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O último humanista: uma entrevista com Mario Bunge

Mario Augusto Bunge (21 de setembro de 1919, nascido em Florida Oeste, Argentina) é um físico, filósofo, epistemólogo e humanista, sobretudo um filósofo realista, cientificista, materialista e sistemista. Defensor do realismo científico e da filosofia exata.

Mario Bunge leva já mais de 70 anos investigando praticamente todos os aspectos da filosofia e da ciência. Bunge é Doutor em Ciências Físico Matemáticas pela Universidad Nacional de La Plata, foi Professor Titular de Física Teórica nessa universidade e na de Buenos Aires, Professor Titular de Filosofia com Dedicação Exclusiva também na UBA, assim como nas de Delaware e Temple, e Frothingham Professor de Lógica e Metafísica na Universidade McGill em Montreal, até aposentar-se como Professor Emérito. Doutor Honoris Causa de quase uma vintena de universidades da Europa e América, Guggenheim Fellow, Alexander von Humboldt fellow, Killiam Fellow. Mario Bunge é autor de cerca de 80 livros que incluem clássicos como Causality (1959), Scientific Research (1967), e o monumental Treatise on Basic Philosophy (1974-1989) em 8 volumes, talvez a obra de filosofia mais importante e ambiciosa do século XX.

Profundamente interessado no desenvolvimento da cultura, está longe de ser o pensador apartado dos problemas reais e encerrado em uma torre de marfim filosófica. Não faz muito apresentou suas memórias, intituladas Entre dos Mundos. Naquela ocasião, tive a honra de dizer algumas palavras sobre Mario, que reproduzo:

“A publicação do livro Memorias entre Dos Mundos de Mario Bunge em espanhol, pelas editoras Eudeba e Gedisa, é um acontecimento extraordinário em minha opinião. E é extraordinário por duas razões. Primeiro porque a trajetória vital de Mario é extraordinária, e por outro lado porque a obra filosófica de Mario Bunge também é extraordinária. Como recém comentava Miguel Ángel [Quintanilla], se temos que pensar em um filósofo comparável a Mario Bunge, o único nome que pelo menos a mim me vem à cabeça é o de Bertrand Russell. Bertrand Russell viveu em uma época filosófica diferente, uma época de transição, desde uma filosofia mais obscurantista a uma filosofia científica, e não pôde desenvolver uma obra com a coerência que tem a obra de Mario Bunge, que se pôde escrever em um período distinto, a partir dos anos 50. Se tivesse que assinalar o que é o mais extraordinário da obra de Bunge precisamente diria isso: a coerência. Há não muito reli Causalidade, o livro que Mario escreveu em 1959. Primeiro o publicou em inglês, como se mencionou hoje, e logo a Eudeba o lançou em 1961, ou seja, há 53 anos. É praticamente impossível encontrar, nessa obra, algum enunciado que não seja harmonioso com os volumes que seguiriam ao longo do meio século posterior. Se vamos a outros grandes livros de Mario, por exemplo, na década de 60, o Foundations of Physics – um livro que lamentavelmente nunca foi traduzido ao espanhol -, na parte inicial do livro há um projeto de filosofia científica que basicamente preanuncia o que Mario faria nas seguintes duas décadas, que seria o Tratado de Filosofia Básica, atualmente em processo de tradução ao espanhol. A obra de Bunge não só é uma obra coerente, como é uma obra de extraordinária claridade, é uma obra de uma enorme amplitude – abarca a semântica, abarca a ontologia, abarca a epistemologia e a filosofia de todas as ciências especiais e abarca também a ética. Para os gregos a retórica, que seria o que chamamos hoje em dia de semântica, ou filosofia da linguagem, e a física, eram um meio para chegar a uma ética, a um conhecimento que nos permitisse viver no mundo e viver o melhor possível. Lamentavelmente, para a maior parte dos filósofos e das pessoas que fazemos ciência hoje em dia, a filosofia e as ciências são somente mais um trabalho. Eu creio que Mario Bunge soube resgatar esse espírito da velha filosofia grega de que a ciência e a filosofia são ferramentas para chegar a uma ética e a uma forma de fazer melhor o mundo.

