História da Filosofia no Brasil – Parte 05

2
4652

Chegamos a última parte desta série sobre a História da Filosofia no Brasil. Esta última postagem, que aborda os anos recentes e o momento presente do Brasil, serve mais como um “epílogo” para encerrar as ideias e informações contidas nas postagens. Então já me desculpo de antemão se este texto parecer menos fluído e mais expositivo aos que leram as postagens anteriores (que você pode ler aqui, aqui, aqui e aqui), especialmente aos mais interessados no contexto histórico.

 

Um novo Brasil começa do zero

filosofia-uv-lienzoCreio que é possível dizer que a abertura política “resetou” o Brasil. Tudo o que havia se passado (durante e antes do regime militar) ficou para trás, e foi aí que o país recomeçou. Dentro dessa perspectiva, podemos dizer que o Brasil de hoje é um país novo, que ainda está aprendendo a caminhar com as próprias pernas. Foi apenas após a ditadura que muitos Filósofos modernos e contemporâneos puderam chegar ao Brasil, e acabaram, de uma forma ou de outra, influenciando aspectos da filosofia do país. E o advento de tecnologias como os computadores, a internet e as redes sociais, entre outros, têm contribuído para mudar a cara do Brasil, de uma forma ou de outra. Dentro disso, a produção Filosofia neste novo Brasil se destaca por ser mais do que uma continuação do que havia sido antes interrompido; ela surge, sim, com características novas, se mescla às disciplinas de ciências humanas, se envolve no contexto social e político e começa aos poucos a propor uma Filosofia intelectual sem ser demasiadamente abstrata, e popular sem ser reducionista. Este é o panorama da Filosofia no Brasil atual.

 

A Cultura Filosófica atual no Brasil

cara-da-coruja-b7b36A cultura filosófica brasileira, assim como a cultura do país como um todo, é bastante diversificada: podemos inserir alguns pensadores com uma resistência à tradição metafísica clássica com a perspectiva de compreender a realidade, os quais podemos destacar os pensadores com expressões teóricas neotomistas. Outro grupo de significativa expressão seriam os filósofos analíticos que buscam a compreensão da realidade além do positivismo.

Numa terceira vertente teríamos os autores de natureza epistemológica que se ocupam em discutir a própria especificidade do conhecimento científico, não só em seus aspectos formais mas também em suas condições objetivas. Nesta vertente, situa-se Leônidas Hegenberg, que foi também o escolhido como representante significativo da tendência neopositivista, Miltom Vargas, Oswaldo Porchat, Luís Alberto Peluso, Michel Ghins, Zeliko Loparic, para só citar alguns.

A vertente transpositivista reconhece a autonomia e a relevância da ciência sem, no entanto, isolá-la das outras atividades humanas. Para o autor dessa denominação a filosofia da ciência não pode ater-se apenas às condições lógico-formais do conhecimento, ela implica condições axiológicas em virtude da sua inserção histórico-social da própria ciência. Está inserida na linha do racionalismo científico de Gaston Bachelard, Thomas Kuhn e Jean Piaget. Entre os pensadores brasileiros cujas atividades vão por esse viés são Hilton Japiassu, Constança Marcondes César, Marly Bulcão Brito, Elyana Barbosa, John Pessoa Mendonça e Luis Carlos Bombassaro.

Outra importante vertente, que abrange grande número de pensadores é a neohumanista, que tem em Cláudio de Lima Vaz seu mais expressivo representante. Ele considera e atribui como papel filosófico fundamental a tarefa antropológica e transita por toda tradição filosófica dialogando com as modernas ciências humanas e desenvolve uma nova visão da existência humana no seu contexto histórico real, sendo sua grande ênfase fundado na antropologia filosófica e direitos humanos. Para este autor de dois vastos volumes de Antropologia Filosófica é impossível pensar a problemática dos direitos humanos sem se referir à filosofia do homem que dá razão desses direitos na sociedade política em que eles são reconhecidos, se não efetivamente respeitados.

Outro grupo importante está associado ao existencialismo, personalismo, marxismo e teilhardismo que tem como representantes José Luiz Maranhão, Irapuã Teixeira, Paulo Freire, José Luiz Arcanjo, Aluísio Ruedell e Alino Lorenzon.

Além desses, recentemente temos um bom número de pesquisadores que giram em torno da reflexão ética a partir da filosofia dialógica de Martin Buber e de Emmanuel Levinas, tais como Luiz Carlos Susin, Pergentino Pivatto, Ricardo Timm de Souza e Antonio Sidekum.

imageNão podemos esquecer também do grupo de pensadores ligados à fenomenologia, que inspira igualmente um número significativo de pensadores e se desdobra em várias correntes: Uma corrente de inspiração em Merleau-Ponty e representados por Creusa Capaldo, Newton Aquile von Zuben, Salma Tannus Muchail, Telma Tonselli, José Ozana de Castro; e outra sob a influência da fenomenologia existencial heideggeriana, representada por Gerd Bornheim, Ernildo Stein, Dulce Maria Critelli e Emanuel Carneiro Leão. Temos também outro grupo de filósofos, de uma corrente que foi chamada de arqueogenealogia, que tem como autor fundamental Rubem Alves. Nesse grupo estão concentrados os pensadores com contribuições epistemológicas da arqueologia de Foucault e nas referencias axiológicas de Nietzsche.

Por último, mas não menos importante, existe o grupo que criou o IFIL, Instituto de Filosofia da Libertação, ocupando-se com os estudos da filosofia na América Latina, tendo outros grupos que giram em torno da temática. latino americana: mitologia indígena, cultura afrolatinoamericana, ética e cidadania, filosofia intercultural, multiculturalismo. Este grupo tem uma organização Brasil afora, graças à internet.

Além das correntes e dos pensadores citados, é importante também destacar o trabalho atual de Marilena Chauí, historiadora da Filosofia versada em Filosofia Política e de influência marxista que foi Secretária Municipal de Cultura de São Paulo; Mario Sergio Cortella, que foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo e atualmente publica livros filosóficos voltados para o público popular e para aspectos da sociedade como empreendedorismo; e Paulo Ghiraldelli Jr., talvez junto com Chauí o Filósofo brasileiro atual mais conhecido entre o público geral.

Bem, esta foi a série de matérias sobre a Filosofia no Brasil. Obviamente ela não serve para sanar todas as dúvidas nem para dar um panorama completo do tema, o que não seria possível fazer nas poucas palavras destes textos. Serve, sim, como uma abordagem geral para sanar a curiosidade de interessados, e como um “norte” para ajudar a orientar estudos mais aprofundados.

Se você leu tudo, espero que tenha servido aos seus propósitos, seja ele se informar por pura curiosidade, para conhecer mais sobre a trajetória da Filosofia no país ou até para entender melhor o Brasil.

Fontes:
Sidekum, Antonio. A Filosofia Brasileira do Nosso Tempo.
_____. A História da Filosofia no Brasil. Wikipédia, a Enciclopédia Livre.
Imagem
Imagem

CONTINUAR LENDO