser compreendido (com exceção daqueles que escrevem na pura intenção de confundir os leitores – mas estes nem deveriam se encaixar na concepção de filosofia).

 

Bibliografias:

– FOLSCHEID, Dominique; WUNENBURGER, Jean-Jacques; Metodologia Filosófica, Martins Fontes, São Paulo, 2002.

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As imagens históricas de um dia de primavera em 1955, quando o fotógrafo Ralph Morse correu por toda New Jersey em procura do recém falecido, o grande Albert Einstein.

Albert Einstein, cujo suas teorias explodiram e reformularam nossas ideias para falar como o Universo funciona, morreu em 18 de abril de 1955, aos 76 anos, de insuficiência cardíaca. O funeral e cremação dele foram severamente privados, e apenas um fotógrafo foi autorizado a capturar os eventos daquele dia extraordinário: Ralph Morse da revista LIFE.

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Equipado com sua câmera, Morse compilou uma seleção de recordações do maior ícone do século 20. Mas além de uma das imagens mais famosas – a do escritório de Einstein, exatamente como estava hora antes de sua morte –, as imagens que Morse tirou aquele dia, nunca foram publicadas. A pedido do filho de Einstein, que pediu para que a privacidade da família seja respeitada por causa do sofrimento deles, os editores da revista LIFE escolheram resguardar a maior parte da história registrada em imagens, por mais de 5 décadas(50 anos) as imagens de Morse ficaram resguardadas nos arquivos da revista.

Depois de receber uma chamada naquela manhã de abril de um editor da revista LIFE dizendo-lhe que Albert Eintein tinha morrido, Morse pegou suas câmeras e dirigiu por 144 quilômetros de sua casa no norte de New Jersey até Princeton.

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“Einstein morreu no hospital de Princeton,” Morse, agora com 97 anos e vivendo na Florida, diz à revista LIFE, “então eu fui primeiro lá. Mas aquilo estava um caos – havia muitos jornalistas, fotógrafos e admiradores. Então eu fui para o escritório do Einstein no Institute for Advanced Studies (Instituto para Estudos Avançados). No caminho, eu parei e comprei uma caixa de uísque. Eu sabia que as pessoas poderiam ser relutantes em conversar, mas a maioria das pessoas ficam felizes em aceitar uma garrafa de bebida alcoólica, em vez de dinheiro, em troca de ajuda. Então eu chego no prédio, procuro o superintendente, dou a ele uma dose de uísque, e ele abre o escritório para mim.”

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No início da tarde, o corpo de Eintein foi movido por um curto tempo do hospital onde ele morreu à casa funerária em Princeton. O simples caixão contento o cadáver, pós-autópsia, ficou na casa funerária por uma hora e alguns minutos. Morse foi até lá, e logo viu dois homens carregando um caixão para dentro de um carro. Morse já sabia, o enterro de Einstein era iminente. Na esperança de achar um espaço perto do túmulo, ele rapidamente se dirigiu até o cemitério de Princeton.

“Eu me dirijo até o cemitério para tentar procurar o lugar em que Einstein será enterrado,” Morse relembra. “Mas lá deve haver 2 dúzias de sepulturas sendo cavadas neste mesmo dia! Eu vejo um grupo de pessoas cavando uma sepultura, ofereço a eles uma garrafa de uísque, e pergunto se eles sabem de alguma coisa. Um deles diz: ‘Ele será cremado em aproximadamente 20 minutos, em Trenton!’ Então eu dou a eles o resto do uísque, me jogo no carro, chego em Trenton e no crematório um pouco antes de os amigos e família de Einstein aparecerem.”

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“Eu não tinha que dizer a ninguém de onde eu era,” disse Morse. “Eu era o único fotógrafo lá, e se houvesse um fotógrafo no local, as chances eram boas de que ele fosse da revista LIFE.”

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Em um momento no início do dia, o filho de Einstein, Hans, perguntou a Morse pelo nome dele – uma pergunta aparentemente amigável e insignificante que provaria, dentro de poucas horas, ter algo de significante.

“Como o dia estava muito enrolado, eu estava muito animado,” Morse relembra, “porque eu sabia que eu era o único que possuía essas fotos que entrariam para a história. Essa era uma grande notícia! Einstein era uma grande figura pública, famoso no mundo todo, e tínhamos essa história em nossas mãos.”

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“Eu fui para New York com o filme, e vejo que há sinais por todos os lugares no escritório dizendo: ‘Ralph, procure o Ed!’ Ed Thompson era um editor da LIFE. Um grande jornalista. Ed disse: ‘Ralph, eu ouvi dizer que você tem algo exclusivo para nós.’ Eu disse: ‘Sim, acho que tenho.’ E ele disse: ‘Bem, não estamos indo para lugar nenhum assim.’ Eu estava confuso. Acontece que o filho de Einstein, Hans, pediu enquanto estávamos na estrada para New York, para que respeitássemos a privacidade da família, e não publicássemos nenhuma história a respeito. Então Ed decide matar a história. Você não pode executar uma publicação sem um editor para fazer essas decisões, e Ed o já tinha feito. Então eu pensei: ‘Bem, é isso aí,” e fui para minha próxima tarefa, deixando essa história para trás. Eu tirei as imagens que nunca veriam a luz do dia, e esqueci tudo sobre elas.”

Agora, 60 anos depois, a LIFE apresenta uma seleção de fotografias daquele dia – imagens que capturam a cena em uma manhã de primavera em New Jersey, quando Ralph Morse se viu correndo por toda as cidades daquela região tentando descobrir o que ocorria com o falecido, o grande Albert Einstein…

Finalmente: o estranho ocorrido de ficção científica com o cérebro de Albert Einstein – do qual o controverso Dr. Thomas Harvey removeu durante a autópsia, cuidadosamente cortado em seleções, e que guardou por anos para pesquisas – e a intrigante longa associação com o famoso órgão são demasiados complicados para entrarmos nesse assunto aqui. Contudo, no dia que Einstein morreu, Ralph Morse tirou algumas fotografias do Dr. Harvey no hospital. Morse disse que ele está certo de que não é o cérebro de Einstein sob a faca do Dr. Harvey na foto abaixo.

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Então, depois de uma pausa, Morse diz: “Você sabe, isso faz muito, muito tempo. Eu não lembro de cada detalhe. Então, tanto faz que ele tenha cortado…” As palavras dele estão no ar até hoje.

Então, maliciosamente, Morse ri.


Publicado originalmente no site da revista TIME com o título The Day Albert Einstein Died: A Photographer’s Story e traduzido por Elisson Amboni.

Stephen Hawking, um dos eminentes cientistas que sofrem com o complexo antifilosofia.

Atualmente, parece estar na moda afirmar que a filosofia está morta. Normalmente, somos informados de que isso é verdade, porque a ciência tem excluído a filosofia de seu campo de estudo. A ciência, segundo nos dizem, ocupa-se de perguntas que foram levantadas por filósofos há séculos e que não foram capazes de respondê-las, mas que agora são a partir de sólidas teorias científicas baseadas nas melhores evidências, produzindo previsões sobre os fenômenos da natureza e refutando posturas filosóficas.

Afirmações desse tipo deveriam soar ridículo para qualquer pessoa com um nível básico de cultura científica, [1] a verdade é que o “complexo antifilosofia” [2] se estende cada vez mais entre os círculos de amantes da divulgação científica. Enquanto mal leem trabalhos como os de Alan Sökal ou Steven Weinberg (com contribuições valiosas para a filosofia, em especial para a epistemologia), conhecem  bastante cientistas com grande prestígio, tais como Stephen Hawking, Lawrence Krauss,  Francis Crick, E. O. Willson e Neil deGrasse Tyson. Assim, acabam assegurando-se com tanta confiança de que a filosofia é inútil, é não-científica e/ou que está definitivamente morta, que disciplinas filosóficas – tais como ética, epistemologia e estética – em breve, deixarão de ser do domínio de filósofos para que se convertam em ciência pura.

Essa postura é conhecida como cientificismo extremo, uma posição (filosófica) que nos diz que não só a ciência é a melhor ferramenta para produzir conhecimento, mas também é a única a produzir conhecimento confiável, mesmo quando se trata de abordar questões não-científicas. A partir disso, o filósofo Massimo Pigliucci tem falado em várias ocasiões, lançando críticas mortais ao cientificismo extremo (por exemplo, aqui).

