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Esse era um predador pré-histórico? A inteligência artificial revelou que não

Traduzido por Julio Batista
Original de Universidade de Queensland

A inteligência artificial revelou que as pegadas pré-históricas que se pensava serem feitas por um dinossauro predador feroz eram, na verdade, de um herbívoro tímido.

Em uma colaboração internacional , o paleontólogo Dr. Anthony Romilio, da Universidade de Queensland, Austrália, usou o reconhecimento de padrões de IA para reanalisar as pegadas do Monumento Nacional da Desbandada dos Dinossauros, a sudoeste de Winton, no centro de Queensland.

“Grandes pegadas de dinossauros foram descobertas pela primeira vez na década de 1970 em um sítio paleontológico chamado Monumento Nacional da Desbandada dos Dinossauros, e por muitos anos acreditou-se que fossem deixadas por um dinossauro predador, como o Australovenator, com pernas de quase dois metros de comprimento”, disse o Dr. Romílio.

“Acredita-se que as pegadas misteriosas tenham sido deixados durante o período Cretáceo, cerca de 93 milhões de anos atrás.

“Mas descobrir exatamente quais espécies de dinossauros deixaram as pegadas – especialmente de dezenas de milhões de anos atrás – pode ser algo bastante difícil e confuso.

“Particularmente porque essas grandes pegadas são cercadas por milhares de pequenas pegadas de dinossauros, levando muitos a pensar que essa fera predatória poderia ter desencadeado uma debandada de dinossauros menores.

“Então, para resolver o caso, decidimos empregar um programa de IA chamado Deep Convolutional Neural Networks [Redes Neurais Convolucionais Profundas, na tradução livre]”.

Ele foi treinado com 1.500 pegadas de dinossauros, todas de origem terópode ou ornitópode – os grupos de dinossauros relevantes para as pegadas do Monumento Nacional da Desbandada dos Dinossauros.

Os resultados foram claros: as pegadas foram feitas por um dinossauro ornitópode herbívoro.

Dr. Jens Lallensack, principal autor da Universidade John Moores de Liverpool, no Reino Unido, disse que a assistência do computador foi vital, já que a equipe estava originalmente em um impasse.

“Estávamos muito presos a isso, então graças a Deus pela tecnologia moderna”, disse o Dr. Lallensack.

“Em nossa equipe de pesquisa de três pessoas, uma pessoa era pró-carnívora, uma pessoa estava indecisa e uma era pró-herbívora.

“Então, para realmente verificar nossa ciência, decidimos procurar cinco especialistas para esclarecimentos, além de usar IA.

“A IA foi a vencedora clara, superando todos os especialistas por uma ampla margem, com uma margem de erro de cerca de 11%.

“Quando usamos a IA nas grandes pegadas do Monumento Nacional da Desbandada dos Dinossauros, todas, exceto uma dessas pegadas, foram classificadas com segurança como deixadas por um dinossauro ornitópode – nosso ‘predador’ pré-histórico”.

A equipe espera continuar a adicionar ao banco de dados fósseis de dinossauros e conduzir mais investigações de IA.

A pesquisa foi publicada no Journal of The Royal Society Interface e inclui colaborações entre pesquisadores australianos, alemães e britânicos.

Uma réplica da pegada do dinossauro está em exibição no Museu de Queensland, em Brisbane, e o sítio paleontológico das pegadas pode ser visitado perto do sudoeste de Winton, Queensland.

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Julio Batista

Sou Julio Batista, de Praia Grande, São Paulo, nascido em Santos. Professor de História no Ensino Fundamental II. Auxiliar na tradução de artigos científicos para o português brasileiro e colaboro com a divulgação do site e da página no Facebook. Sou formado em História pela Universidade Católica de Santos e em roteiro especializado em Cinema, TV e WebTV e videoclipes pela TecnoPonta. Autodidata e livre pensador, amante das ciências, da filosofia e das artes.