Encontrados blocos de construção da vida em disco de estrela jovem

Impressão artística de moléculas orgânicas complexas encontradas em um disco protoplanetário. Créditos: B. Saxton (NRAO/AUI/NSF).

Por Elizabeth Howell
Publicado na Scientific American

Astrônomos detectaram a presença de moléculas orgânicas complexas em um disco protoplanetário ao redor de uma estrela jovem. A descoberta reafirma que as condições que deram lugar ao nascimento da Terra e ao Sol não são únicas no Universo.

As descobertas dos “blocos de construção da vida” em uma estrela jovem mostra que as condições que criam moléculas orgânicas podem se encontrar ao longo de todo o Cosmos, dizem os cientistas.

Os astrônomos detectaram a presença de duas moléculas ao redor da estrela MWC 480, em uma região similar ao cinturão de Kuiper, no nosso Sistema Solar. Tal cinturão é uma coleção de objetos gelados – como os cometas, que se encontram, também, além da órbita de Netuno.

“Em nosso Sistema Solar, as moléculas orgânicas complexas são comuns em muitos planetas, luas, cometas e asteroides. Para esse estudo, os cometas são o ponto mais relevante da comparação. Eles preservam um registro de como era, quimicamente, o jovem Sistema Solar e devem ter uma composição química similar ao do disco de MWC 480 que é comparável quimicamente com o nosso Sistema Solar”, disse Sen Karin Öberg, autora principal da pesquisa.

“Agora temos uma melhor evidência de que essa mesma química existe em outros lugares do Universo, nas regiões que podem formar sistemas solares não muito diferentes do nosso”, disse Öberg, professora adjunta de astronomia do Centro Harvard-Smithsoniano de Astrofísica, em um comunicado.

A MWC 480 é tão jovem que o observatório que encontrou as moléculas não foi capaz de detectar um planeta ou protoplaneta lá ainda. No disco, utilizando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), os cientistas encontraram uma molécula orgânica à base de carbono chamada de cianeto de metilo, e uma versão mais simples da mesma chamada de ácido cianídrico.

A estrela se formou a partir de uma nuvem interestelar de gás e poeira, que os astrônomos sabem que são ricos em elementos orgânicos. Os cianetos são abundantes nas nuvens e são considerados interessantes devido à ligação de carbono e nitrogênio. Essas ligações formam a base de aminoácidos, de proteínas e da vida.

A descoberta de cianetos em MWC 480 foi notável porque o ambiente entorno de uma estrela jovem é muito mais hostil do que a de uma nuvem interestelar.

Devido ao ambiente de radiação em torno de uma estrela ser intensa, e as colisões serem comuns, ainda não estava claro se as ligações químicas poderiam sobreviver.

No entanto, o ALMA encontrou mais dessas moléculas nessa zona de nuvens interestelares, demonstrando que esses discos são capazes de formar essas moléculas com bastante rapidez.

Conforme os telescópios se tornem mais sensíveis, os astrônomos têm a esperança de que em algum dia possam detectar substâncias orgânicas em planetas fora de nosso Sistema Solar. Contudo, Öberg explica a Sen: “Vai ser difícil buscar moléculas complexas em sistemas avançados já que o gás que é sublimado de detritos, que é semelhante ao encontrado no cinturão de Kuiper, se encontra sem proteção no campo da radiação estelar, e, portanto, rapidamente se dissipam.”

“Nesse caso, se trata de uma só molécula em um só sistema, em um próximo estudo mais sistemático vamos explorar ao redor de que tipo de estrelas quais tipos de moléculas complexas são comuns”, completa.

Os resultados desse estudo foram publicados na revista Nature.

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