Pensamos sobre o estado e a importância atual que a filosofia contribui para as reflexões e controvérsias de uma disciplina filosófica conhecida como Metafilosofia (ou filosofia da filosofia). Nesse caso, com o motivo de enriquecer a reflexão e estimular (mais uma vez) o debate racional e tolerante, segue um texto de Mario Bunge intitulado “Morte da Filosofia”, que é o b do conceito de “morte” no Dicionário de Filosofia:

Tornou-se moda afirmar que a filosofia não está doente, mas morta de uma vez por todas. Essa visão remonta a Comte e Wittgenstein. Ele disse que a ciência suplanta filosofia, e essa filosofia é uma doença linguística que deve ser tratada com a terapia linguística. No entanto, a investigação científica inclui vários conceitos filosóficos (como a lei e a verdade) e os princípios (como a realidade e cognoscibilidade do mundo) que não são examinados em nenhuma ciência especial. E a filosofia da linguagem – indiferente como é o conhecimento profundo – se abstém de abordar problemas filosóficos importantes, como consequência do qual não há proposto nenhuma teoria filosofica (sistema hipotético-dedutivo). Quem sinceramente acredita que a filosofia está morta, e, em particular, que ela está acabada para o filósofo, tem o dever moral de permanecer em silêncio. Se, no entanto, um não crer na morte da filosofia, ou crer que ela está em má forma, mas ainda pode ser salva, deve fazer algo para curá-la. E a única coisa boa que pode ser feita de boa fé para contribuir para a recuperação da filosofia, é fazer filosofia séria e interessante. Em quem devemos acreditar: no coveiro ou no construtor? É preferível o último, porque há incontáveis problemas filosóficos para resolver. Quase todas as entradas neste dicionário levantam alguns problemas. Portanto, o anúncio da morte da filosofia tem sido prematura. É provável que existirão investigações filosóficas que permanecerão como problemas filosóficos sem solução. E existirão esses problemas enquanto existir pessoas interessadas nos aspectos mais gerais da realidade e do nosso conhecimento e controle do mesmo. Escrever sobre a morte da filosofia é um sinal de impotência para abordar alguns dos muitos problemas filosóficos abertos. No entanto, a suposta morte parece ter se convertido em uma indústria. Todavia, isso não significa que a filosofia goze de boa saúde: nada poderia estar mais longe da verdade. A filosofia atual mostra sérios sintomas de estagnação e até mesmo decadência.

Referências

[1] São risíveis por serem absurdas. A filosofia e a ciência não estão em concorrência para o seu campo de estudo, mas, pelo contrário, é graças a um conjunto de pressupostos filosóficos que a ciência tem um fundo que lhe ajuda na investigação, centrado-se em problemas reais, buscando explicações naturais e testáveis (contrastáveis), em vez de atribuir forças místicas a seres sobrenaturais. Outro ponto importante é que, enquanto a ciência se ocupa com a produção de conhecimento sobre o universo (e, portanto, nós mesmos), a filosofia da ciência (neste caso) se ocupa de estudar os princípios filosóficos que fazem a investigação científica ser possível e bem sucedida, além de abordar os problemas filosóficos decorrentes de tal atividade.

[2] Termo criado por Massimo Pigliucci para se referir de forma irônica aos ataques de alguns cientistas, como Lawrence Krauss, a filosofia. Se cientistas, como Krauss, tivessem direito a especular que os filósofos se sentem ameaçados pelo avanço da ciência (e, portanto, o fim dos “domínios da filosofia”), então Pigliucci não encontraria nenhuma razão para criar a sua própria especulação divertida e sem sentido (como a de Krauss): o complexo de antifilosofia, um transtorno derivado do complexo de Édipo freudiano, parece que atingiu vários cientistas e divulgadores atuais (algo bastante raro a aproximadamente meio século atrás, quando eminentes cientistas, tais como Albert Einstein, Erwin Schrödinger, Ernst Mayr, Bertrand Russell, Max Born, Carl Sagan, etc, tinham um grau de interesse em problemas filosóficos da ciência). O complexo, Pigliucci explica, é que, uma vez que a filosofia é a mãe da ciência, os cientistas têm uma espécie de aversão com sua mãe e por isso o atacam sem conhecê-la profundamente, e tudo sem saber que eles estão reprimindo seu amor por ela (uma vez que muitos destes complexos, também têm valiosas contribuições para a filosofia da ciência).

  • El astrofísico argentino visita México para impartir un curso de Filosofía Exacta a estudiantes del CRYA en Morelia, Michoacán
  •  Una jornada intensiva de semántica, epistemología, ontología y filosofía moral dieron cuenta de una visión lúcida y profunda en filosofía científica

 

Gustavo es, ante todo y aunque se resiste al título, un filósofo de todos los tiempos. Profesor titular en la Universidad Nacional de la Plata e Investigador Superior del CONICET en el Instituto Argentino de Radioastronomía, Gustavo ha desarrollado con la mira en los resultados de la astrofísica relativista, desafiantes tesis que revierten nuestras ideas fundamentales sobre el espacio-tiempo,  la energía y el cambio. En el escenario deplorable de la cosmología actual, repleto de personajes tales como Stephen Hawking o Michio Kaku, que hacen de esta disciplina un circo, la oferta en ideas de Gustavo es de una sobriedad peculiar sin faltar a la enjundia filosófica. Con más de 350 artículos publicados en  revistas especializadas, Gustavo participa de las controversias en física con un amplia y profunda experiencia directa. Es el autor de la última axiomatización realista de la mecánica cuántica, resultado metateórico  que ahuyentará, al menos por un tiempo, los fantasmas subjetivistas de nuestra ciencia más vieja.

Me encontré con Gustavo en ocasión de su visita a México y del curso intensivo de Filosofía Científica que ofrecería en el Centro de Radioastronomía y Astrofísica de la UNAM, campus Morelia. Tuve la dicha de conversar y explorar con él temas ardientes en filosofía al mismo tiempo que los mezcales michoacanos. Procuré explotarlo sistemáticamente y esta entrevista es, espero, un largo recorrido por la constelación de su pensamiento o  lo que es lo mismo, por el sistema de problemas ineludibles en filosofía contemporánea.

SEMÁNTICA 

-¿En qué consisten las ventajas de los lenguajes formales sobre los naturales en el quehacer filosófico?

Creo que la ventaja fundamental es que los lenguajes formales permiten eliminar la vaguedad. La vaguedad es una imprecisión en la caracterización del sentido de las proposiciones. Y esa imprecisión en el sentido se puede después trasladar a una imprecisión en la extensión de los predicados lo cual redunda en zonas grises en las cuales no podemos hacer clasificaciones de objetos; no podemos tener un claro significado de los términos que estamos usando y por lo tanto, la vaguedad transforma al lenguaje en una herramienta propensa al error. De este modo, me parece que en filosofía como también en ciencias  en donde  pueda ser usado el lenguaje formal debería ser usado. Por supuesto,  no es posible, digamos, expresarse permanentemente en lenguajes formales. Pero hay que ser muy consciente de los problemas de los lenguajes naturales, que son lenguajes que han ido evolucionando sin control consciente; no han sido construidos específicament e para tratar temas como los que trata la ciencia y la filosofía y, entonces, donde sea posible, se deberían remplazar por  lenguajes exactos.

-¿Cuales son las motivaciones para teorizar sobre la relación entre la realidad y su representación, y quienes sus precursores en filosofía contemporánea?

El tema de cómo utilizamos el lenguaje para representar la realidad es extremadamente importante. En particular en ciencia, donde tratamos con propiedades extremadamente complejas de cosas. No nos basta intentar representar lo que sucede con meras palabras, necesitamos formalismos matemáticas sofisticados que nos permitan hacer representaciones que sean cuantitativas y no meras descripciones cualitativas. La relación de representación es una representación compleja. Definirla no es trivial, depende del lenguaje y depende del objeto que va a ser representado. Hay varias teorías

 de la representación; Bunge ha desarrollado una que está en el tomo I de su tratado. El precursor pienso que fue Frege al empezar a discutir los temas de denotación y designación; habló de sentido y referencia por primera vez. Frege se preocupó mucho de como es posible que el lenguaje se aplique a la realidad. Y después ese tema fue tomado por Bertrand Russell…

…¿Crees que Frege era realista?

Realista quizá no en el sentido que hoy entendemos el realismo. Pero era realista en su tiempo; o sea, él diferenciaba entre realidad y lenguaje y por eso es que introdujo la función de denotación. Frege reconoce la existencia de elementos extra-lingüisticos, en ese sentido yo creo que Frege era perfectamente realista y es por esto que sus ideas fueron expuestas a nuevos desafíos y  desarrolladas por filósofos eminentemente realistas como es el caso de Russell o Bunge. Sí,  la relación entre lenguaje y la realidad es un tema fundamental en filosofía. También se relaciona con el tema de porqué, por ejemplo, la matemática es aplicable a la descripción de la realidad. Yo pienso que la matemática nos sirve para hacer exactas nuestras ideas sobre la realidad. Entonces no es que apliquemos directamente la matemática a la realidad, sino que matematizamos nuestras ideas con las cuales luego representamos la realidad. La relación de representación es una relación que va de conceptos o constructos a cosas y propiedades. Lo que matematizamos son esas ideas: los constructos, y utilizamos los aspectos cuantitativos que nos da la matemáticas para hacer predicciones precisas, lo más precisas posibles sobre el comportamiento de los objetos extra-lingüísticos. 

