Divulgação científica em áudio: podcasts de ciência no Brasil

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Uma equipe de cientistas composta por produtores do podcast Dragões de Garagem analisou dados referentes aos podcasts de ciência brasileiros e encontraram um aumento no número de ouvintes e no interesse por conteúdos científicos disponíveis em podcasts. O artigo foi publicado de forma online nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.

Podcasts são arquivos de áudio gravados, editados e distribuídos pela Internet. Existem podcasts sobre diversos assuntos, variando desde puro entretenimento até temáticas profissionais. Os pesquisadores notaram que até 2014 o número de podcasts com temática científica era pequeno e existia um grande potencial para surgimento de novos programas abordando ciência com formas e equipes distintas.

“O potencial está associado ao crescimento da mídia no Brasil, à carência de projetos que tratam da divulgação científica utilizando o áudio como meio de transmissão e a grande demanda que há sobre temas científicos para este crescente público”, ressalta Marcos Dantas-Queiroz, um dos autores do estudo. “Com o aumento do acesso da Internet no Brasil, acreditamos que o número de ouvintes de podcasts de forma geral só tende a crescer, aumentando também a procura por conteúdo científico”.

Os pesquisadores analisaram os dados obtidos a partir da PodPesquisa 2014. Essa pesquisa contou com 27 questões relacionadas ao comportamento, preferências e dados demográficos dos ouvintes. Um total de 16.194 pessoas responderam ao questionário que ficou acessível por três meses e seus resultados estão disponíveis de forma livre no site podpesquisa.com.br.

“A principal motivação para a realização de uma edição da PodPesquisa, foi devolver um pouco para a Podosfera (comunidade de criadores de conteúdo e ouvintes de podcast) e compensar tudo que ela me ensinou”, ressalta Gabriel Toledano do podcast AeroCast, um dos organizadores e idealizador da PodPesquisa 2014. Outros organizadores foram Eduardo Sales do podcast Papo de Gordo, Leo Lopes do Radiofobia e Ronaldo Ferreira do Racum.

O objetivo da PodPesquisa era entender mais sobre o consumo de podcasts produzidos no Brasil. Entretanto, a disponibilização dos dados de forma livre possibilitou a realização da pesquisa pela equipe de cientistas. “É sempre bom poder fazer algo por uma comunidade que temos tanto carinho, mas não esperávamos que fosse utilizada em uma publicação científica” conclui Gabriel Toledano.

A PodPesquisa também disponibilizou os dados individuais de cada podcast. Os pesquisadores obtiveram os dados de dois dos três podcasts de ciência participantes,  Dragões de Garagem e Fronteiras da Ciência. Isso permitiu uma análise da audiência desses podcasts e comparações com a audiência geral de podcasts no Brasil.

“A divulgação científica realizada por meio de podcasts também encontra desafios. O público majoritário de ouvintes de podcasts é do sexo masculino, um dado alarmante”, segundo Luciano Queiroz, outro autor do estudo. “Acreditamos que esse viés de gênero está relacionado com o modo como os podcasts são compartilhados e indicados”, conclui. “Os dados do trabalho indicam que quase metade do público são profissionais de engenharia e tecnologia, áreas historicamente dominadas por homens. Em seus meios, os ouvintes tendem a compartilhar os podcasts pessoalmente ou em mídias sociais apenas para seus pares; essa é nossa visão que explicaria tamanho desequilíbrio”, conclui Marcos Dantas-Queiroz. Para contornar tais obstáculos, os pesquisadores afirmam que iniciativas independentes, como a criação de podcasts com equipes femininas ou episódios dedicados às mulheres na ciência podem ajudar a sanar estas dificuldades.

Hoje em dia o número de podcast de ciência cresceu. Novos podcast como Alô, Ciência?, PODEntender, Rock com Ciência, Naruhodo, Xadrez Verbal, Oxigênio e outros foram criados e se consolidaram na “Podosfera”, demonstrando que o interesse do público nesse conteúdo é verdadeiro e continua a crescer.

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