Pular para o conteúdo

Estudo explica como fluido quântico se fragmenta em grãos

Por Igor Zolnerkevic
Publicado na Sociedade Brasileira de Física

Um fluido quântico, ou superfluido, é um líquido capaz de escoar sem dissipar nenhuma energia. O superfluido pode ser produzido em laboratório com uma nuvem de átomos de lítio resfriada até quase o zero absoluto e que,  ao ser chacoalhada, forma um padrão semelhante às pequenas ondulações que podem ser vistas na superfície de um copo d’água sobre um auto-falante emitindo som, as chamadas ondas de Faraday. À medida que a frequência do chacoalhar diminui, porém, o padrão uniforme de ondas se fragmenta em grãos de tamanho e espaçamento irregulares. Em um artigo publicado em março na revista Physical Review X, uma equipe de pesquisadores da Universidade Rice, Texas, Estados Unidos, e do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, IFSC-USP, conseguiu pela primeira vez explicar a granulação do superfluido, graças a uma teoria mais detalhada da interação entre seus átomos.

Um dos autores do estudo, Vanderlei Bagnato, físico do IFSC-USP, explica no vídeo abaixo que a superfluidez é uma característica importante dos condensados de Bose-Einstein. “Condensado de Bose-Einstein é uma amostra gasosa, confinada por um potencial em que, por técnicas de resfriamento, chega bem próxima do zero absoluto, ocupando um único estado quântico”, diz.

[Destaque em Física] Estudo explica como fluido quântico se fragmenta em grãos

Em seus experimentos em São Carlos, a equipe de Bagnato chacoalha condensados de Bose-Einstein, oscilando o próprio potencial elétrico que aprisiona os átomos resfriados. Já no trabalho que Bagnato e seus colegas do IFSC, Marios Tsatos e Gustavo Telles, realizaram em colaboração com Randall Hulet, Jason Nguyen e Henry Luo, da Universidade Rice, Texas, e Axel Lode, da Universidade de Viena, Áustria, o chacoalhar foi realizado ao variar a própria interação entre os átomos de lítio, por meio de um campo magnético.

De acordo com Bagnato, a teoria de campo médio, isto é, a teoria convencional utilizada pelos físicos para calcular as interações entre os átomos do condensado de Bose-Einstein, não dá conta de descrever a transição do padrão de ondas de Faraday no perfil de densidade do condensado para o processo de granulação. “Aplicando a teoria de múltiplos orbitais pudemos chegar mais perto da observação feita no laboratório”, explica. “É interessante, porque hoje a física vive um momento importante de buscar fenômenos experimentais onde possamos testar as teorias de muitos corpos que vão além das aproximações de campo médio”.

A pesquisa foi parcialmente financiada pela FAPESP.

Referência:

Sociedade Brasileira de Física

Sociedade Brasileira de Física

A Sociedade Brasileira de Física (SBF) é uma associação civil constituída por físicos do Brasil e associada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Fundada em 14 de julho de 1966, a SBF é sediada na cidade de São Paulo. Seu primeiro presidente foi Oscar Sala.