¿Cuál es la relación entre la referencia, el significado y la verdad?

Bien, yo creo que la verdad es posterior al significado. Y el significado es a su vez posterior a la referencia. De esos 3 conceptos el más básico es el de la referencia. Una proposición refiere a una objeto o a un hecho; un predicado refiere a una clase de objetos o a una clase de hechos. Una vez que tenemos clarificado el concepto de una clase de referencia podemos dar un paso más y en un contexto formal podemos definir que es el sentido de una proposición o de un predicado. El sentido es toda la ascendencia y descendencia lógica de la proposición dentro del contexto formal dentro del cual está ubicada la proposición. Una vez que tenemos la caracterización plena del sentido y de su referencia, o sea, una vez que sabemos qué dice y acerca de qué dice algo la proposición podemos llegar a caracterizar el significado, que es un concepto bidimensional: una de sus dimensiones el sentido y el otro es la referencia. Recién cuando tenemos la caracterización del significado podemos entender plenamente qué es lo que estamos diciendo cuando usamos un lenguaje y entonces, cuando entendemos, podemos hacer las afirmaciones acerca de la realidad y recién ahí aparece la verdad. Ahí necesitamos una teoría de la verdad que le asigne a nuestras proposiciones un valor que de alguna manera cuantifique cuan bien están expresando la ocurrencia de los hechos. Una teoría de la verdad, precisamente, asigna valores de verdad a la correspondencia a las proposiciones con otras proposiciones que representan hechos simples, llamados “datos”. Cuando uno habla de la verdad de una proposición está hablando de la correspondencia de la proposición-teórica con una proposición mucho más simple que expresa un hecho, y esa última proposición es la que se obtiene por medio de la observación y la experimentación.                                                 Tenemos que recordar siempre que se contrastan proposiciones con proposiciones. Nunca proposiciones con hechos. La ciencia experimental obtiene a partir de los hechos proposiciones que los expresan. 

 

-¿Hay verdades fácticas últimas?

No lo sé. Lo que sí sé es que la verdad no es algo que esté ahí afuera en la naturaleza. Lo que hay son enunciados verdaderos acerca de las cosas. Los que atribuimos verdad a los enunciados somos nosotros. La verdad es una ficción, o sea, es una forma que nosotros tenemos de decir cuan bien una cierta proposición se corresponde a lo que sabemos del mundo de acuerdo a la evidencia disponible…

… Pero fíjate, Gustavo, una cosa es decir que la verdad es idéntica a ese grado de coincidencia, como quien secunda un tipo de instrumentalismo y otra cosa es decir que ese grado de coincidencia sea un indicador de la correspondencia de la proposición con el mundo. ¿Qué defenderías tú?

No, lo que yo estoy diciendo es que la verdad en sí es un concepto que nosotros asignamos a otro concepto que es una proposición. Entonces no vamos a descubrir la verdad, lo que podemos descubrir son  enunciados que pueden ser verdaderos o probablemente verdaderos. A medida que pasa el tiempo y vamos ampliando nuestro conocimiento, enunciados a los que en algún momento les atribuimos un grado de verdad bajo pueden adquirir un grado de verdad alto, o incluso podrían llegar a la certeza o incluso enunciados a los que les atribuimos un grado de verdad alto pueden llegar a resultar falsos. Entonces, encontrar una verdad última no me parece posible. Quizá si reformulamos la pregunta: ¿Podríamos llegar a tener alguna vez una representación completamente confiable de la totalidad de la realidad? Y la respuesta a eso no la puedo dar porque no conocemos la profundidad de la realidad. Esa es una área diferente, estaríamos pasando de la epistemología, que trata de nuestro conocimiento de la realidad, a la realidad misma. Hasta ahora, nuestra exploración de la realidad ha ido siempre encontrando niveles más profundos. No veo nada que indique que esas aproximaciones vayan llevando a un límite. Podría ser que sí. Podría ser que haya constituyentes últimos de la naturaleza; cosas básicas de las que algún momento podamos tener una descripción bastante completa. Si es posible no creo que nadie pueda afirmarlo en este momento y ciertamente estamos muy lejos de tener una descripción semi-completa de la realidad…

MATEMÁTICAS, LÓGICA Y METAFILOSOFÍA

-¿Qué hace al álgebra de Boole tan potente para ser utilizada en matemáticas?

Lo que la hace potente es que es extremadamente simple. Es uno de los sistemas de conceptuales cerrados más simples que hay. Involucra dos operaciones que puede interpretarse como conjunción y disyunción o como en el caso de teoría de conjuntos, como negación e intersección. Admite muchos modelos en las cuales hay dos operaciones de modo que tiene un amplio grado de aplicabilidad. Yo pensaría de todos modos que la teoría de conjuntos tiene prioridad sobre cualquier forma de álgebra. Cuando uno construye las matemáticas lo hace con la lógica de primer orden y sobre la teoría de conjuntos y luego obtiene cualquier forma algebraica. De todas las formas algebraicas, la de Boole es una forma potente porque involucra dos operaciones y es extremadamente sencilla. Su estructura axiomática se puede plasmar en unos pocos postulados. Toda el álgebra lineal deriva de ahí hasta la teoría de los espacios vectoriales. La rama más fundamental de las matemáticas es, sin embargo, la teoría de conjuntos, que fue inventada por Cantor y sobre la cual  después se basaron los fundamentos de las matemáticas junto con la lógica de primer orden o de predicados. Quien la desarrolló en su forma actual fue Frege y quien la sistematizó fue Russell con Whitehead. El proyecto original en los Principia Matematica de fundar todas las matemáticas sobre solamente la lógica fracasa porque hace falta la teoría de conjuntos, pero con la conjunción de estos dos lenguajes se puede construir la totalidad de las matemáticas. Hay gente que trata actualmente de remplazar la teoría de conjuntos por la teoría de categorías…

-¿No ha funcionado?

-Es un proyecto en desarrollo, pero en mi opinión la teoría de conjuntos lo hace muy bien. Tiene una capacidad representaciones en filosofía que por ejemplo que no tiene la teoría de categorías. 

-Se pueden asignar verdades a proposiciones fácticas, la verdad formal es idéntica a la consistencia lógica….

Sí, yo más bien diría que la verdad formal es equivalente a la teoremicidad, o sea, a la posibilidad de deducir el enunciado cuya verdad se quiera esclarecer, de los axiomas del sistema formal al que pertenece, y a la de la satisficibilidad en el caso de los modelos, que no son enunciados sino formas abiertas. Entonces una formula abierta es verdadera si existe al menos un modelo de ella. Por ejemplo, AB-BA=0 tiene un modelo en los números enteros, por ejemplo. En los números enteros esa fórmula abierta es verdadera, y  sin embargo, en la teoría de matrices es falsa. Entonces no tiene un modelo en la teoría de matrices. Es muy importante enfatizar que la verdad formal es siempre relativa al sistema formal en el cual se está aplicando. Démosle el crédito a Tarski por esta caracterización. 

…Tarski ha dilucidado el concepto de verdad formal, Bunge y tú han propuesto teorías de verdad parcial…

Yo tengo una modificación de la teoría de la verdad de Bunge. En mi opinión la teoría de la verdad de Bunge adolece de un problema cuando se la aplica a situaciones concretas. Consiste en asignar valor de verdad “1” a enunciados que pueden ser completamente irrelevantes para resolver el problema en cuestión. Es por eso que creo que debe ser complementada con una teoría de la relevancia también formal. Cuando uno aplica la verdad por correspondencia en ciencia se necesita saber  si esas verdades son relevantes  o no para cierto problema. Lo que yo he tratado es perfeccionar la teoría de Bunge. Pero hay otras personas que también han propuesto teorías de la verdad por correspondencia, en particular teorías de la verdad parcial. Aunque en muchos casos creo, la mala interpretación hecha por Popper de la teoría de la verdad de Tarski como una teoría de la verdad por correspondencia,  ha sugerido que no quedaba mucho por hacer. Esto ha hecho que mucha gente dejase de trabajar en el problema de la teoría de la verdad fáctica. Sin embargo, es un problema que sigue abierto y hay muchos aspectos aún por explorar. En el caso de la teoría de la relevancia aún falta hallar la fórmula explícita de la función de relevancia para distintas teorías. En el caso de la función de asignación de verdad en la teoría de Bunge hay solo una caracterización muy sencilla pero que podría llegar a modificarse para casos más complejos. Es un tema interesante porque la teoría de la verdad de Bunge y también la que yo he desarrollado, se aplica solamente a enunciados y a proposiciones, pero no se aplica por ejemplo a teorías. Por la simple razón de que las teorías tienen infinitos enunciados. No podemos hacer una asignación de verdad a un subconjuntos finito contra un fondo infinito de enunciados y concluir algo sobre la verdad de la teoría. Si podemos, en cambio, comparar una teoría con otra… Esto sigue siendo un problema abierto, por ejemplo, Niiniluoto lo ha tratado en su libro “Critical Scientific Realism”; el propone remplazar el concepto de verdad por el concepto de verosimilitud, entonces sugiere que uno puedo hablar de la verosimilitud de las teorías mientras que la verdad corresponde exclusivamente a los enunciados. Son aproximaciones diferentes, interesantes, que creo que merecen seguir siendo estudiadas y desarrolladas.

