A ciência de por que ninguém concorda com a cor do vestido

A imagem original está no meio. À esquerda, com equilíbrio de branco, como se o vestido fosse dourado. À direita, com equilíbrio de branco para azul escuro.

Por Adam Rogers

Desculpe, mas o vestido é azul!

Esta luta é muito mais do que um conflito de opiniões pessoais em mídias sociais – é sobre a biologia primitiva e como os cérebros e olhos humanos evoluíram para ver a cor em um mundo iluminado pelo Sol.

A luz entra no olho através de comprimentos de ondas diferentes, correspondentes as diferentes cores. A luz atinge a retina no fundo do olho, onde a pigmentação passa através de conexões neurais para o córtex visual, a parte do cérebro que processa esses sinais em uma imagem. Criticamente, porém, a primeira descarga de luz que ilumina o mundo acontece em qualquer comprimento de onda, refletindo o que você está olhando. Sem que você precise se preocupar com isso, seu cérebro entende que a cor da luz salta para fora do que seus olhos estão observando e, essencialmente, subtrai a cor da cor “real” do objeto. “O nosso sistema visual joga fora as informações sobre o iluminante e extrai informações sobre a real refletância”, diz Jay Neitz, um neurocientista da Universidade de Washington. “Já estudei as diferenças individuais nas cores da visão por 30 anos, e esta é uma das maiores diferenças individuais que eu já vi.” (Neitz vê branco e dourado.)

Normalmente, esse sistema funciona muito bem. Esta imagem, porém, atinge algum tipo de limite perceptual. Isso pode ser por causa da forma como as pessoas estão programadas. Os seres humanos evoluíram para ver a luz do dia, mas a luz do dia muda de cor. Esse eixo cromático varia entre o vermelho rosado do amanhecer, através do azul-branco do meio-dia, e depois de volta para uma tonalidade mais baixa para um vermelho-crepúsculo. “O que está acontecendo aqui é que seu sistema visual está olhando para essa coisa, e você está tentando descontar o viés cromático do eixo de luz do dia”, diz Bevil Conway, um neurocientista que estuda cor e visão no Wellesley College. “Então, as pessoas que buscam ver o azul, acabam enxergando branco e dourado, ou os que buscam ver o dourado, acabem enxergando azul e preto.” (Conway vê azul e laranja, de alguma forma.)

O site WIRED realizou um trabalho com a imagem no Photoshop para descobrir a composição real do vermelho-verde-azul de alguns pixels. Com isso, eles acharam que conseguiriam responder à pergunta em definitivo. E realmente chegaram bem perto.

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Na imagem, tal como apresentado no BuzzFeed, o Photoshop nos diz que os lugares em que algumas pessoas vêem azul, de fato, é azul. Mas… que provavelmente tem mais a ver com o fundo do que com a cor real. “Olhe para os valores RGB. R 93, G 76, B50. Se você apenas olhou para esses números e tentou prever que cor era, o que você diria?” Conway pergunta.

Então… um tipo de laranja-y?

“Certo”, diz Conway. “Mas você está fazendo um truque muito ruim, que está projetando aqueles remendo sobre um fundo branco. Mostre o mesmo patch em um fundo preto neutro e eu aposto que aparecerá laranja.” Analisado através do Photoshop, também, e agora sabemos que o vestido é realmente azul e laranja.

O ponto é que o seu cérebro tenta interpolar uma espécie de contexto para a cor da imagem, e depois cospe uma reposta para a cor do vestido. Mesmo Neitz, com sua estranha observação branca e dourada, admite que o vestido é provavelmente azul. “Eu, na verdade, imprimi a foto”, diz ele. “Então, eu cortei um pequeno pedaço para fora e simplesmente olhei para a imagem, e completamente fora do contexto incompleto do meio, não enxerguei a cor azul escura. Meu cérebro atribuiu o azul para o iluminante. Outras pessoas atribuem isso ao vestido.”

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A equipe de análise de imagem da WIRED – conduzida brevemente em existenciais espasmos de desespero por terem enxergado um vestido branco e dourado – eventualmente moveram-se a explicação contextual, de cor-constância. Inicialmente, pensei que era branco e dourado,” diz Neil Harris, editor sênior da foto.

“Quando eu tentei balancear a imagem para o branco, isso acabou não fazendo muito sentido.” Ele viu azul nos realces, dizendo-lhe que o branco que estava vendo era o azul, e o dourado era o preto. E quando Haris inverteu o processo, balanceando para o pixel mais escuro na imagem, o vestido apareceu azul e preto. “Ficou claro que o ponto adequado na imagem é a partir do ponto preto”, diz Harris.

Então, o contexto varia de acordo com a percepção visual das pessoas. “A maioria das pessoas enxergarão azul no fundo branco como azul”, diz Conway. “Mas no fundo preto alguns podem enxergar branco.” Ele ainda especula que, talvez em tom de brincadeira, que o preconceito de ouro branco favorece a ideia de ver o vestido sob a forte luz do dia. “Eu aposto que corujas são mais propensas a enxergar azul escuro”, diz Conway.

Pelo menos todos podemos concordar em uma coisa: As pessoas que veem o vestido como branco estão totalmente, completamente erradas.

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Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Sou fundador da Universo Racionalista | Graduando em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca | Especialista em Fundamentals of Computing Network Security ( • Design and Analyze Secure Networked Systems • Basic Cryptography and Programming with Crypto API • Hacking and Patching • Secure Networked System with Firewall and IDS ) pela University of Colorado | Especialização em andamento em Cybersecurity ( • Computer Forensics • Network Security • Cybersecurity Fundamentals • Cybersecurity Risk Management • Cybersecurity Capstone ) pela Rochester Institute of Technology | Certificação em Information Security Specialist ( • InfoSec Foundation • Ethical Hacking Essentials • Computer Forensics Foundation ) pela ITCERTS | Certificação em Information Security Analyst ( • Information Security Policy Foundation • Vulnerability Management Foundation ) pela ITCERTS | Cursei integralmente as disciplinas teóricas em Licenciatura em Filosofia pela Universidade de Franca, mas não realizei o estágio supervisionado para a obtenção do diploma de Ensino Superior | Especialista em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University | Colaborador do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade | Colunista da Climatologia Geográfica | Membro da Rede Brasileira de Astrobiologia | Abaixo, segue o endereço do currículo na plataforma Lattes e LinkedIn.