Chegou a hora dos biólogos abraçarem o Preprint

0
1172

Preprints são artigos científicos que ainda não foram publicados em periódicos no sistema de peer-reviewd.

Segue tradução do artigo original “Biologists urged to hug a preprint” publicado na revista Nature news em 16 de fevereiro de 2016 News.

____________________________________________________________________

Os físicos publicam Preprints; e cientistas da computação, matemáticos e economistas também o fazem . Nesta semana, um fórum de pesquisadores biomédicos e editores pergunta o quanto vai demorar  para convencer os Biólogos a fazê-lo: também lançar o seu trabalho on-line antes de revisão por pares em publicações de revistas formais.

O estímulo para o encontro, chamado “O mais rápido possível bio” (asapbio.org), é a “crescente frustração de alguns pesquisadores pelo ritmo lento da publicação em revistas de biologia” diz Ron Vale, da Universidade da California e co-organizador do evento.

O atraso pode levar anos, e Isso pode afetar seriamente a carreiras dos cientistas, porque eles não recebem o reconhecimento pelo seu trabalho até que seja publicado.

A solução,segundo os organizadores da ASAPbio, seria os biólogos abraçarem o preprint: Escritos de pré-publicação postados online.

Os preprints aceleram a difusão, proporcionam aos estudantes e pós-doutorandos, formas tangíveis citar suas contribuições para a literatura científica, e estimulam a discussão e idéias. Dizem eles – “aceleram e melhoram a investigação da biologia”.

Há sinais de que alguns biólogos estão prontos para seguir o exemplo de seus colegas da Física, onde agora é rotina: Enviar seus escritos para o servidor arXiv  antes da publicação.

Um servidor de preprint exclusivo da biologia chamado bioRxiv começou em 2013 e está crescendo rapidamente em popularidade especialmente em campos de dados intensivos, como a biologia computacional e genômica. O arXiv, por exemplo, o primeiro ambiente de preprint do mundo  já existe há 25 anos.

A biologia hoje tem  mais de 3.100preprintspostados,maspreprintssão ainda umterreno desconhecidopara os biólogos, dizVale.

Leslie Vosshall, uma neuro-bióloga da Universidade Rockefeller, em Nova York,diz que, se esses sites estão para se tornar popularnas ciências da vida os pesquisadores terão que superaras suas  preocupações comuns,como por exemplo, que preprints poderiam levar cientistas que estão sendo espreitados por concorrentes a perder crédito por idéias.

Vale e Vosshall dizem que tais preocupações são infundadas. “Eu acho que a maioria dos biólogos não conhecem sobre preprints, ou quando conhecem, é porque eles somente ouviram falar em um nível muito superficial. É  certo que eles realmente não entendo muito bem”, diz Vale.

“Não há dúvida de que preprints estão acontecendo”, diz Harold Varmus, um biólogo do Weill Cornell Medical College e também co-organizador do ASAPbio, realizada em 16-17 de fevereiro de 2016, no Instituto Médico Howard Hughes, em Chevy Chase, Maryland. “Mas eu não acho que já havíamos conversado entre todos nós sobre quais efeitos virão”

Ambos Vale e Vosshall pensam que o preprint vai se tornar amplamente aceito somente se a comunidade da biologia desenvolver um consenso de que a publicação preprint é uma prioridade para qualquer descoberta.

Vale também tem a tarefa de considerar entre os  participantes da reunião que agências de financiamento e comitês acadêmicos deveriam  checar preprints ao decidir quem deve ser financiado e contratado

Outra preocupação comum  é a de que a qualidade pode afundar se os biologos inundarem os servidores de pré-publicações. Mas os defensores do preprint dizem que  os pesquisadores são mais cuidadosos quando sua reputação monta no trabalho público para que todos possam criticar.

A questão de saber se uma pré-publicação poderia prejudicar as chances de um manuscrito posteriormente aparecer em um jornal peer-reviewed também está sendo resolvida, diz Inglis. Desde que o bioRxiv foi lançado, vários editores de revistas mudaram suas políticas para permitir expressamente a publicação artigos anteriormente publicados em servidores de preprint.

Alguns cientistas gostariam de ver mais mudanças radicais. Muitos postam novos conjuntos de dados e hipóteses de imediato e livremente disponível online em repositórios, como GitHub, figshare e Zenodo, com a esperança da revisão por pares por crowdsourced do seu trabalho. “Essa é a minha fantasia utópica. Seria incrível viver em um mundo com todos os dados radicalmente livres “, diz Jessica Polka, um pós-doutoranda de Harvard Medical School, e co-organizadora da convenção. Ela diz que preprints são “o mais prático de todas os fatores de transformação que poderiam ser implementados”.

Todos os preprints de Vosshall também têm sido publicados em revistas convencionais “através do processo dolorosamente lento de revisão por pares”, observa ela. “A maioria deles não se parece diferente, o que nos leva à pergunta: Por que ainda precisamos de revistas?”.

 

CONTINUAR LENDO