Nos detuvimos en el planteamiento de la pregunta pero fue muy interesante. Pues bien, dilucidadas cómo están la verdad fáctica y la verdad formal,  ¿Qué te parece la idea de asignar valores de verdad a proposiciones  metateóricas como las de la epistemología?

La asignación de valor de verdad a proposiciones metateóricas requiere de un meta-metalenguaje. Sí, uno siempre hace la asignación de verdad no en el lenguaje sino en el metalenguaje. A su vez, si uno va a una metateoría necesita un lenguaje de orden superior, lo cual lleva a una jerarquía infinita de lenguajes, ¿No es cierto? Y eso es inevitable. Tarski fue el primero en plantearse ese problema; en darse cuenta de que eso es así. En la práctica esto no implica una restricción a la ciencia y a su capacidad para describir el mundo. En última instancia nuestros criterios de evaluación son revisados pragmáticamente de acuerdo con la eficiencia de nuestra investigación científica. Yo creo que hay que diferenciar entre lo que son reglas, que  en el fondo no son verdaderas o falsas, sino útiles o no, para obtener enunciados verdaderos sobre la realidad, y los propios enunciados. Yo creo que a un nivel de metateoría uno debería tratar de fijar reglas y las reglas, al no ser verdaderas ni falsas,  nos liberan de este tipo de problemas como la regresión infinita del lenguaje. Porque las reglas las vamos a mantener o no de acuerdo al éxito que tengamos en la aplicación de nuestro lenguaje-objeto básico.

… Veamos, Gustavo, voy a planteártelo de otro modo ¿Cual sería un indicador de la verdad del realismo en filosofía de la ciencia? 

El éxito de la investigación científica basada en las premisas realistas. La verdad de ciertas premisas se puede asignar sobre la base de las consecuencias de esas premisas. La investigación científica presupone la existencia de un mundo externo, porque sino no habría nada que investigar. El éxito que ha tenido la ciencia en su capacidad predictiva; en su capacidad de permitir programar las acciones humanas, desarrollar tecnologías, son claros indicadores de que ciertas premisas de la investigación científica al menos tienen un grado de similitud. Es el caso de las hipótesis del más bajo nivel, como las hipótesis del realismo. Si bien no son directamente contrastables pueden adquirir valor de verdad… Me gustaría dar un ejemplo para que se entienda mejor: si no existiera una realidad independiente del sujeto entonces no habría lo que se llama profundidad óntica. No podríamos penetrar más niveles de la realidad que antes nos eran desconocidos, si fueran solamente proyecciones nuestras. Sin embargo, la física, por ejemplo, no hace sino eso: sobre la base de un presupuesto general como la conservación de la energía predice la existencia de un montón de partículas que no se conocían antes y años después esa existencia es verificada experimentalmente. Las propiedades de estas partículas son contrastadas y coinciden con las predicciones,  entonces yo creo que hay una independencia de lo que existe respecto del sujeto, que le da mucha verosimilitud a la hipótesis básica de la ciencia de que existe una realidad independiente de los seres humanos. 

De acuerdo, pero cuando tu objeto de estudio filosófico no  es el universo, sino la ciencia misma, ¿Cómo es la relación entre ítem gnoseológico, filosofía de la ciencia y adecuación? 

La ciencia es un concepto, básicamente es el conjunto de todos los campos de investigación  humanos: los campos de investigación científica.   Entonces la ciencia puede ser estudiada de la misma manera que pueda ser estudiada cualquier otra actividad humana y como tiene objetivos claros, se puede evaluar si está siendo eficiente en alcanzar esos objetivos o no. La ciencia de la ciencia también es una ciencia fáctica. 

Pero fíjate que el producto de la actividad científica es una entidad conceptual. Tiene propiedades tales como ser teórica, tener consistencia externa…

Yo diría lo siguiente: Los resultados de la ciencia son nuevos tipos de procesos cerebrales que ocurren en los individuos. Es el resultado del aprendizaje en individuos concretos. Ahora bien, por muchas razones nos es conveniente suponer que el resultado de todos esos aprendizajes fuesen nuevas entidades que vamos acumulando de alguna manera; en realidad son conceptos, fingimos su existencia; son ficciones.  Lo que está sucediendo es que a medida que la ciencia progresa la complejidad de nuestros procesos cerebrales sobre el mundo se incrementa más y más y más y eso nos permite una capacidad de acción que antes no podíamos tener. Los resultados son concretos.

Pero Gustavo, no terminamos de investigar a la ciencia a través de la psicología. Hay una parte que como has reconocido es una parte “conceptual” o fingida. Acaso por eso está justificada la existencia de la semántica filosófica. Entonces  a mí me parece que hay una relación complicada entre la ciencia,  la gnoseología de la ciencia y la verdad, de la que hablamos ya en extenso, pero, en el espectro de filosofías de la ciencia podría exactificarse un criterio preciso respecto de la pregunta: ¿cuál epistemología es más verdadera?

La mejor epistemología es la que se mantiene fiel a la práctica científica real. Para poder hacer filosofía de la ciencia hay que entender los problemas a los cuales se enfrentan las ciencias individuales. Por eso creo que es sano dividir la filosofía de la ciencia en ramas; filosofía de la física, de la biología, porque cada una de esas disciplinas encuentra problemas peculiares. Algunos son problemas de interpretación o semánticos, otros son problemas ontológicos, sobre la naturaleza de sus referentes, otros son problemas epistemológicos, o sea, metodológicos, cómo poder obtener conocimiento de inobservables a un nivel muy profundo, etc. En mi opinión la filosofía de la ciencia, digamos, más efectiva será la que se mantenga informada de  los progresos de las ciencias reales y tenga una retroalimentación con la ciencia. Al ayudar a esclarecer los problemas con los que se encuentran los científicos facilita el progreso de la ciencia  y viceversa. Ese progreso robustece la verosimilitud de las doctrinas que adoptan los filósofos.

METAFÍSICA(ONTOLOGÍA)

-¿Qué relación guarda la metafísica con la ciencia?

Yo creo que es posible concebir  una metafísica científica.  La ciencia opera sobre la base de una serie de presupuestos. Lo que podríamos llamar proto-ciencia  o proto-física. La verdad yo veo a la metafísica no como algo que está más allá de la ciencia o de la física,  sino que está antes.  Se trata del conjunto de presupuestos más generales que adoptamos acerca de la realidad para embarcarnos en la aventura de tratar de representarla correctamente. Entonces hay ciertas cuestiones básicas que merecen un esclarecimiento  conceptual antes de ser introducidas en la ciencia. Cuestiones como qué es una ley, qué tipo de relaciones puede haber entre eventos, qué es un evento. La discusión informada por al ciencia sobre si los eventos son previos a las cosas o  las cosas  previas a los eventos y así muchos otros temas similares. Ese tipo de cuestiones no pueden ser tratados dentro de la ciencia; tienen que ser tratadas con herramientas formales, con conocimiento de lo que se está haciendo en ciencia, pero, sobre todo, a través del análisis conceptual. Entonces creo que ese es el lugar de la metafísica. Explicar el marco general dentro del cuál se puede hacer ciencia y es importante destacar que ese marco general puede modificarse de acuerdo a los resultados de la ciencia. Como dice Bunge, la ontología básica implica la existencia de cosas con propiedades y las cosas tienen dos formas de composición y solo dos. Bien, eso está inspirado en las observaciones físicas que indican que los existentes tienden a componerse por yuxtaposición o por superposición; podría ser que con el avance de nuestra investigación lleguemos a la conclusión de que hay una tercera forma de composición. En ese caso debemos revisar nuestra ontología. Con esto quiero decir que la ontología científica a diferencia de la ontología racionalista pura es revisable a la luz de la experiencia y sobre todo a la luz de la experiencia científica. Yo creo que el término metafísica no es muy afortunado porque parecería indicar algo que está más allá de la física. En realidad el nombre metafísica proviene de como los doxógrafos agrupaban ciertos textos de Aristóteles; no sabían donde ponerlos  y los pusieron después de los textos de física. Nada más. Pero lo que Aristóteles trataba en esos temas eran los conceptos más amplios de toda su filosofía y son justamente esos conceptos los que sirven de base a la física y a la ciencia. Es más oportuno hablar de proto-ciencia o de ontología, que de metafísica. 

¿En la práctica como tu buscas la metafísica en las teorías particulares, por ejemplo, en física de hoyos negros?

