Mulheres com Nobel? De Marie Curie a Arnold e Strickland

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As doutoras Donna Strickland, da Universidade do Waterloo, Canadá, e Frances Arnold, da Caltech, EUA. Créditos: Fundação Nobel.

Por Eduardo Quintana
Publicado na Ciencia del Sur

A ciência não tem gênero, mas as pessoas que fazem ciência sim, e os preconceitos delas são, muitas vezes, difíceis de erradicar à luz da evidência. O Prêmio Nobel é a honraria mais prestigiosa do mundo. Desde 1901, e após o testamento de Alfred Nobel, tem-se tentado homenagear, agradecer e recompensar as mentes mais brilhantes (em alguns campos) e os humanistas mais destacados, que lutam a favor da paz e da liberdade.

Durante o seu primeiro século, alguns ganhadores não puderam aceitá-lo (pelo totalitarismo) e poucos o renunciaram (por pressão ou por honestidade intelectual).

Lamentavelmente, o Prêmio Nobel também discriminou, negou e desprezou as mulheres por muito tempo, mulheres brilhantes que ajudaram a criar e fortalecer o conhecimento. Em alguns casos, até abriu novas linhas de investigação ou mudou paradigmas em uma área. Mulheres cientistas que foram deixadas de lado na história simplesmente por serem mulheres. As provas disso são os documentos dos diferentes Comitês Nobel, que após décadas, podem ser lidos. Talvez, o caso mais paradigmático seja o da física Lise Meitner, que foi indicada 48 vezes e vilmente ignorada.

Por isso é que, em pleno século XXI, e mesmo com uma cultura machista, celebramos que estas duas excelentes cientistas ocupem o lugar que lhes correspondem na comunidade científica de alto nível. Frances Arnold é a quinta mulher a ser laureada com o Nobel de Química em toda a história. É a quinta de 181 ganhadores! Dona Strickland, por outro lado, é a terceira cientista a receber o Nobel de Física, de um total de 210 ganhadores.

O Prêmio Nobel de Medicina é o que tem mais ganhadoras mulheres: 12 de um total de 216. Donna é laureada por seu “Método de geração de pulsos ópticos de curta e de alta intensidades”, que ajuda grandemente o campo da física a laser. Já Frances foi premiada por ser pioneira na Evolução dirigida de enzimas.

No Paraguai, segundo os dados do Conacyt e também do Instituto de Estatística da UNESCO, há igualdade entre a quantidade de homens e mulheres cientistas. No entanto, persistem muitos obstáculos e preconceitos para as garotas que querem seguir carreira científica.

“Mesmo que mais mulheres matriculem-se na universidade, são relativamente poucas as que escolhem uma carreira científica. Existem numerosos obstáculos associados a esta trajetória educativa, desde os esteriótipos que afrontam as meninas até as responsabilidades familiares e aos preconceitos que as mulheres enfrentam ao escolher seu campo de estudo”segundo a UNESCO.

De Curie às novas gerações

Marie Curie foi uma cientista única. Ganhadora de dois prêmios Nobel (Física e Química), é um emblema de mulher na ciência. Brilhante, sacrificadora e crítica, Curie também lutou contra os esteriótipos machistas de sua época. Mas por trás disso, havia e há centenas de mulheres cientistas que não foram reconhecidas, gratificadas por sua ciência, promovidas pelo seu trabalho ou apoiadas pela criação de conhecimento. Mulheres que foram discriminadas, encobertas, silenciadas e ofendidas pelo machismo predominante em diferentes épocas.

É por isso que precisamos repetir esses nomes, vamos ver o que eles fizeram e saber por que ainda muitas sociedades não seguem o caminho da igualdade e do equilíbrio, da justiça e da liberdade. Custa muito trabalho reeducar a população, mas é mais difícil permitir que o machismo continue com força e afete a ciência.

Não nos esqueçamos de Frances Arnold e Donna Strickland. Seus exemplos inspiram meninas, adolescentes e jovens de todo o mundo.

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