Cientistas descobrem evidências do que pode ser a primeira extinção em massa de animais da Terra

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(Créditos: Aaron Foster/Getty Images)

Traduzido por Julio Batista
Original de Tessa Koumoundouros para o ScienceAlert

Desde a explosão cambriana há 538,8 milhões de anos – uma época em que muitos dos filos animais que conhecemos hoje foram estabelecidos – cinco grandes eventos de extinção em massa reduziram a biodiversidade de todas as criaturas grandes e pequenas.

Pesquisadores dos EUA descobriram evidências de uma ocorrência anterior, cerca de 550 milhões de anos atrás, durante um período conhecido como Ediacarano.

Embora os oceanos estivessem repletos de alguns animais familiares, como esponjas e águas-vivas, a maior parte da vida durante esse período inicial da história biológica pareceria estranha para nós agora. Muitos dos animais eram de corpo mole. Alguns pareciam mais folhas de plantas presas no chão. Outros tinham alguma forma de concha.

O paleobiólogo da Virginia Tech (EUA) Scott Evans e seus colegas compilaram dados sobre fósseis raros dos tipos de animais de corpo mole de todo o mundo datados do Ediacarano. Eles descobriram que mudanças repentinas na biodiversidade que haviam sido detectadas anteriormente não eram meros vieses de amostragem.

Diorama do Instituto Smithsonian da vida marinha ediacarana. (Créditos: Ryan Somma/Wikipedia/CC BY-SA 2.0)

Como as partes mais moles do corpo geralmente não se fossilizam tão facilmente quanto pedaços anatômicos mais duros e mineralizados, os pesquisadores normalmente suspeitam que uma relativa ausência de animais de corpo mole nos estágios posteriores do Ediacarano seja simplesmente o resultado de uma falha na preservação.

Mas o registro fóssil global indica o contrário.

A equipe descobriu que houve um aumento geral na biodiversidade entre os estágios inicial e intermediário do Ediacarano, conhecido como Avalon (575 a 560 milhões de anos atrás) e os estágios do Mar Branco (560 a 550 milhões de anos atrás).

“Encontramos diferenças significativas no modo de alimentação, hábito de vida, nível ecológico e tamanho máximo do corpo entre as amostras de Avalon e do Mar Branco”, escreveu a equipe em seu paper.

Entre esses dois períodos de tempo, apareceram mais animais móveis menores que se alimentaram dos tapetes microbianos que dominavam o fundo do mar. Anteriormente, muitos dos animais se alimentavam por filtração e estavam presos no solo (sésseis).

Os modos de alimentação não mudaram dessa forma entre o Mar Branco e o último estágio, conhecido como Nama (550 a 539 milhões de anos atrás). Em vez disso, impressionantes 80% das espécies pareciam desaparecer entre esses dois estágios do Ediacarano.

Pesquisas anteriores sugeriram que esse declínio pode ter sido o resultado de animais móveis que desapareceram ou deixaram vestígios fósseis, animais estes que alteraram profundamente o meio ambiente e substituíram lentamente os filtradores sésseis. Esta nova evidência sugere que não foi o caso.

Todos os tipos de modos de alimentação e hábitos de vida sofreram declínios semelhantes, com apenas 14 gêneros ainda vistos no Nama dos 70 grupos conhecidos do estágio anterior do Mar Branco. Se mais espécies recém-evoluídas tivessem assumido o controle, também haveria sobreposição temporal entre as espécies novas e antigas. Isso não foi observado, argumentou a equipe, descartando a substituição biótica.

“O declínio na diversidade entre esses conjuntos é indicativo de um evento de extinção, com a porcentagem de gêneros perdidos comparável à experimentada por invertebrados marinhos durante as ‘Grande 5’ extinções em massa”, escreveram Evans e colegas.

Muitos dos animais do Mar Branco que sobreviveram ao evento de extinção e permaneceram no período Nama eram organismos grandes, semelhantes a folhas, com uma alta proporção de área de superfície em comparação ao volume. Isso pode ser um sinal de que esses animais estavam se adaptando para lidar com uma redução no oxigênio oceânico.

“Ao maximizar as proporções relativas de células em contato direto com a água do mar, os táxons de alta área de superfície teriam sido comparativamente mais bem adaptados para sobreviver em ambientes com pouco oxigênio”, explicou a equipe.

Há também evidências geoquímicas recentes para apoiar essa ideia, com um estudo de 2018 encontrando sinais de extensa anóxia oceânica que cobria mais de 20% do fundo do mar no final do Ediacarano.

“Assim, nossos dados suportam uma ligação entre a renovação biótica ediacarana e as mudanças ambientais, semelhante a outras grandes extinções em massa no registro geológico”, concluiu a equipe.

Tornou-se uma história muito familiar.

Esta pesquisa foi publicada na PNAS.