Yo creo que la física y otras disciplinas pueden servir para poner a prueba tesis ontológicas o metafísicas, si querés. En el caso de los agujeros negros que vos has mencionado yo creo que estos objetos pueden arrojar luz sobre viejas controversias que hay en astrofísica respecto de la naturaleza del espacio y el tiempo y la forma en que separamos al espacio-tiempo en pasado, presente y futuro. Estamos acostumbrados por la forma en que se ordena la experiencia en nuestro cerebro a adoptar la tesis de San Agustín de que sólo el presente existe y que el pasado ya dejó de existir y el futuro aún no se ha materializado. Esto entra en contradicción con la teoría especial de la relatividad y aún mucho más con la teoría general de la relatividad y la forma más evidente de esas contradicciones aparece cuando el espacio y el tiempo llegan a las formas de distorsión más grande que permite la naturaleza, como ocurre en los agujeros negros. Yo creo que el estudio de los agujeros negros aporta información muy valiosa sobre la validez de esas tesis ontológicas. Yo he publicado cosas al respecto. En mi opinión, si existen agujeros negros entonces esa vieja tesis de San Agustín es falsa y el pasado y el futuro son tan reales como el presente. 

De modo que forman un

Forman un sistema más vasto no restringido a 3 dimensiones; sino de 4 dimensiones donde no puede haber cambio, porque el cambio siempre es cambio respecto del tiempo, y aquí el tiempo es parte del sistema total. Pero sí es un sistema donde hay asimetrías y esas asimetrías son lo que nosotros interpretamos como cambios al descomponerlas en 3 dimensiones espaciales y una dimensión temporal. 

Pero estas formas de estructurarse de la realidad son más fundamentales todavía o son inherentes a las condiciones de los agujeros negros…

No, yo creo que se manifiestan de forma más clara en los agujeros negros pero son inherentes a toda la realidad. Eso lo discuto  in extenso en mi artículo  Parmenides Reloaded donde revisto la tesis original de Parménides de que no hay cambio. Yo lo que  sostengo no es que no hay cambio; hay cambio si pensamos en el universo en 3 dimensiones más una temporal. Pero si lo pensamos en 4 dimensiones donde una de ellas es temporal, entonces ya no hay cambio sino lo que hay  es asimetría en el sistema de todos los eventos. Entonces, por ejemplo, una entidad, como  puede ser el ser humano, puede pensarse como una especie de entidad de 4 dimensiones que es asimétrica. El niño que fui es un extremo de esa entidad y el anciano que con suerte podré llegar a ser es otro extremo de esa entidad y todo ello es una región de un sistema de eventos que llamamos espacio-tiempo. Es una idea que fue propuesta por primera vez por una mente extraordinaria del siglo XX acaso no suficientemente valorada, que fue Hermann Weyl, un gran matemático, discípulo de Hilbert, íntimo amigo de Einstein. 

Estas ideas son la antesala de tu ontología de eventos, y no de cosas.

Sí.

MATERIALISMO Y LA FILOSOFÍA DE GUSTAVO. E. ROMERO

¿Qué es la materia?

La materia es todo lo que puede cambiar. Todo lo que es susceptible, en una teoría como la mencionamos de 3 dimensiones espaciales más una temporal, de cambiar en la dimensión temporal. En una teoría cuadridimensional es todo lo que presente una asimetría en su distribución alrededor del eje definido por la dimensión temporal. Básicamente materia es todo aquello que tiene energía porque energía es la capacidad de cambio. Los conceptos, por ejemplo, no cambian. Una vez que uno lo define un triángulo es un triángulo. No importa lo que uno predique del triángulo: jamás dejará de ser un triángulo.

¿En una ontología cuadridimensional que es la energía?

La energía es el gradiente de asimetría del espacio-tiempo.

¿Qué tal funciona eso?

Se puede reconstruir a un nivel muy básico. Es posible mostrar que una ontología de eventos es traducible a una ontología de cosas  y viceversa. Por lo tanto, son dos formas distintas de ver el mismo sistema. Si uno lo ve en 3 más 1 dimensiones, el universo  evoluciona en el tiempo y si uno lo ve en 4 dimensiones, es el Mundo, que es fijo, como el Ser de Parménides. El mundo es el universo evolucionado, si me permiten el abuso del lenguaje. Entonces, es posible hacer una traducción o establecer un isomorfismo entre las dos ontologías. De aquí que a partir de cierto nivel ambas ontologías son equivalentes. Sin embargo, yo pienso que hay un nivel en el cual es difícil hablar de cosas, un nivel por debajo de la escala de Planck. La ciencia, la física, nos está empezando a sugerir que en el nivel más bajo una ontología de eventos es más apropiada para sustentar las teorías más fundamentales de la física que una ontología de cosas. 

-Bunge en una entrevista que le hice relató la genealogía del materialismo. Me dijo que la idea de que las cosas que existen son corruptibles viene de Platón aunque hasta recién el siglo XVIII se generalizó que todo lo que existía cambiaba legalmente ¿Como relatarías la historia del materialismo?

 

En eso no coincido con Mario. La idea de que el cambio es esencial a la estructura de la realidad, es una idea que surgió con los primeros presocráticos, con Tales, Anaximandro y con Anaxímenes que, en vez de ser monistas, como se suele decir – incluso Johnatan Barns lo afirma en su libro sobre los Presocráticos- los estudios más recientes en base a la nuevas traducciones de los fragmentos existentes y los nuevos estudios doxográficos, indican que en realidad eran pluralistas,  o sea, admitían muchas sustancias, al menos 4. Pero destacaban una sustancia como la sustancia generadora. Entonces ellos postularon que había un mecanismo. Cada uno de estos milesios postuló un mecanismo diferente y  una sustancia generadora diferente, pero a partir de la operación de ese mecanismo se iban produciendo otras sustancias y todas podían coexistir y daban lugar a los objetos que percibimos en la vida cotidiana. Entonces el problema del cambio ya está presente en el nacimiento mismo del pensamiento crítico y de hecho fue Parmenides quien reaccionó contra de la teoría del cambio de los Milesios porque encontraba que tenía lagunas lógicas que el no podía explicar y fue el primero en proponer la idea de la ausencia de cambio, que el cambio es producto de nuestra ignorancia del verdadero sistema del mundo. Toda la filosofía posterior a Parmenides, incluyendo Platón, es una reacción a la postura que tiene Parmenides respecto del cambio. En mi opinión, el materialismo y la idea del cambio están asociados al nacimiento mismo de la filosofía. Yo creo que darle la paternidad de éste problema a Platón es ser demasiado generoso. Los filósofos presocráticos, todo ellos sin excepción, fueron materialistas.  Incluso, por ejemplo, Demócrito y Leucipo, que postularon una teoría particular del cambio basada en átomos, mantenían algunos elementos de Parmenides y también ignoraban otros para dejar lugar a lo que hoy llamamos dinámica. 

Tengo la impresión de que te tomas muy en serio a Parmenides y crees que los retos teóricos que impuso él y su escuela no pueden ignorarse…

Yo creo que Parmenides fijó un estándar prácticamente hasta el siglo XIX.  Realmente su  contribución es importante. Entre otras cosas, él fue el primero en introducir el problema de la verdad. Se suele atribuir la paternidad del problema a Aristóteles, que afirma que algo es verdadero cuando se dice de lo que es, que es y de que lo que no es, no es. Pero eso ya está en Parmenides, él diferencia claramente entre lo que es opinión y la verdad. Señala que la opinión puede no coincidir con la verdad. Yo creo que Parmenides no sólo tiene una enorme influencia en los aspectos ontológicos del pensamiento de occidente sino en los aspectos incluso semánticos,  y  a través de  su discípulo Zenón en la lógica. Zenón inventó el argumento por reducción al absurdo, que juega un papel fundamental en la teoría de la demostración. Realmente el rol de Parmenides es muy  importante.

LOS FANTASMAS DE KANT

-¿La síntesis metafísica no significaría limitar la investigación posterior, por ejemplo, la que partiría de otros principios? ¿Como se enfrenta la tensión entre hacer síntesis filosófica en un momento dado y la investigación empírica?

No creo que la ontología o la metafísica sea un corsete que limite a la ciencia por algo que mencionamos antes. Una metafísica orientada científicamente siempre debe retroalimentarse con la ciencia, y por tanto debe ser corregida si la ciencia indica que va por el mal camino. En ese sentido creo que hay un sistema de retroalimentación mutua que impide lo que vos decís, que la ontología se transforme en un corsete. Si el metafísico se vuelve defensor de una doctrina y deja de lado la ciencia existe ese peligro. Es nuestra obligación  abogar porque que toda la filosofía no se convierta en mera opinología o dogmatismo, y se mantenga fiel a la ciencia de su tiempo.

