Hjernevask: o documentário

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Harald Eia, apresentador.

Hjernevask (“lavagem cerebral”) foi um documentário norueguês lançado nos idos de 2010. Com sete episódios e apresentado pelo comediante e sociólogo Harald Eia, é inspirado no livro do neurolinguista Steven Pinker “Tábula Rasa”. Harald ilustra o debate entre o tão conhecido dilema do inato e o adquirido, e põe de encontro as posições que cientistas naturais (biólogos, neurocientistas, médicos, psicólogos) e cientistas sociais (sociólogos, filósofos políticos, artistas) têm sobre temas que envolvem violência, sexualidade, gênero, criação dos filhos e a existência ou não de talentos inatos entre diferentes populações de seres humanos, confrontando dados e cosmovisões das duas áreas de pesquisa. O documentário teve um enorme sucesso, e Eia e sua equipe ganharam o prêmio Fritt Ord Award por “ter participado de um dos debates científicos mais acalorados dos últimos tempos”.

Episódio 01 – “O paradoxo da igualdade de gênero”

Descrição: Por que as mulheres estão nas profissões de lidar com pessoas e os homens nas de lidar com coisas e sistematizações? Por que o mercado de trabalho se torna mais segregado quanto mais próspero e igualitário é um país?

Participantes: Anniken Huitfeldt, Jørgen Lorentzen, Cathrine Egeland, Camilla Schreiner, Simon Baron-Cohen, Richard Lippa, Anne Campbell e Trond Diseth.

Episódio 02 – “O efeito parental”

Descrição: Qual é a verdadeira influência dos pais na criação dos filhos? Qual é o grau de herdabilidade da inteligência?

Participantes: Gudmund Hernes, Willy Pedersen, Judith Rich Harris, Hans Olav Tungesvik e Robert Plomin.

Episódio 03 – “Gay ou hétero?”

Descrição: A sexualidade é inata? Existem diferenças entre heterossexuais e homossexuais? A homossexualidade é resultado de uma escolha ou ela nasce com o indivíduo?

Participantes: Sturla Berg Johansen, Thomas Folkestad, Jørgen Lorentzen, Agnes Bolsø, Nils Axel Nissen, Gerulf Rieger, Ricard Lippa, Simon LeVay, Arve Sørum e Glenn Wilson.

Episódio 04 – “Violência”

Descrição: A violência é natural, aprendida ou os dois? Existem culturas mais violentas que outras?

Participantes: Hedda Giertsen, Richard Nisbett, Erling Sandmo, Ingvild Forbord, Marit Clementz, Steven Pinker, Ragnhild Bjørnebekk, Inger Lise Lien e David Buss.

Episódio 05 – “Sexo”

Descrição: Existem motivações biológicas que expliquem por que homens tendem mais que as mulheres a buscar sexo sem compromisso?

Participantes: Willy Pedersen, Jørgen Lorentzen, Leif Edward Kennair, Anne Campbell, Gro Isachsen, Martine Aurdal, Richard Lippa e David Buss.

Episódio 06 – “Raça”

Descrição: Existem diferenças genéticas significantes entre as pessoas?
Participantes: Trond Thorbjørnsen, Knut Olav Åmås, Cathrine Sandnes, Gregory Cochran, Charles Murray, Richard Nisbett e Richard Lynn.

Episódio 07 – “Inato ou adquirido?”

Descrição: A personalidade é adquirida ou inata?

Participantes: Jørgen Lorentzen, Knut Olav Åmås, Agnes Bolsø, Trond H. Diseth, Nils Axel Nissen, Martine Aurdal, Hedda Giertsen, Cathrine Egeland, Tom Colbjørnsen, Simon Baron-Cohen, Steven Pinker, Leif Edward Ottesen Kennair, Philip Skau, Vigdis Bunkholdt e Simon LeVay.

Como se pode ver nas opiniões totalmente anticientíficas que boa parte dos pesquisadores têm (principalmente os que trabalham em departamentos de ciências sociais e humanas) quando interrogados sobre a investigação das características biológicas ou biopsicossociais do animal humano, o documentário acaba por tratar de um assunto ainda mais urgente: o distanciamento de dois setores acadêmicos que, longe de ganharem com a perda de contato e pela divisão da comunidade científica em duas culturas, leva toda a humanidade ao atraso. A realidade se torna negligenciada, as descobertas, postergadas, e o conhecimento se vê à mercê de interesses obscuros, onde não mais existe a atividade científica de auto-crítica, reflexão e ceticismo próprio, mas a sumária escolha de dados com a única finalidade de confirmar preconceitos e complementar agendas políticas, sejam elas de direita ou de esquerda.

Matérias relacionadas:
Diferenças genéticas, neurobiológicas e físicas entre homens e mulheres e suas explicações naturais.
Hipóteses pós-modernistas de gênero prejudicam mulheres.

Referências citadas e relacionadas:

  1. Plomin R, et al. (2013) Common DNA markers can account for more than half of the genetic influence on cognitive abilities. Psychological Science, 24(4):562–568.
  2. Trzaskowski M, et al. (2013) Intelligence indexes generalist genes for cognitive abilities. Intelligence, 41(5):560–565.
  3. Lombardo MV, et al. (2012) Fetal programming effects of testosterone on the reward system and behavioral approach tendencies in humans. Biological Psychiatry, 72(10):839–847.
  4. Lombardo MV, et al. (2012) Fetal testosterone influences sexually dimorphic gray matter in the human brain. The Journal of Neuroscience: The Official Journal of the Society for Neuroscience, 32(2):674–680.
  5. Plomin R & Daniels D. (2011) Why are children in the same family so different from one another? International Journal of Epidemiology, 40(3):563–582.
  6. Auyeung B, et al. (2009) Fetal testosterone predicts sexually differentiated childhood behavior in girls and in boys. Psychological Science, 20(2):144–148.
  7. Lippa RA. (2010) Sex differences in personality traits and gender-related occupational preferences across 53 nations: Testing evolutionary and social-environmental theories. Archives of Sexual Behavior, 39(3):619–636.
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  9. Butcher LM, et al. (2006) Generalist genes and cognitive neuroscience. Current Opinion in Neurobiology, 16(2):145–151.
  10. Plomin R & Spinath FM. (2004) Intelligence: genetics, genes, and genomics. Journal of Personality and Social Psychology, 86(1):112–129.
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