NASA discute sua pesquisa sobre motores de dobra, e se prepara para criar uma bolha de dobra em laboratório

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No ano passado, foi revelado que uma pequena equipe de pesquisadores da NASA estava trabalhando na tecnologia de motores de dobra em laboratório. Liderados por Harold “Sonny” White, a equipe desenvolveu uma variação do motor de dobra de Alcubierre que poderia quase ser de produção viável – se pudermos descobrir como produzir e armazenar antimatéria. Agora, White está pronto para discutir alguns outros aspectos de seu motor de dobra, como as exigências de energia, com o que uma nave espacial equipada com motor de dobra se pareceria, e como seria viajar em velocidade de dobra.

Quando se trata de viagens interestelares, devido às grandes distâncias envolvidas, a única solução viável para se chegar a outros planetas e estrelas é um método de transporte que viaje próximo ou mais rápido do que a velocidade da luz. O sistema estelar mais próximo, Alpha Centauri, está a pouco mais de quatro anos-luz de distância – a uma velocidade de 62136 km/h (a velocidade na qual a Voyager-1 voa através do espaço), uma nave espacial levaria cerca de 67 mil anos para chegar lá. Há uma variedade de sistemas de propulsão propostos, como propulsores de íons, mas nenhum deles realmente se aproxima das velocidades necessárias para permitir a exploração de outros planetas em menos de alguns milhares de anos. Motores de dobra, enquanto a anos de distância de até mesmo testes em pequena escala – se eles forem mesmo possíveis – são uma das poucas exceções que permitem viagens espaciais dentro do tempo de uma vida humana.

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Como o nome sugere, um motor de dobra permite viajar mais rápido que a luz pela deformação (dobra) do espaço-tempo ao seu redor. Em essência, Miguel Alcubierre propôs um dispositivo que faz com que o espaço na frente do veículo espacial se contraia, enquanto que o espaço atrás se expande. Isso cria uma bolha de dobra que transporta a nave através do espaço-tempo a 10 vezes a velocidade da luz. Sabemos de nossas observações do universo que tal deformação do espaço-tempo é provavelmente possível, mas neste caso há um enorme passo entre a possibilidade teórica e a experimental. Existem inúmeros problemas com um propulsor de Alcubierre – como se seria possível sobreviver dentro da bolha, ou até mesmo aniquilar todo o sistema estelar quando você chegar ao seu destino – mas a enorme quantidade de energia necessária para alcançar a velocidade da luz (e superá-la) é, provavelmente, a principal desvantagem.

No ano passado, Sonny White revelou um novo projeto para um propulsor de Alcubierre, que reduz a necessidade de energia da massa-energia total de um planeta do tamanho de Júpiter, para a massa-energia da Voyager-1 (700 kg). Dizemos “massa-energia”, porque ninguém sabe como alimentar um propulsor de Alcubierre, com algumas pesquisas sugerindo que ele pode exigir mais energia do que a massa do universo observável, ou valores possivelmente negativos de energia. Basicamente, no entanto, de acordo com a pesquisa preliminar da NASA, os requisitos de energia parecem ser um pouco viáveis se a unidade é em forma de anel (como a imagem no início do artigo) em vez de um disco plano.

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Falando à New Scientist, Sonny White (à direita) esclareceu algumas das questões levantadas pelo estudo original da sua equipe, de 2012. Ele começa com uma analogia da bolha de dobra, para ajudar a explicar como viagem superluminal (mais rápida que a luz) é possível, em primeiro lugar: “Você está andando a cerca de 4 quilômetros por hora, e então você pisa [em uma passarela rolante de aeroporto]. Você ainda está caminhando a 4 quilômetros por hora, mas você está cobrindo a distância muito mais rapidamente em relação a alguém que não está na passarela”. Falando sobre como seria realmente a sensação de viajar em velocidade de dobra, White diz: “você teria uma velocidade inicial enquanto partisse… e seria como assistir a um filme em velocidade acelerada”.

E como seria uma nave espacial equipada com motor de dobra? “Imagine uma bola de futebol americano, para simplificar, que tem um anel toroidal em torno dela sustentado com mastros. A bola seria o local onde a tripulação e os sistemas robóticos ficariam, enquanto que o anel conteria matéria exótica. Aqui, a “matéria exótica” é uma fonte de energia sobre a qual não sabemos muita coisa (por isso usamos frases como “a massa-energia de Júpiter”).

Finalmente, White nos adverte que os primeiros motores de dobra ainda estão muito longe do mundo real. A equipe de pesquisa da NASA tem algumas “etapas muito específicas e controladas a seguir para criar uma prova de conceito”, para ver se a física do motor de dobra de Alcubierre realmente funciona na prática, e estamos falando de uma bolha de dobra microscópica que vai ter muito pouca relação com um protótipo do mundo real. Nós provavelmente estamos olhando para uma década ou mais à frente antes que possamos criar um propulsor de dobra do tamanho de um carro – e mesmo assim, isso só se encontrarmos alguma da elusiva “matéria exótica”, o que provavelmente não faremos.

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