Yo creo que en que la historia de la ciencia ha dado cuenta de esto. Einstein, por ejemplo, se murió causalista…

…Sí, Einstein, digamos… No quiero hablar mal de Einstein. Einstein fue una persona extraordinaria e incluso desde el punto de vista filosófico estuvo muy por adelante de la gente de su tiempo. Él no podía vislumbrar ciertas cosas que después sucederían en física o que estaban empezando a suceder en la época en la que el falleció. El falleció en 1955, en el umbral de lo que se llamó la explosión de las partículas; cuando se empiezan a descubrir nuevas partículas experimentales y se llega a la conclusión de que debe haber campos asociados a las partículas elementales y esos campos son campos cuánticos, no campos clásicos como los que Einstein estaba habituado a considerar. Pero yo creo que Einstein era una persona de una profunda intuición ontológica y si bien él no estaba dispuesto a renunciar al principio de causalidad, yo creo que en muchos otros aspectos tuvo una visión de mucho más largo alcance que la de algunos contemporáneos que se transformaron en meros operacionalistas o instrumentalistas respecto de la ciencia. Einstein siempre fue realista y yo creo que  por esto su posición  fue reivindicada. Por más que hoy concibamos las relaciones entre eventos como no meramente causales sino también que puedan tener una componente estocástica. Lo cual no quiere decir que el determinismo haya caído, sino que es más rico de lo que se sospechaba en aquella época. El determinismo es la afirmación de que todo lo que ocurre obedece a, o mejor dicho, está restringido por leyes. Hay gente que de forma equivocada piensa que el carácter estocástico de la relación entre algunos eventos implica la indeterminación de la evolución del mundo y eso no es cierto; el mundo se desarrolla legalmente, el desarrollo del mundo está determinado, sólo que es determinado de una manera diferente a la puramente causal. Quien se equivocó al hacer un dictamen así es Popper y mucha gente ha seguido a Popper. 

– ¿Cómo se rastrea la crísis de los fundamentos de las ciencia o cuándo se debe ser conservador respecto de los “nuevos descubrimientos”?     

Porque empieza a estar en contradicción con la ciencia de su tiempo. El momento del comienzo del declinar del determinismo causal fue a partir de que se prueban las desigualdades de Bell y se establece efectivamente que en mecánica cuántica hay relaciones que efectivamente son no- locales y con la aparición de las nuevas partículas- explicándolas como perturbaciones de campos cuánticos -. Einstein pensó en algún momento que las partículas podrían explicarse como singularidades de campos clásicos. Esa idea entró un conflicto con los hechos y cayó. La forma que  el ontólogo tiene de reaccionar con los hechos es decir “bueno, modifico mi ontología; amplio el concepto de determinismo para introducir una nueva forma de generación de eventos, que es la estocástica”. Si no lo hace, cae en el dogmatismo. 

…Einstein, en tu opinión, reaccionó como el mejor ontólogo hubiera reaccionado…

Con el conocimiento de su época, sí.  No olvidemos que el murió en 1955…

SOCIEDAD, FILOSOFÍA Y CIENCIA

-¿Qué te ha parecido el Centro de Radioastronomía y astrofísica de la UNAM en Morelia?

El CRYA  lo conozco desde hace tiempo. Es de los centros de la UNAM más productivos, sobre todo en el área de Astronomía. Tiene investigadores extraordinariamente capaces y algunas figuras líderes que son de primer nivel internacional como Luis Felipe Rodriguez, Gustavo Bruzual y Susana Lizano. Es un instituto que no tiene nada que envidiarle a los buenos institutos europeos y americanos. Tiene una perspectiva de crecimiento enorme. De hecho, hasta ahora era un centro y ahora se convertirá en un instituto: lo tiene muy bien merecido. La mayor parte de los institutos de la UNAM están la ciudad de México. Debe ser de los pocos que hay que van a estar fuera del DF. Tengo una excelente opinión de lo que hacen aquí y el hecho que tengan interés de ofrecer cursos de filosofía para sus estudiantes de postgrado demuestra la apertura de visión con que se manejan. En esto estoy muy agradecido con Susana Lizano que ha tenido la visión de incorporar un curso de esta naturaleza como el que acabo de dar sobre Filosofía Científica en su programa de postgrado. 

¿Cómo ha ido el curso? 

Yo estoy contento. Creo que ha tenido una muy buena recepción. No debemos olvidar sin embargo que en este curso se plantearon a científicos un montón de problemáticas que probablemente en su vida las habían pensado. La primera reacción es la perplejidad que se refleja en el nivel de preguntas que uno puede esperar comparado con, por ejemplo, el que se puede esperar cuando uno habla con filósofos que ya tienen una posición tomada. Pero a diferencia de los filósofos los científicos son más cautos y cuando hacen afirmaciones no tratan de defenderlas por pura afiliación sino que hacen preguntas de franca curiosidad para poder entender su ciencia. Yo creo que las preguntas han sido realmente buenas y creo que el resultado ha sido bueno para ellos, que es lo más importante. 

-¿Has dado cuenta de la astrofísica mexicana? ¿Qué te parece?

Yo conozco bien la astrofísica mexicana, no por éste viaje sino por otros que he hecho antes. He visitado otros institutos como por ejemplo, el INAOE en Tonantzintla o el Centro de Astrófisca, en Ensenada. La astronomía o la astrofísica mexicana tiene buen nivel. Además los mexicanos tienen la facilidad de acceder a varios instrumentos que están en Estados Unidos. Una facilidad que no todos los latinoamericanos tienen. Yo creo que los 4 países en los que la astronomía está desarrollada son México, Brasil, Argentina y en menor medida, Chile (a pesar de que en Chile están los grandes telescopios europeos y algunos estadounidenses). 

En Buenas Aires, Argentina, se organiza en septiembre el primer Encuentro de Filosofía Científica en honor a Mario Bunge? ¿Qué expectativas tienes?

Tengo muchas expectativas. 

Mario Bunge fue el primer profesor de Filosofía de la Ciencia en la universidad de Buenos Aires. Con el auge del postmodernismo, de filosofías anticientíficas, Mario Bunge ha sido dejado de lado por los filósofos que no tienen orientación científica, que son la mayoría. Entonces esto creo que es un largamente postergado homenaje a quien es el más importante filósofo que ha habido en lenguaje castellana en su lugar de origen. Espero que Mario tenga la salud para poder asistir y que disfrute de esa reunión. 

-¿Cuáles son las aportaciones de Bunge a la filosofía científica?

Mario Bunge es la primera persona que se ha atrevido en quizá 100 años a desarrollar un sistema completo de filosofía. Hoy por las presiones académicas del mercado filosóficos o el mercado universitario los filósofos se dedican a trabajar en temitas aislados. Mario Bunge en la década de los 60’s, cuando termina su libro Foundations of Physics, decide emprender una proyecto filosófico de largo alcance; decide plantearse los grandes problemas filosóficos no en conexión con los autores sino con la ciencia. Eso es algo que excepto en Bertrand Russell no tiene precedente en el siglo XX. Bunge no sólo se lo propuso sino que lo implementó en los 20 años siguientes; lo cual muestra una constancia, una sistematicidad extraordinaria y totalmente inusual en el mundo académico. Se mantuvo fiel a su proyecto pese a las presiones académicas. Una vez que lo completó sintió la necesidad de aclarar y corregir algunos aspectos y publicó una serie de libros complementarios con resultados más recientes. Y finalmente se dedicó 15 años de su vida a estudiar las ciencias sociales, porque entendió que la filosofía de esas ciencias estaba prácticamente en pañales, con todo por hacer, y estaba dominada por personas que no tenían conocimiento científico. La obra de Bunge no ha sido justamente valorada hasta ahora pero con el tiempo va ocupar un lugar extraordinario en la filosofía del siglo XX y principios del siglo XXI. Como yo dije una vez cuando Mario presentó sus memorias, la única figura comparable en el siglo XX a Mario es Bertrand Russell, pero Bertrand Russell, por distintas cuestiones, no pudo desarrollar una obra de la extraordinaria coherencia que tiene la de Mario Bunge. 

-¿Porqué crees que sea ignorado, ninguneado o difamado?

 

Es un problema complejo. Un problema relacionado con la sociología de la academia. También está relacionado por la personalidad de Mario. Por un lado, al decidir atacar problemas y no simplemente revisitar autores y  extender sus opiniones, se gana la enemistad de esos autores que les gustaría verse mencionados. Los filósofos están muy atentos a como se cita y si no les gusta, deciden hacer una especie de voto de silencio. Por otra parte, Bunge ha trabajado desde fuera del núcleo de la filosofía internacional. Entonces la forma de abordar los problemas no es la usual en  filosofía académica. Muchas veces sus análisis lo llevan a la conclusión  de que hay tradiciones en la filosofía analítica que afirman cosas en contradicción con los hechos y no ha tenido tapujos en decirlo, en eso creo que ha sido muy valiente. Quizá si fuera una persona preocupada por su repercusión internacional, hubiese ganado adeptos dentro del mundo académico anglosajón. Mario Bunge además tiene una personalidad combativa por como se ha formado, por los escollos que ha tenido que sufrir y vencer; primero en Argentina y contra el peronismo; estuvo preso por expresar libremente su pensamiento. Luego en el mundo académico argentino, que le era extremadamente hostil; un mundo dominado por el existencialismo o por corrientes que eran abiertamente anticientíficas. Su personalidad fue forjándose así como una personalidad extraordinariamente combativa y su forma de expresarse en libros académicos acerca de otros autores puede ser un tanto chocante, incluso para los estándares más liberales que podamos pensar. En ese sentido su tacto social no ha sido el adecuado como para que haya tenido la recepción que debería haber tenido. Pero esas cosas con el tiempo se borran, las enemistades personales desaparecen cuando la gente muere, y las obras permanecen. No olvidemos que el grueso de la obra de Leibniz se publicó después de su muerte y hoy seguimos pensando en Leibniz como una de las grandes mentes del siglo XVII y de toda la historia de la filosofía. Yo creo que el lugar de Mario Bunge en la historia de la filosofía estará a esa altura. 

