Filosofia e cosmologia, em minha opinião, caminham juntas. De fato, nasceram juntas. As primeiras tentativas de oferecer uma imagem racional do Universo começaram com os filósofos pré-socráticos na Jônia, aproximadamente 500 anos antes de Cristo. Anaximandro provavelmente foi o primeiro filósofo da natureza e também o primeiro cosmólogo.
A cosmologia como disciplina nasceu com Anaximandro. Posteriormente, desenvolveu-se toda uma tradição grega em cosmologia, onde as pessoas que faziam cosmologia eram as mesmas que faziam filosofia. Existe, portanto, uma tradição segundo a qual os cosmólogos sempre se preocuparam com questões filosóficas. Newton e Galileu se preocuparam com questões filosóficas. Einstein, obviamente, também se preocupou com questões filosóficas.
Atualmente, a cosmologia entrou em uma área de enorme especialização e complexidade técnica. Por essa razão, acredito que a filosofia ainda pode fazer contribuições importantes. Alguns cosmólogos tendem a afirmar que a filosofia morreu, que se trata de uma especulação vazia que não está ajudando os cosmólogos. Entretanto, discordo dessa visão. Creio que isso poderia ser dito de certo tipo de filosofia, mas assim como existe uma filosofia delirante, repleta de imprecisão, também existe, por outro lado, uma filosofia exata, uma filosofia que pode contribuir para o melhor entendimento das teorias físicas.
Existem inúmeras questões relacionadas à cosmologia que requerem a atenção do filósofo. Questões como: o que são, em última instância, o espaço e o tempo? Quais são as unidades básicas das quais a realidade é formada? São eventos, coisas ou processos? Questões relacionadas à natureza das próprias leis da física. A cosmologia utiliza as leis da física para construir uma imagem do mundo, mas nada nos diz de onde vêm essas leis da física ou o que são as leis da física. Por outro lado, a filosofia também pode fornecer ferramentas muito úteis na hora de avaliar teorias científicas. Atualmente, existe grande controvérsia na área da cosmologia relacionada à tentativa de introduzir formas de fazer ciência provenientes da Teoria das Cordas. Essa forma de fazer ciência tende (seus representantes tendem) a querer que a ciência seja avaliada por critérios mais estéticos, mais baseados em consenso de uma comunidade, do que por contrastação com a experiência.
A cosmologia entrou em uma etapa de precisão. Contrasta com dados de altíssima precisão obtidos por satélites e telescópios terrestres. Alguns cosmólogos veem com preocupação a tentativa de rebaixar os padrões de qualidade das diferentes teorias e modelos cosmológicos aos níveis da Teoria das Cordas. Nessa abordagem, um aspecto ou modelo se impõe ou não em uma comunidade dependendo basicamente de critérios puramente subjetivos, estéticos ou de consenso nessa comunidade.
Recentemente, houve uma conferência organizada por dois dos cosmólogos mais importantes da atualidade: George Ellis e Joseph Silk, precisamente para discutir a integridade da avaliação de teorias na cosmologia. O que preocupava esses dois cosmólogos era a introdução, na cosmologia, de formas de avaliar teorias bastante comuns na área da Teoria das Cordas. Por essa razão, organizaram uma reunião multidisciplinar entre cosmólogos, físicos de partículas e filósofos para tentar chegar a conclusões sobre questões fundamentais: O que é uma teoria? Qual é a diferença entre uma teoria e um modelo? Como as teorias e os modelos são contrastados? Quais são os critérios objetivos de verdade na cosmologia? Acredito que essa é uma tarefa essencialmente filosófica. Aqui temos um exemplo concreto de como a colaboração entre cientistas e filósofos pode levar a uma ciência melhor. Não tenho a menor dúvida de que é necessário entender melhor a ciência que estamos praticando. Isso requer conhecimento da semântica de nossas teorias, o que, por sua vez, está diretamente relacionado à filosofia. Dominar completamente a linguagem que utilizamos para descrever a realidade e entender os pressupostos básicos que estamos fazendo sobre o mundo são questões essencialmente filosóficas.
Então, em minha opinião, a filosofia tem muito a oferecer à ciência e, em particular, à cosmologia. Por sua vez, a ciência, com seus métodos rigorosos e linguagens exatas, tem muito a enriquecer a filosofia. A filosofia que é útil para a ciência é aquela cientificamente informada. Enquanto isso, a ciência que é útil para a filosofia é aquela separada do disparate e que permanece sempre fiel à contrastação empírica, à falseação e à imagem do mundo proveniente dos experimentos que realizamos para tentar sondar as manifestações do real.
O artigo foi publicado originalmente por Gustavo Esteban Romero no Filosofía Científica.


