Mais de 2 bilhões de Tiranossauros rex aterrorizaram a Terra

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(Créditos: Mark Stevenson/Stocktrek Images/Getty Images)

Traduzido por Julio Batista
Originnal de Tessa Koumoundouros para o ScienceAlert

Por dois milhões e meio de anos, o mais famoso dos predadores, o Tyrannosaurus rex, vagarosamente se espalhou pelo que hoje é a costa oeste da América do Norte.

Os cientistas agora chegaram a uma estimativa para o número total de T. rex que já existiu: cerca de 2,5 bilhões (sim, bilhões).

Isso pode soar muito – e certamente é mais do que você imagina ao vê-los andando sozinhos em filmes como Jurassic Park. Mas, para colocar em perspectiva, por alguns cálculos, estima-se que mais de 100 bilhões de Homo sapiens ‘modernos’ chamaram a Terra de seu lar em algum ponto da história, e esse número ainda está aumentando a cada ano.

Embora saber quantos indivíduos já viveram de uma determinada espécie extinta há muito tempo possa não significar muito por si só, esse tipo de exercício pode fornecer aos pesquisadores algumas perspectivas sobre ecologias e espécies do passado completamente ausentes do registro fóssil.

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo paleontólogo Charles Marshall, da Universidade da Califórnia (EUA), escolheu o T. rex como seu objeto de estudo porque essas feras gigantes são os dinossauros mais bem conhecidos.

Eles usaram a Lei de Damuth, uma equação ecológica que descreve a relação entre o tamanho do corpo e a densidade populacional, derivada do estudo de espécies vivas. Em termos grosseiros, quanto maior o animal individual, menor sua densidade populacional, com alguma influência também dada ao nível trófico (onde se encontram na cadeia alimentar) e sua fisiologia.

“Estabelecer a fisiologia [do T. rex] se mostrou desafiador”, escreveu a equipe em seu paper. Essa medida é importante porque, entre as espécies vivas, aquelas com metabolismo mais lento podem sustentar densidades populacionais maiores.

Se os dinossauros eram de sangue quente ou frio é um assunto muito debatido, então, revisando a literatura científica, a equipe decidiu assumir uma fisiologia dentro de um espectro – a meio caminho entre um grande carnívoro mamífero e a de um grande lagarto terrestre como um dragão de Komodo.

Usando o registro fóssil, a equipe obteve um peso médio de 5.200 quilogramas para a espécie. Depois de toda a análise de números, os pesquisadores chegaram à estimativa de 20.000 indivíduos de T. rex vivendo em qualquer período de suas existências.

Com base em estimativas envolvendo suas taxas de crescimento e tamanhos, a equipe também determinou sua densidade populacional, um número que equivale a aproximadamente 3.800 desses temíveis predadores caçando em uma área igual à Califórnia.

Estimativas anteriores sobre a abundância de dinossauros com base em descobertas de fósseis na Formação Hell Creek sugeriram um nível de abundância maior do que o esperado de um predador típico, insinuando, entre outras coisas, que os T. rex adultos não competiam com os juvenis pelas mesmas fontes de alimento. Desde então, isso foi corroborado por mais pesquisas.

E enquanto T. rex parece ter sido bastante comum neste local (é onde a maioria de seus fósseis foram encontrados), os Triceratops foram as espécies mais comuns representadas no registro fóssil, então seria interessante ver estimativas de sua abundância total em comparação.

Dada a quantidade de suposições feitas para obter essas estimativas de abundância, é claro que elas apresentam altos níveis de incerteza.

“No entanto, nossa capacidade de inferir tamanhos populacionais de táxons extintos excede em muito o que se pensava ser possível há mais de 75 anos”, escreveram Marshall e colegas. “Essa capacidade foi possibilitada pela descoberta de muito mais fósseis e pela capacidade de estabelecer curvas de crescimento e sobrevivência a partir de estimativas de idade e massa corporal.”

Essas estimativas sugerem que apenas um em cada 80 milhões desses animais foram recuperados como fósseis – destacando o quão preciosos e raros esses vestígios realmente são.

Marshall e seus colegas esperam que esta técnica possa sugerir o quão raro, escasso ou regular uma espécie pode ter escapado de ser fossilizada para ser descoberta por nós.

Esta pesquisa foi publicada na Science.