Exames cerebrais confirmam que não há diferença entre cérebros de meninas e meninos ao estudar matemática

Crédito: Universidade Carnegie Mellon.

Por David Nield
Publicado na Science Alert

Não há diferenças de gênero no cérebro quando se trata da capacidade de processamento de matemática, de acordo com um novo estudo. Esse pode ser um passo adiante na erradicação de preconceitos de longa data de que as meninas não podem fazer contas tão bem quanto os meninos.

Os pesquisadores analisaram exames cerebrais de imagem por ressonância magnética (MRI) de 104 crianças de 3 a 10 anos (55 meninas e 49 meninos) enquanto elas assistiam a um vídeo sobre tópicos básicos de matemática. Sem surpresa, eles não notaram diferenças significativas na atividade cerebral entre os sexos.

Os pesquisadores também não encontraram diferenças estatísticas perceptíveis entre meninas e meninos na forma como estavam sendo envolvidas nos tópicos de matemática – ou na forma como o cérebro estava se desenvolvendo nas crianças mais velhas.

Muitos rejeitam o mito de que as meninas são menos competentes em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), mas para aqueles que ainda mantêm a ideia, esses resultados fornecem evidências ainda mais claras.

A maior parte da atividade cerebral estava ocorrendo no sulco intraparietal, uma região conhecida por estar ligada à estimativa de números, ao processamento de números escritos como palavras e à soma e subtração. Além disso, os pesquisadores também utilizaram um teste de matemática para classificar 97 crianças com idades entre 3 e 8 anos (50 meninas e 47 meninos), constatando que não havia diferença de capacidade entre os sexos e nenhuma diferença na habilidade matemática e maturidade cerebral.

Alyssa Kersey, neurocientista cognitiva da Universidade de Chicago e autora principal do estudo, descarta a hipótese de que mais homens acabam em carreiras relacionadas em STEM, porque, de alguma forma, eles são melhores na matemática exigida em alguns desses campos. Algo mais deve estar ocorrendo: por exemplo, ideias preconcebidas sobre os empregos que homens e mulheres devem entrar.

A economia também pode ser um fator, sugerem os pesquisadores, pois os meninos estão sob mais pressão do que as meninas para escolher uma carreira com maior recompensa financeira, mesmo que não sejam particularmente apaixonados pelo campo.

O próximo passo nessa pesquisa é testar as mesmas crianças por um longo número de anos e no que diz respeito a habilidades matemáticas mais avançadas (como as que envolvem processamento espacial e memória, por exemplo).

A equipe por trás do estudo quer ver menos viés na forma como os meninos são mais atraídos para campos de STEM do que as meninas. As crianças podem facilmente captar os sinais dos adultos ao seu redor, o que pode explicar o motivo das mulheres representarem apenas cerca de um quinto dos doutorados em STEM.

A pesquisa foi publicada na Science of Learning.

CONTINUAR LENDO