Estudo de gravuras da idade da pedra sugere que elas foram criadas com intenção estética

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Crédito: CC0 - Domínio Público.

Tradução de Julio Batista
Original de Bob Yirka, no Phys.org

Uma equipe de pesquisadores da Dinamarca, Austrália e África do Sul encontrou evidências que sugerem que as gravuras rupestres da idade da pedra encontradas em dois locais na África do Sul foram criadas com intenção estética e que tal estética evoluiu com o tempo. No artigo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, o grupo relatou experimentos realizados com voluntários que analisaram reproduções de gravuras da idade da pedra e descreveram o que aprenderam com elas.

Em 1973, os pesquisadores encontraram recipientes de água feitos de casca de ovo de avestruz com imagens gravadas no abrigo de pedra Diepkloof, no oeste da África do Sul. Experimentos realizados em seguida mostraram que os recipientes tinham aproximadamente 60.000 anos. Não muito longe dali, os arqueólogos começaram a escavar a Caverna Blombos em 1991 e, durante esse trabalho, descobriram gravuras em ocre e em ossos. Eles foram datados entre 100.000 e 70.000 anos atrás. Notavelmente, as gravuras em ambos os locais foram em diferentes períodos, permitindo que os pesquisadores estudassem sua evolução. Com o passar do tempo, o cérebro humano tornou-se mais sofisticado, permitindo que os humanos se expressassem de forma mais tangível por meio de gravuras. Nessa pesquisa mais recente, os pesquisadores criaram desenhos baseados nas gravuras encontradas em ambos os locais e as estudaram, mostrando-os aos voluntários.

Ao todo, os pesquisadores realizaram cinco experimentos feitos para testar a sofisticação dos desenhos da idade da pedra. O primeiro envolveu mostrar aos voluntários um desenho em um olho e um padrão trêmulo no outro olho – os pesquisadores cronometraram quanto tempo os voluntários levaram para identificar padrões nos desenhos. Os desenhos baseados nas gravuras mais recentes foram identificadas mais rapidamente pela sofisticação.

Outro teste envolveu mostrar aos voluntários dois desenhos e perguntar-lhes o que eles pensavam que era mais provável que fosse feito intencionalmente – novamente, aqueles baseados nas gravuras mais recentes foram identificados como provavelmente intencionais.

Um terceiro teste envolveu mostrar aos voluntários um desenho por apenas três segundos e depois pedir que eles o reproduzissem em um pedaço de papel. Mais uma vez, os voluntários conseguiram reproduzir melhor as imagens a partir das gravuras mais recentes.

O quarto teste envolveu pedir aos voluntários que adivinhassem quais dos dois desenhos mostrados vinham do mesmo local – e mais uma vez, eles eram mais precisos ao apontar as imagens baseadas nas mais recentes.

O teste final envolveu perguntar aos voluntários qual dos dois desenhos eles pensavam ter sido criados mais recentemente; eles escolheram aqueles de fato aqueles que os foram. Os pesquisadores sugerem que as respostas dos voluntários indicaram que as gravuras foram criadas com intenção estética e claramente evoluíram em questão de sofisticação ao longo do tempo.


Mais informações: Kristian Tylén et al., “The evolution of early symbolic behavior in Homo sapiens,” PNAS (2020). www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1910880117

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