Criatura estranha capturada perto de local onde foram avistados OVNIs

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Vários cientistas supuseram a origem da criatura, desde viagem interdimensional até vinda de outro planeta

Uma criatura de 10 metros foi capturada perto em um pequeno vilarejo no interior de Minas Gerais, onde foram avistados vários OVNIs. Cientistas descreveram em um artigo publicado em uma revista científica a história dessa criatura que vinha atormentando os moradores da região há vários meses, pois estava destruindo plantações e exterminando os animais domésticos; segundo eles, a captura foi um alívio, mas, de acordo com criptozoólogos, ainda há a suspeita de que outros animais semelhantes ainda permeiem por lá. Ufólogos também acreditam que a relação com os OVNIs esteja relacionada à natureza alienígena da criatura.

Essa é uma história bastante aterrorizante, se não fosse uma PSEUDOCIÊNCIA. Sim, tudo o que eu falei foi inventado e eu aposto que muitas pessoas irão compartilhar essa notícia sem ao menos ler o texto, julgando-se pelo título ou, se fosse realmente mais uma farsa daquelas que se disseminam explosivamente pela internet, se recusariam a submeter o assunto ao escrutínio cético.

É mais um exemplo clássico de como a pseudociência engana apenas por ser mais mágica e interessante do que a triste verdade. Digo… o que seria mais interessante: uma criatura de 10 metros desconhecida pela ciência ou uma óbvia montagem de fotos, alienígenas construindo gigantes e magníficas pirâmides ou humanos “primitivos” construindo a mesma coisa, uma água pode curar você porque em algum momento conteve remédios ou um remédio “bobo” encontrado em qualquer farmácia, extraterrestres que fazem círculos em nossas plantações ou homens que adoram enganar pessoas fazendo-os, várias criaturas místicas se comunicando com você através de barulhos ou apenas uma falha no encanamento e madeira velha se encolhendo e produzindo rangidos, câmaras fotossintetizantes de fragmentos subatômicos cogentes para a evolução desproporcional dos vivos e não vivos abalizados em fundamentos termodinâmicos e hidrostáticos ou saber que nada do que eu falei fez algum sentido, mover objetos à longa distância por meio de um superpoder que qualquer humano pode possuir ou saber que isso simplesmente é algum simples truque? O cérebro do homem é falho, ele sucumbe à ilusão e ao agradável e recusa, muitas vezes, a realidade.

Como a jornalista Esther Inglis-Arkell disse em um artigo que foi traduzido e postado aqui no site, “a pseudociência é como um pequeno filhote. Ela é engraçada, fofa e, na maioria das vezes, inofensiva”. Certamente, eu não ligo para aquelas que não alteram em nada na sociedade e nem fazem a verdadeira ciência perder a sua credibilidade. Sinceramente, acho até que, como Carl Sagan relata, em O Mundo Assombrado Pelos Demônios cap. 17, algumas alegações pseudocientíficas mereçam estudo sério, tal como no campo da percepção extrassensorial, talvez, em alguma vez perdida, ela possa estar correta. Eis as exatas palavras do escritor:

Talvez em 1% das vezes, alguém que aparece com uma ideia que tem o cheiro, a sensação e uma aparência indistinguível da produção habitual da pseudociência provará estar com a razão. Talvez algum réptil desconhecido que restou do período cretáceo seja realmente encontrado no lago Ness ou na República do Congo; ou encontraremos artefatos de uma espécie não humana avançada em outra parte do sistema solar. No momento em que escrevo, acho que três alegações no campo da percepção extrassensorial (ESP) merecem estudo sério: (1) que os seres humanos conseguem (mal) influir nos geradores de números aleatórios em computadores usando apenas o pensamento; (2) que as pessoas sob privação sensorial branda conseguem receber pensamentos ou imagens que foram nelas “projetados”; e (3) que as crianças pequenas às vezes relatam detalhes de uma vida anterior que se revelam precisos ao serem verificados, e que não poderiam ser conhecidos exceto pela reencarnação. Não apresento essas afirmações por achar provável que sejam válidas (não acho), mas como exemplos de afirmações que poderiam ser verdade. Elas têm, pelo menos, um fundamento experimental, embora ainda dúbio. Claro, eu posso estar errado.

Porém, o apoio para por aí. Muitas vezes, a pseudociência cresce, se tornando grande, agressiva, esmagadora e disseminadora de informações enganosas, logo, nefasta, e, como eu já tinha dito, por ser mais interessante, ela acaba adquirindo vários adeptos, que principalmente são apenas céticos ao que lhes agrada ser cético. Por exemplo, admitem um ceticismo incoerente em relação às evidências científicas – muitas vezes relatando que ela se “resume apenas aos cinco sentidos, ignorando os outros existentes” ou dizendo que ela não é imparcial e sim tendenciosa, manipulando evidências, ou simplesmente conspirando e alegando que algumas descobertas não são divulgadas porque iriam afetar a circulação de dinheiro, entre outras coisas – mas aceitam a pseudociência de forma dogmática e acrítica.