Permitam-me terminar esta brevíssima intervenção com uma confissão. O encontro com a obra de Mario Bunge foi o fato capital de minha vida intelectual. Marcou-me para sempre. Nas últimas poucas semanas, durante o mês de setembro, quando lia as provas de galera deste livro, em um lugar muito estranho, nas ilhas Galápagos, me foi dado recuperar a alegria da descoberta inicial dessa obra extraordinária.”

Uma das alegrias de minha vida tem sido a amizade generosa de Mario Bunge. Talvez abusando dessa amizade, pedi-lhe uma entrevista, para que ampliasse alguns temas que toca em suas memórias, e outros que me intrigaram. Ofereço ao leitor essa entrevista, na esperança de que a desfrute tanto como eu.

1. Coerência e projeto filosófico

Sua obra tem uma coerência única na filosofia atual. Seus primeiros livros, como Causality, Metascientific Queries, Intuition and Science e The Myth of Simplicity são trabalhos com um fundo realista, e desdobram uma filosofia cientificamente informada e ocasionalmente altamente formalizada. Contudo, em minha opinião, é em torno de 1967 que se produz uma ruptura com Scientific Research e Foundations of Physics: dois livros ambiciosos que apresentam projetos enormes de uma unidade notável. Em Foundations, livro feliz e único, em seu capítulo segundo apresenta um esquema do que logo desenvolveria em seu Treatise. Pareceria como se a partir daí passou a ocupar-se de forma verdadeiramente sistemática de um projeto filosófico completo. Como vê Foundations a quase 50 anos de sua publicação e qual é o impacto que pensa teve no desenvolvimento da filosofia da ciência?

1.1. Creio que, se minha obra filosófica tem alguma unidade e coerência, é porque me ocupei de problemas e não de autores. Porque esses problemas são importantes e não meros exercícios acadêmicos. Porque me interessaram todas as ramas da filosofia. Porque procurei manter-me perto da ciência. E porque, ao livrar-me de Hegel e seus discípulos, empenei-me em ser o mais claro possível. Tanto, que um amigo íntimo previu que eu nunca chegaria a ser um filósofo. “Por quê?” lhe perguntei. “Porque se entende tudo o que você diz”, respondeu.

1.2. Por definição, problemas importantes são os que se apresentam em pacotes ou sistemas, de modo que não podem ser atacados um por um, isolando-os dos demais componentes do sistema. Esta é uma das limitações do enfoque analítico. Por isso uma vez disse aos da SADAF (Sociedad Argentina de Análisis Filosófico) que planejava instalar-lhes em frente a futura ASF (Asociación de Síntesis Filosófica).

1.3. O típico professor de filosofia é um comentarista ou escoliasta que trabalha miniproblemas ou pseudoproblemas antes que um investigador de problemas gordos, como os da natureza do espaço e do tempo, a matéria e a mente, a causalidade e o acaso, o significado e a verdade, o valor e a ação, a ciência e a técnica, a justiça social e o progresso. Costuma colocar-se problemazinhos ou pseudoproblemas das formas “O que opinou Fulano acerca da crítica de Mengano a Zutano?”, “Em quem se inspirou Perengano?”, “Em que consiste conhecer a cor vermelha?”, “Em que se distinguem os infinitos mundos possíveis do que habitamos?”, “Quais nomes não mudam em outros mundos?”, “Como se ascende de um punhado de dados empíricos a uma lei?”, “Por que há algo e não nada?”, e “Como constrói o mundo o eu (ou o cérebro)?”

1.4. A frequência de questões dessas formas na literatura filosófica atual explica tanto a fragmentação como a inutilidade da mesma: trata de ninharias ou de absurdos, de modo que as respostas, quando as há, não constituem avanços do saber nem suscitam novos problemas que motivem novos projetos de investigação. São meros jogos sem consequência, como os jogos de cartas, embora sem a excitação que provoca a incerteza do resultado. Evocam o cínico que declarou que a filosofia é aquilo com a qual ou sem a qual, o mundo permanece tal e qual. (No original italiano soa muito melhor.)

