Como a caça de animais de grande porte influencia no armazenamento de carbono

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Florestas tropicais armazenam 55% do estoque de carbono florestal mundial. Um exemplo enorme de floresta tropical é a Floresta Amazônica, que compreende a cerca de 50% do território brasileiro e ainda tem sua flora quase que completamente desconhecida.  Pesquisadores brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade de Oregon e da Universidade de East Anglia mostraram que a caça predatória de animais frugívoros (que se alimentam de frutos) de grande porte influencia diretamente no estoque de carbono das florestas.

Em todo o mundo, as florestas tropicais alojam cerca de 460 bilhões de toneladas de carbono. A manutenção dessas florestas resulta na queda de 20% das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Afora isso, essas mesmas florestas são as mais ricas em espécies de ecossistemas.

A redução ou extinção de espécies frugívoras nestas florestas, sobretudo na Floresta Amazônica, resulta na redução drástica do armazenamento de carbono pelas árvores. O processo é simples: animais como antas e macacos se alimentam de frutos de sementes grandes. Quando um animal desse come um fruto de semente grande, espalha a semente para outros locais da floresta. Sementes grandes geram árvores grandes, que estocam mais carbono. Sem a dispersão dessas sementes, as árvores de grande porte são substituídas por plantas menores e de madeira leve cujas sementes são dispersadas pelo ar ou por animais menores.

166 áreas da Floresta Amazônica foram analisadas durante o estudo. Áreas que eram lares de macacos aranha, por exemplo, estocavam mais carbono do que as áreas em que estes mesmos animais foram retirados a força através da caça.

A caça predatória, segundo os resultados, foi responsável pela perda de até 88% da biomassa destas áreas, alcançando a queda de 37,8% da estocagem de carbono.

“A retenção de carbono na forma de biomassa é um dos principais serviços ecossistêmicos das florestas”, ressaltou o professor Carlos Peres, da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, líder da pesquisa.

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