Além do fato citado anteriormente, algumas pessoas também não conseguem usar o ceticismo até mesmo dentro da ciência, apenas para sustentar a sua posição, como por exemplo recusar os malefícios de certo produto para dar mais base aos benefícios, ou recusar os benefícios do mesmo produto para dar mais base aos malefícios. Esse erro é frequentemente cometido nas pseudociências relacionadas aos tratamentos de doenças – sugando uma enorme quantia dinheiro do bolso das pessoas. Elas ignoram os seus erros e as suas falhas no tratamento, aproveitando-se da falibilidade da ciência, e passando uma falsa imagem de que é mais precisa e eficiente e infalível.

É preocupante a quantidade de pessoas que apoiam tratamentos placebo como a cura quântica, a cura em hospitais espíritas, a homeopatia, etc. Não seria tão grave se isso não tirasse o dinheiro das pessoas e não provocasse a morte de muitas. Ou se alguém não abandonasse o seu tratamento em hospitais devidamente apoiados na ciência para sucumbir às farsas. Recentemente, em 1998, um artigo não submetido à análise rigorosa científica que alegava que a vacina MMR causaria autismo foi publicado de forma negligente em uma revista científica e provocou um alarde mundial, fazendo com que vários pais deixassem de vacinar os seus filhos com medo das supostas consequências da vacina, mas sem medo das consequências de não vaciná-los. Algumas pseudociências podem ter consequências horripilantes e devem (sim) ser combatidas fortemente.

Além da análise pelo método científico (o mais aceitável até agora) para separar ciência de pseudociência, o que me resta recomendar ao leitor é o ceticismo, mas o ceticismo coerente, o ceticismo científico. A ciência NÃO POSSUI o monopólio da verdade, muito menos a pseudociência. Apesar das duas terem o objetivo de buscar o conhecimento, a primeira é mais eficiente nisso, pois é a que mais se aproxima da realidade, pelo caráter realista, materialista, empírico e racionalista e, para retificar as suas ideias, sistemático. Não analise as coisas com base em suas características interessantes e bonitinhas ou feias e horripilantes, analise com base nas evidências. Não importa se a verdade é interessante e bonitinha ou feia e horripilante, ela continuará sendo a verdade e cabe a você, por meio do ceticismo científico, “afastar os sedimentos e a areia para chegar à pedra ou ao barro que está embaixo” (Descartes). E lembre-se sempre de duas coisas:

1) Uma verdade científica é um paradigma. Ela não vai ser verdade para sempre.

2) “A intuição, não testada e não comprovada, é uma garantia insuficiente da verdade” (Bertrand Russel)

NOTA: Se o artigo foi lido até aqui, o título, a imagem e o primeiro parágrafo deverão ser desconsiderados. 


A história da imagem descrita no texto foi inventada por mim. A verdadeira história fala sobre uma criatura em decomposição encontrada na Venezuela e que foi associada a um chupacabras. Tudo sobre essa história e muitas outras semelhantes já foram desmentidas pelo grupo do E-farsas.


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Josikwylkson Costa Brito
Olá, meu nome é Josikwylkson Costa Brito (não, meu pai não deu uma cabeçada no teclado), mais conhecido como o Príncipe do Cosmos Nordestino, e nasci na cidade de Campina Grande, na Paraíba, onde moro atualmente. Tenho 18 anos atualmente, estou no segundo ano do curso de medicina e publico textos de cunho científico ou filosófico para o presente site, porém, em virtude dos estudos, não estou a fazê-lo com muita frequência. De todas as minhas publicações, gosto de publicar no âmbito de minha área (saúde), mas também arrisco em postar textos que contradigam o senso comum e que criticam as pseudociências, o que me faz ser esquartejado por muitos irracionalistas (que, inclusive, andam vagando por essa página). As críticas que mais recebo desses senhores são as de que não tenho autoridade o suficiente para falar de determinado assunto (mesmo que eu poste artigos científicos advindos de sites e/ou universidades de confiança). Então, em razão dos 'amigáveis' seguidores que se travestem de conhecedores de argumentação lógica e que rejeitam qualquer postagem minha por tal status, por favor, finjam que eu sou uma pessoa com 40 anos doutor em filosofia, cosmologia, biologia e medicina.