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Este artigo é a continuação de outro texto e sua leitura não fará muito sentido sem a leitura do outro. A primeira parte do texto pode ser acessada clicando-se aqui.

Nesta parte serão apresentados os resultados e a discussão do artigo de Wiesner, C. D., et al. The effect of selective REM-sleep deprivation on the consolidation and affective evaluation of emotional memories (2015), publicado na Neurobiology of Learning and Memory.

RESULTADOS

Para garantir que não houve prejuízo na atenção dos participantes de grupos diferentes em decorrência da privação seletiva de sono, os experimentadores aplicaram o teste MDBF. “O MDBF consiste em 24 adjetivos descritores de estados mentais ou afetivos que podem ser avaliados segundo uma escala de cinco pontos e pertencem a três subescalas com 8 itens cada. As subescalas variam de 8 a 40 com o ponto médio sendo 24. Valores altos na subescala ‘bom humor versus mau humor’ indicam uma valência positiva. Valores altos na subescala ‘estado calmo versus estado nervoso’ indicam um estado de baixa agitação. Valores altos na subescala ‘desperto versus cansado’ indicam [nível alto de] vigília” (Wiesner, C. D., et al., 2015). Em geral, todos os grupos tiveram resultados muito parecidos, com exceção do grupo Wake (este grupo permaneceu acordado entre os testes de reconhecimento imediato e tardio) que apresentou, naturalmente, um nível maior de vigília.

Também foi feito o registro do sono para garantir que houve de fato a privação seletiva. O sono em humanos é dividido em duas fases: sono REM e sono não-REM. Há ainda uma subdivisão da fase não-REM em três estágios: N1, N2 e N3, sendo que este último caracteriza o sono de ondas lentas (slow wave sleep, ou SWS, em inglês). Em breve, devo escrever um artigo somente sobre as fases do sono.

A quantidade média de sono REM do grupo REMD (privado de sono REM) foi de 2 minutos contra 56 minutos do grupo SWSD (privado de SWS) ao passo que a quantidade média de SWS foi de cerca de 90 minutos para o REMD contra 7 minutos para o SWSD, o que mostra que a privação seletiva foi efetiva. A quantidade total de sono diferiu pouco entre os grupos e a eficiência do sono, que é a razão entre a quantidade de tempo sono e a quantidade de tempo na cama, foi a mesma: 68%.

Os testes de memória produziram dados interessantes. A diferença de desempenho da memória no teste imediato e no teste tardio foi menor para as imagens emocionais em comparação com as neutras em todos os grupos, ou seja, quanto menor a diferença, melhor a retenção, a consolidação, das memórias. Também obtiveram resultados melhores na consolidação, tanto das imagens emocionais quanto das neutras, os grupos que dormiram entre um teste e outro (REMD e SWSD). Além disso, o grupo privado de sono REM teve um resultado pior que o que foi privado de SWS, mas somente na retenção das imagens emocionais.

Acurácia, ou precisão, é a diferença entre os acertos e os erros em um dos testes. A diferença na acurácia da memória para imagens emocionais e neutras no teste tardio foi usada como uma medida do viés de memória emocional (emotional memory bias), que seria a tendência a uma melhor consolidação de memórias com carga emocional do que de memórias neutras. No grupo que teve sono REM, foi encontrada uma correlação positiva entre a quantidade de tempo de REM e o viés de memória emocional, ou seja, “quanto maior a quantidade de sono REM que os participantes tinham, mais imagens emocionais eram recordadas em comparação com imagens neutras” (Wiesner, C. D., et al., 2015).

Quanto à avaliação afetiva das imagens, houve uma diminuição significativa nos níveis de agitação em decorrência do tempo para todos os grupos, isto é, as imagens passaram a eliciar respostas menos severas nos participantes. E essa diminuição foi levemente mais pronunciada para as imagens emocionais do que para as neutras. Praticamente não houve diferença entre os grupos. A interação desses três fatores (tempo, emoção e grupo), que poderia sustentar a tese de que o sono REM diminui a reação emocional, não foi significativa. O mesmo pode ser dito da avaliação da valência emocional das imagens. Além disso, os participantes passaram a avaliar como mais neutras as imagens emocionais, tanto as com valência positiva quanto as com valência negativa.

DISCUSSÃO

Os autores desse artigo se propuseram a testar a hipótese “sleep to remember – sleep to forget” e, para isso, executaram privação seletiva de sono. Foram encontradas evidências para a primeira parte da hipótese, qual seja, “sleep to remember”. Os grupos que puderam dormir entre um teste e o outro tiveram um melhor desempenho do que o grupo que permaneceu acordado, o que indica que o sono como um todo melhora a consolidação de memórias. Outro fator que potencializa a retenção de uma memória é a excitação emocional causada por ela.

Alguns estudos elencados pelos autores (Giuditta et al., 1995; Walker & Stickgold, 2010) sustentam a hipótese de que a sucessão das fases REM e SWS é vantajosa para a consolidação de memórias emocionais. É assim que os dados são interpretados para o caso do grupo SWSD, que apresentou um significante viés de memória emocional. Embora privado de sono de ondas lentas (o estágio N3 do sono não-REM), esse grupo teve em média 167 minutos de sono N2 (contra 139 do grupo REMD), o qual conteve períodos de ondas lentas, estimado em menos de 20% por período. Além disso, esse grupo teve um total de 56 minutos de sono REM, um valor dentro da média para pessoas saudáveis segundo Redline et al., (2004). O sono REM por si só auxiliou na consolidação de memórias emocionais, mas sua privação não trouxe muitos prejuízos, de uma forma geral, apenas enfraqueceu o viés de memória emocional. Outro estudo interessante foi o de Nishida et al. (2009). Usando o formato “nap-design”, no qual é comparado o efeito de uma breve soneca e de um intervalo de tempo em que o sujeito experimental permanece acordado, foi relatado que tirar uma soneca ajuda a consolidar memórias emocionais, e a quantidade de sono REM correlacionou-se com a extensão da facilitação da memória emocional.

Entretanto, outros estudos (Cairney, Durrant, Power, & Lewis, 2014; Prehn-Kristensen et al., 2013) mostraram resultados inconsistentes com os deste experimento. Contudo, eles usaram métodos diferentes para a investigar o papel do sono na memória, o que pode levar a resultados diferentes. O que parece é que sono REM é benéfico para a consolidação de memórias, mas não se sabe se é necessário.

Já quanto a parte “sleep to forget” da hipótese, este experimento não encontrou nenhuma evidência que a suporte. As avaliações quanto à afetividade das imagens durante a codificação e durante o teste de reconhecimento não sustentam a hipótese de que o sono REM diminui a reação emocional eliciada pela rememoração das imagens e que esse efeito estaria relacionado à consolidação de memórias.

Ainda mais, outros estudos acabaram achando evidências contra “sleep to forget”. Wagner, Fischer, and Born (2002) encontraram que o sono rico em REM modificou a valência na direção negativa enquanto que o sono rico em ondas lentas a modificou na direção positiva. Groch et al. (2013) achou que sono REM e SWS não tiveram efeito sobre a valência das imagens.

Outra discussão interessante presente no artigo é sobre o estágio N2 do sono não-REM. O grupo privado de SWS teve quase 30 minutos a mais de N2 que o REMD. Neste estágio do sono há uma quantidade considerável de fusos (do inglês, spindles: são oscilações rítmicas entre 10 a 14 Hz nas ondas no EEG) e é argumentado que estes fusos aumentam a consolidação de memórias declarativas e que podem aumentar o viés de memórias emocional. Kaester et al. (2013) encontrou que esse viés em grupo ao qual foi administrado zolpidem e não em um grupo controle ao qual foi dado placebo. Zolpidem é um fármaco que aumenta a quantidade de fusos durante o sono, o que pode levar à conclusão de que estes fusos estão causalmente relacionados à memória emocional. Todavia, como o zolpidem também aumenta a quantidade de sono de ondas lentas, essa conclusão fica enfraquecida. Outra consideração interessante é o papel do ciclo circadiano, isto é, em que momento do dia é feita a codificação das imagens e em qual momento é feito o teste de reconhecimento e como isso poderia influenciar na memória. Esse é um tema pouco conhecido ainda.

