Cientistas descobrem como o açúcar influencia no desenvolvimento do câncer

Créditos: Mali Maeder.

Por Carlos Zahumenszky
Publicado no Gizmodo

Há décadas, sabemos que as células cancerígenas metabolizam o açúcar de forma diferente das células saudáveis. A questão é que não sabíamos qual era o mecanismo exato. Uma equipe de pesquisadores da Bélgica passou nove anos trabalhando para desvendar seus mistérios e, finalmente, conseguiu.

A descoberta original que mostrou que as células cancerígenas metabolizam o açúcar de maneira diferente foi feita pelo fisiólogo alemão e ganhador do prêmio Nobel Otto Heinrich Warburg. Desde então, tem sido conhecido como o Efeito Warburg e descobrir como isso funciona era uma tarefa crucial na pesquisa contra o câncer.

As células doentes têm uma taxa de consumo de glicose 200 vezes superior à das células saudáveis. A diferença é tão brutal que, na época, Otto Warburg pensou que o açúcar era a causa fundamental do câncer.

Hoje, sabemos que não é bem assim, e que não é possível curar o câncer simplesmente deixando de ingerir açúcar, mas o estudo de hoje demonstra que esse adoçante estimula rapidamente o desenvolvimento de células cancerígenas. O problema é que as células normais também precisam consumir glicose para sobreviver e não há uma maneira de privar algumas delas de alimento, sem afetar também as outras. Por isso, foi tão importante descobrir como funcionava exatamente o mecanismo metabólico que caracteriza as células cancerígenas.

O que a equipe da Universidade de Lovaina descobriu é que as células de levedura mutadas (que retém o mesmo mecanismo metabólico para degradar a glicose) a convertem em uma substância intermediária chamada frutose-1,6-biofosfato. O avanço não é definitivo, mas abre a porta para novas linhas de pesquisa que podem encontrar uma maneira de bloquear o fluxo de glicose que atinge as células cancerígenas. Se tiverem sucesso, poderíamos enfrentar uma nova terapia que mataria os tumores da fome sem os efeitos colaterais de outras terapias convencionais.

Referências

  • Peeters, Ken, et al. “Fructose-1, 6-bisphosphate couples glycolytic flux to activation of Ras.” Nature Communications8.1 (2017): 922.
CONTINUAR LENDO