Dia do Patologista: sociedade fala sobre acesso a diagnóstico de qualidade

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Imagem: Divulgação/SBP

Comemorado no Brasil em 5 de agosto, o Dia do Patologista homenageia esse profissional ainda pouco conhecido pela população, mas de grande importância para o exercício da medicina. Conhecido como o profissional do diagnóstico, sua especialidade tem como principais atribuições o diagnóstico do câncer e o estadiamento dos tumores, além de ter papel protagonista no tratamento de doenças inflamatórias e infecciosas e atuar diretamente no processo de transplante de órgãos, decidindo se um órgão é adequado ou não e avaliando a reação do corpo.

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) Luciana Salomé, essas atribuições tornam o patologista peça fundamental para o exercício da medicina, sendo vital para o diagnóstico de muitas doenças e definição da melhor conduta para o tratamento ao melhorar chances e a qualidade de vida dos pacientes.

Acesso dificultado

Segundo a médica, grande parte da população encontra dificuldade no acesso a um diagnóstico de qualidade com agilidade. Parte desse problema ocorre por conta da falta de uma carreira pública para o patologista. No modelo atual utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), esse tipo de serviço ocorre por licitações entre laboratórios, predominando a concorrência pelo menor preço.

“Por conta desse tipo de concorrência, nivelada pelo menor preço, a qualidade dos laudos é prejudicada, já que os profissionais são pressionados a aumentar seu rendimento dedicando cada vez menos tempo para cada caso. Essa realidade é perigosa, já que pode criar uma divisão entre quem pode pagar por um serviço de qualidade adequado e quem não pode”, conta.

Trabalho artesanal

Ainda de acordo com a diretora, essa ausência de carreira pública ocorre porque o Governo enquadra o serviço dos patologistas na mesma categoria que os da patologia clínica, um ramo da especialidade mais automatizado.

“Quando falamos no trabalho do patologista, estamos nos referindo a uma atuação quase artesanal. Esse trabalho humano demanda tempo e muitos anos de estudo, já que o profissional deve avaliar cada caso detalhadamente para fazer um diagnóstico correto. Não é um serviço realizado apenas com uma análise de computador, com um laudo automatizado”, explica.

Tendências

A diretora da SBP relata também que a especialidade evolui a cada ano, sobretudo por conta de novos recursos como a biologia molecular, estudo focado na estrutura e função do material genético e sua expressão nas proteínas, vitais para a construção e manutenção de todos os órgãos e tecidos.

“Esse ramo da ciência permite que o patologista melhore ainda mais o diagnóstico, o que permite uma medicina cada vez mais individualizada e, consequentemente, mais efetiva. Esse é um caminho sem volta”, diz.

Imagem: Divulgação/SBP
Imagem: Divulgação/SBP

Formação de qualidade

O Dia do Patologista também marca o aniversário da Sociedade Brasileira de Patologia, que em 2015 comemora 61 anos de existência. Além de oferecer suporte técnico-científico e representar os interesses da categoria, a entidade é fundamental na luta por uma formação continuada de qualidade, visando ao exercício cada vez melhor da patologia no Brasil.

“Essa é uma preocupação constante, principalmente nos dias de hoje, em que uma tendência crescente de mercantilização dos cursos de medicina colabora para uma formação com menos qualidade. A SBP atua diretamente nessa frente, lutando não só pela valorização do profissional, mas pelo ensino correto da Patologia nas faculdades do Brasil”, conta Luciana.

Comemoração 2.0

Neste ano, as homenagens ao Dia do Patologista contam também com uma campanha nas redes sociais da entidade, resgatando a história da SBP e da especialidade. Os seguidores da entidade terão acesso a infográficos e posts com fotos e relatos do passado da Sociedade.

“É uma data a ser lembrada ainda mais hoje, com a proximidade do 30º Congresso Brasileiro de Patologia, que reunirá em São Paulo, entre 29 de outubro e 1º de novembro, expoentes nacionais e internacionais da especialidade para discutir os paradigmas da profissão”, finaliza Luciana.

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