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Antigo vírus ‘zumbi’ revivido após quase 50.000 anos ainda é infeccioso

Traduzido por Julio Batista
Original de Chris Panella e Morgan McFall-Johnsen para o Business Insider

De um enredo de filme de terror para a vida real: cientistas reviveram antigos vírus ‘zumbis’ do pergelissolo e descobriram que eles ainda podem infectar amebas unicelulares vivas.

As chances desses vírus infectarem animais ou humanos não são claras, mas os pesquisadores dizem que os vírus do pergelissolo devem ser considerados uma ameaça à saúde pública.

O pergelissolo é uma camada de solo que permanece completamente congelada o ano todo – pelo menos costumava ficar, antes que as atividades humanas começassem a elevar as temperaturas globais. Abrange 15 por cento da terra no Hemisfério Norte.

Por causa das mudanças climáticas, porém, o pegelissolo está descongelando rapidamente, desenterrando uma série de relíquias antigas, de vírus e bactérias a mamutes-lanudos e um urso-das-cavernas impecavelmente preservado.

De acordo com a CNN, o professor francês Jean-Michel Claverie encontrou cepas do vírus congelado de 48.000 anos em alguns locais de pergelissolo na Sibéria. A cepa mais antiga, que data de 48.500 anos, veio de uma amostra de solo de um lago subterrâneo, enquanto as amostras mais novas tinham 27.000 anos.

Uma das amostras jovens foi descoberta na carcaça de um mamute-lanudo.

A erosão, causada pelo degelo do pergelissolo e pelo desaparecimento do gelo marinho que formava uma barreira protetora, ameaça as casas da aldeia esquimó yupik de Quinhagak, no Alasca. (Créditos: Mark Ralston/AFP/Getty Images)

Alguns cientistas temem que, à medida que as mudanças climáticas aquecem o Ártico, o degelo do pergelissolo possa liberar vírus antigos que não estiveram em contato com os seres vivos por milhares de anos. Como tal, plantas, animais e humanos podem não ter imunidade a eles.

“Você deve se lembrar que nossa defesa imunológica foi desenvolvida em contato próximo com o ambiente microbiológico”, disse Birgitta Evengård, professora emérita do Departamento de Microbiologia Clínica da Universidade de Umea, na Suécia, à CNN.

“Se houver um vírus escondido no pergelissolo com o qual não temos contato há milhares de anos, pode ser que nossa defesa imunológica não seja suficiente”, acrescentou.

“O correto é compreender a situação e ser proativo e não apenas reativo. E o jeito de combater o medo é ter conhecimento.”

Como os vírus ‘zumbis’ podem infectar os hospedeiros assim que surgem

Esta não é a primeira vez que Claverie revive vírus antigos, ou “vírus zumbis”, como ele os chama. Ele publica pesquisas sobre esse assunto desde 2014 e disse que, além de seu trabalho, poucos pesquisadores estão levando esses vírus a sério.

“Isso sugere erroneamente que tais ocorrências são raras e que os ‘vírus zumbis’ não são uma ameaça à saúde pública”, relataram Claverie e seus colegas em seu último paper publicado em 18 de fevereiro na revista Viruses.

Nesse estudo, Claverie e sua equipe foram capazes de reviver várias novas cepas de vírus zumbis e descobriram que cada uma ainda pode infectar amebas cultivadas – um feito, disse Claverie, que deve ser considerado tanto uma curiosidade científica quanto uma ameaça à saúde pública.

Um homem caminha por um túnel formado por cristais de pergelissolo nos arredores da vila de Tomtor. (Créditos: Maxim Shemetov/REUTERS)

“Vemos esses vírus que infectam amebas como ‘a ponta do iceberg’ de todos os outros vírus possíveis que possam estar no pergelissolo”, disse ele à CNN. “Vemos vestígios de muitos, muitos outros vírus. Portanto, sabemos que eles estão lá. Não sabemos ao certo se eles ainda estão vivos. Mas nosso raciocínio é que, se os vírus da ameba ainda estão vivos, não há razão pela qual os outros vírus não estarão ainda vivos, e capazes de infectar seus próprios hospedeiros.”

A pesquisa atual sobre vírus congelados como o vírus zumbi de Claverie está ajudando os cientistas a entender mais sobre como esses vírus antigos funcionam e se eles podem ou não infectar animais ou humanos.

Bactérias antigas como o antraz podem já estar descongelando de volta à vida

Não são apenas vírus. Bactérias antigas também podem ser liberadas e reativadas depois de até dois milhões de anos com o degelo do pergelissolo.

Foi o que aconteceu, acreditam os cientistas, quando surtos da infecção bacteriana do antraz apareceram em humanos e renas na Sibéria em 2016.

Isso pode ser uma “preocupação de saúde pública mais imediata”, de acordo com o paper de Calverie.

Julio Batista

Julio Batista

Sou Julio Batista, de Praia Grande, São Paulo, nascido em Santos. Professor de História no Ensino Fundamental II. Auxiliar na tradução de artigos científicos para o português brasileiro e colaboro com a divulgação do site e da página no Facebook. Sou formado em História pela Universidade Católica de Santos e em roteiro especializado em Cinema, TV e WebTV e videoclipes pela TecnoPonta. Autodidata e livre pensador, amante das ciências, da filosofia e das artes.