Antigos ‘maravilhosos seres estranhos’ podem ser o que restou da Explosão Cambriana

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Impressão artística de Mieridduryn bonniae. (Créditos: Franz Anthony)

Traduzido por Julio Batista
Original de Tessa Koumoundouros para o ScienceAlert

Pesquisadores desenterraram dois fósseis pertencentes a parentes de artrópodes antigos com corpos de abano e focinhos onde hoje é um campo de ovelhas perto de Llandrindod Wells, no País de Gales.

Com apenas 13 e 3 milímetros, esses minúsculos fósseis do período Ordoviciano podem não parecer muito atraentes, mas sua familiaridade manteve os paleontólogos acordados à noite.

Os fósseis parecem opabiniídeos – animais extintos de corpo mole com focinhos – mas foram datados de 40 milhões de anos depois de qualquer fóssil conhecido de opabiniídeo.

“Mesmo as ovelhas sabem que estamos vendo algo especial aqui, elas geralmente vêm assistir”, disse a paleontóloga do Museu Nacional do País de Gales, Lucy Muir.

Dinocaridídeos, que inclui opabiniídeos e radiodontes, eram abundantes após a Explosão Cambriana; essas criaturas nadaram por uma Terra dominada pelo oceano há cerca de 500 milhões de anos.

Eles se pareciam um pouco com trilobitas, mas todos tinham uma ‘saia’ de nadadeiras em volta de seus corpos; alguns tinham hastes e outros estranhos apêndices na cabeça. Os opabiniídeos ganharam o título de “maravilhas estranhas” com suas aparências bizarras e sobrenaturais graças a cinco olhos e um bizarro tronco com garras.

Acredita-se que os dinocaridídeos descendam do mesmo grupo ‘pai’ de animais compartilhado para os deuterópodes, artrópodes antigos que deram origem a classificações que incluiriam aranhas, insetos e crustáceos.

Embora as novas descobertas compartilhem várias características com os opabiniídeos, elas também apresentam algumas diferenças marcantes.

O paleontólogo da Universidade de Cambridge, Stephen Pates, e seus colegas nomearam o maior dos animais recém-descritos como Mieridduryn bonniae, mas ainda não classificaram o menor, pois não têm certeza se é uma espécie diferente ou uma forma mais jovem do outro.

“O tamanho do espécime menor é comparável a algumas larvas de artrópodes modernos – tivemos que levar em conta essa possibilidade em nossas análises”, explicou a filogenética da Universidade de Harvard Joanna Wolfe.

O menor espécime compartilhava uma cauda em forma de leque com lâminas semelhantes aos opabiniideos, e todos tinham ‘pernas’ semelhantes, mas os novos achados também tinham focinhos – que mais parecem trombas – com características vistas em radiodontes.

A análise genética descobriu que, com as informações atuais, M. bonniae e o outro espécime poderiam estar mais relacionados a qualquer um dos grupos. Se fizerem parte dos opabiniídeos, esses fósseis estendem a existência conhecida desse grupo na Terra em 40 milhões de anos.

No entanto, “a posição mais bem evidenciada para nossos espécimes galeses, considerados como uma ou duas espécies, estava mais intimamente relacionada aos artrópodes modernos do que aos opabinídeos”, disse Pates.

Nesse caso, o focinho pode ter resultado de uma fusão entre os dois primeiros membros da cabeça que foram reduzidos em animais aparentados posteriores para eventualmente se tornarem peças bocais de insetos, enquanto os radiodontes encontraram um uso diferente para esses membros, mantendo-os separados.

O destino dos dois primeiros apêndices da cabeça é de particular interesse porque eles forneceram a essas formas de vida submersa a capacidade de ocupar diversos papéis diferentes na Terra, desde a alimentação por filtração até a superpredação. Assim, os pesquisadores creditam a eles o sucesso inigualável dos artrópodes na Terra.

Qualquer um dos cenários ajudaria a esclarecer a evolução dos artrópodes, que atualmente representam mais de 85% de todas as espécies animais conhecidas em nosso planeta. Mas precisaremos descobrir mais ‘maravilhas estranhas’ para esclarecer esse misterioso ramo da árvore da vida.

Esta pesquisa foi publicada na Nature Communications.