Em suma, o que se sugere é que outras fases do sono além da fase REM podem influenciar na consolidação de memórias, ou seja, o sono como um todo é benéfico para a memória. Os autores concluíram deste estudo que (1) o sono REM seria modulador essa consolidação; (2) o sono REM por si só ajuda na consolidação de memórias declarativas mesmo que a quantidade de REM ou de SWS seja tragicamente reduzida e (3) o sono REM não tem nenhum efeito na diminuição da valência emocional das memórias, isto é, a parte “sleep to forget” não só carece de evidências em seu favor como também há evidências contra.

Referências:

Aserinsky, E., & Kleitman, N. (1953). Regularly occurring periods of eye motility, and concomitant phenomena, during sleep. Science, 118, 273–274.

Cairney, S. A., Durrant, S. J., Power, R., & Lewis, P. A. (2014). Complementary roles of slow-wave sleep and rapid eye movement sleep in emotional memory consolidation. Cereb Cortex.

Dement, W. (1960). The effect of dream deprivation. Science, 131, 1705–1707.

Giuditta, A., Ambrosini, M. V., Montagnese, P., Mandile, P., Cotugno, M., Grassi Zucconi, G., et al. (1995). The sequential hypothesis of the function of sleep. Behavioural Brain Research, 69, 157–166.

Goldstein, A. N., & Walker, M. P. (2014). The role of sleep in emotional brain function. Annual Review of Clinical Psychology, 10, 679–708.

Groch, S., Wilhelm, I., Diekelmann, S., & Born, J. (2013). The role of REM sleep in the processing of emotional memories: Evidence from behavior and event-related potentials. Neurobiology of Learning and Memory, 99, 1–9.

Kaestner, E. J., Wixted, J. T., & Mednick, S. C. (2013). Pharmacologically increasing sleep spindles enhances recognition for negative and high-arousal memories. Journal of Cognitive Neuroscience, 25, 1597–1610.

Nishida, M., Pearsall, J., Buckner, R. L., & Walker, M. P. (2009). REM sleep, prefrontal theta, and the consolidation of human emotional memory. Cerebral Cortex, 19, 1158–1166.

Prehn-Kristensen, A., Munz, M., Molzow, I., Wilhelm, I., Wiesner, C. D., & Baving, L. (2013). Sleep promotes consolidation of emotional memory in healthy children but not in children with attention-deficit hyperactivity disorder. PLoS ONE, 8, e65098.

Redline, S., Kirchner, H. L., Quan, S. F., Gottlieb, D. J., Kapur, V., & Newman, A. (2004). The effects of age, sex, ethnicity, and sleep-disordered breathing on sleep architecture. Archives of Internal Medicine, 164, 406–418.

Wagner, U., Fischer, S., & Born, J. (2002). Changes in emotional responses to aversive pictures across periods rich in slow-wave sleep versus rapid eye movement sleep. Psychosomatic Medicine, 64, 627–634.

Walker, M. P., & van der Helm, E. (2009). Overnight therapy? The role of sleep in emotional brain processing. Psychological Bulletin, 135, 731–748.

Walker, M. P., & Stickgold, R. (2010). Overnight alchemy: Sleep-dependent memory evolution. Nature Reviews Neuroscience, 11, 218. author reply 218.

Especialistas de mais de 30 instituições de todo o mundo propuseram-se a investigar a transição entre o limite quântico e o clássico a partir do espaço exterior.

Imagem para fins meramente ilustrativos.

A teoria que muitos qualificam como a mais bem sucedida da história da ciência tem muito pouco a ver com a experiência cotidiana. Por que a mecânica quântica difere tanto da mecânica newtoniana? Existe algum limite físico de massa ou de tamanho a partir do qual a primeira deixe de ser válida? Se isso não ocorre assim, por que os efeitos quânticos não são observados em objetos macroscópicos?

Para responder a tais perguntas, há algum tempo os físicos tentaram realizar experimentos de interferência e superposição quântica em objetos cada vez maiores. Em 1999, em um trabalho agora famoso, Markus Arndt e outros pesquisadores da Universidade de Viena, foram capazes de observar um padrão de interferência com moléculas de fulereno C60, constituída por 60 átomos de carbono. Desde então, esse limite foi estendido para moléculas com cerca de 104 unidades de massa atômica (UMA), formada por alguns milhares de átomos. Um recorde para os padrões quânticos, mas ainda longe do nível verdadeiramente macroscópica.

A dificuldade fundamental que colide contra tais experimentos é que, para observar os efeitos quânticos, o sistema do objeto de estudo tem de ser perfeitamente isolado do meio ambiente. Isso exige temperaturas muito baixas, um vácuo quase perfeito e, a partir de certa massa, evitar gradientes gravitacionais e vibrações a que possam estar submetidos a configuração experimental.

Essas dificuldades podem ser contornadas, talvez, de um ambiente até então inexplorado para esses fins: o espaço exterior. Assim, os pesquisadores acreditam na colaboração do MAQRO, um consórcio formado por especialistas de mais de 30 instituições em todo o mundo que apresentou recentemente a sua proposta para a Agência Espacial Europeia (ESA). O relatório do projeto foi publicado há alguns dias no repositório de artigos científicos arXiv.

Segundo os seus proponentes, as condições altas no vácuo, as baixas temperaturas e a microgravidade típicas do espaço exterior permitiram aumentar várias ordens no limite de magnitude com o que chocam os experimentos realizados em terra firme. “MAQRO possibilitaria trabalhar com partículas entre 108 e 1011 (UMA), em princípio, observáveis a olho nu”, assegura Rainer Kaltenbaek, pesquisador da Universidade de Viena e líder do projeto.

Uma fronteira difusa
Impressão artistíca do experimento LISA Pathfinder, da ESA, escolhido pelos proponentes do projeto MAQRO como um modelo tecnológico para levar a mecânica quântica para o espaço. Crédito da Imagem: ESA.
Impressão artistíca do experimento LISA Pathfinder, da ESA, escolhido pelos proponentes do projeto MAQRO como um modelo tecnológico para levar a mecânica quântica para o espaço. Crédito da Imagem: ESA.

Os especialistas acreditam que tal projeto com MAQRO permitira testar alguns modelos alternativos para a mecânica quântica padrão; em particular, aqueles que postulam um colapso objetivo da função de onda quando o sistema alcança um determinado limiar de massa. (Segundo a explicação tradicional, baseada na decoerência, o chamado “colapso” da função de onda só tem lugar de maneira efetiva, não literal e aparece devido as interações no sistema quântico com o meio ambiente). “Incluindo um ‘resultado nulo’ – um perfeito acordo com as predições da teoria quântica – supondo um tremendo avanço, já que descartaria toda uma série de modelos teóricos alternativos que, hoje por hoje, não poderiam ser testados”, explica Kaltenbaek.

Adán Cabello, um especialista em teoria quântica da Universidade de Sevilha e que não faz parte da colaboração do MAQRO, considera que tal projeto seria viável. “Talvez pudessem descartar certos modelos que predizem que o “colapso” do estado quântico é um efeito físico com realidade objetiva”, diz o pesquisador. Para Mafalda Almeida, do Instituto de Ciências Fotônicas de Castelldefels, a importância teórica de um projeto como esse é clara: “Permitiria abordar duas grandes questões: o estudo de modelos de decoerência e da relação entre a mecânica quântica e a gravidade”, aponta. O pesquisador também avalia a qualidade científica dos membros do projeto: “São cientistas de primeira linha no campo da informação quântica, tanto teórica como experimental, de modo tecnicamente concebível que a proposta é acessível, no entanto decorrente de todos os tipos de desafios.”

Por enquanto, porém, os pesquisadores terão que esperar. O projeto MAQRO não foi pré-selecionado para o programa da Cosmic Vision 2015-2025 da ESA, concebido para grandes projetos a agência considerará empreender durante a próxima década. Kaltenbaek diz que a decisão era esperada: “Para esta chamada, a ESA buscava missões de baixo risco e que pudessem ser implementadas sem necessidade de um desenvolvimento excessivo. MAQRO não se ajustava a esse perfil.” Contudo, o pesquisador está otimista para o futuro: “Temos recebido o apoiado das agências espaciais da Austria, França, Alemanha, Reino Unido e Suíça. Com alguns anos de margem para desenvolver alguns aspectos técnicos, acreditamos que o MAQRO terá uma oportunidade na próxima convocatória de projetos da ESA.”

Mais informações no site de colaboração da MAQRO. Uma versão da proposta pode ser baixada no repositório de artigos científicos arXiv.


Fonte

— , El Gato de Schrödinger Quiere Viajar al Espacio. Investigación y Ciencia. 2015.