1.5. Com efeito, 1967 foi para mim como o annus mirabilis que viveu Newton três séculos antes, embora com consequências incalculáveis para todo o mundo. Que ambas obras minhas aparecessem nesse ano deveu-se a circunstâncias alheias à minha vontade, porque Scientific Research, que comecei a escrever em Buenos Aires em 1961, já estava concluído em 1963, e Foundations of Physics, começado em Delaware em 1964, foi terminado dois anos depois. Em minhas memórias, Dos mundos, conto as vicissitudes que sofreram ambas as obras. Basta dizer aqui que ambas foram vítimas da neofobia que aflige quase todos os filósofos contemporâneos, e também que a terminação e publicação de ambas são exemplos da boa sorte de que desfrutei desde meu nascimento.

1.6. Você me pergunta pelo impacto de meu sistema filosófico. Francamente, creio que não teve nenhum na comunidade filosófica, e um impacto muito débil sobre os físicos, psicólogos e sociólogos. É verdade que alguns filósofos adotaram algumas de minhas ideias sem citar-me, mas a maioria as ignorou ou desprezou porque chocam com a imagem de segunda mão que aprenderam das autoridades na matéria. Por exemplo, os empiristas, que deveriam ter analisado corretamente as operações de medição, não o fizeram, porque ignoraram nada menos que os indicadores.

1.7. Já em A investigação científica (1967) afirmo que o que se põe à prova empírica não é uma proposição teórica senão a conjunção da mesma com um indicador adequado, tal como a altura de uma coluna de mercúrio quando medimos a temperatura corporal. Para pior, Dirac e outros grandes afirmaram que os valores teóricos se contrastam diretamente com as leituras dos instrumentos. Os trabalhos práticos que fazíamos no Instituto de Física de La Plata me salvaram de cometer esse erro garrafal.

1.8. Foundations of Physics foi algo mais exitoso graças a um punhado de físicos, em primeiro lugar seu mestre Héctor Vucetich, o relativista mexicano Guillermo Covarrubias e o prêmio Nobel Willis Lamb, quem me ofereceu trabalhar com ele quando eu estava imerso na filosofia do social.

1.9. A escola chamada estruturalista, de Patrick Suppes, Joseph Sneed, Wolfgang Stegmüller, e Carlos Ulises Moulines, compreende que há que analisar teorias íntegras, mas o que entendem por ‘teoria’ não é o que entendem os matemáticos nem os físicos teóricos, e suas tentativas de reconstruir a mecânica e a termodinâmica são tão absurdas, que ganharam as zombarias impiedosas do máximo especialista nessas teorias, o falecido Clifford Truesdell, amigo meu, em seu livro An Idiot’s Fugitive Essays on Science (New York: Springer, 1984), no qual pulveriza esses autores. Conste que tentei convencer Truesdell de que moderasse seus ataques. Foi inútil: estava furioso por essa tergiversação da ciência. Mas os autores da mesma não se deram por aludidos. Tampouco reagiram à minha crítica, algo anterior, em Mathematical Reviews, na qual assinalava, entre outros erros graves, a confusão entre dois conceitos de modelo, o matemático (exemplo de uma teoria abstrata) e o usado em ciência e técnica (teoria específica, ou de alcance limitado), que Braithwaite havia chamado apropriadamente teorita. Meus amigos Jesús Mosterín e Roberto Torretti sentem grande respeito por esses inventadores, nenhum dos quais aportou algo às grandes controvérsias de seu tempo, em particular as referentes à interpretação da mecânica quântica, o dualismo psiconeural, e o enfoque individualista do social.

1.10. Meu Foundations of Physics é desconhecido por quase todos os filósofos da física, principalmente porque se ocupam de calcular ou medir, antes que de examinar fundamentos, e em muito pequena parte devido à resenha hostil de John Earman em Philosophy of Science. Earman, colaborador de Jesús Mosterín em um artigo sobre cosmologia inflacionária, atacou este livro apesar de não saber física ou, melhor dizendo, por ignorá-la por completo. Deve ter-lhe incomodado particularmente minha afirmação de que não é lícito examinar alguma fórmula famosa, tal como “E=mc²”, fora de seu contexto, que é a mecânica relativista. Inclusive Popper fez isso: cria que essa fórmula valia para tudo, quando de fato só vale para coisas dotadas de massa. A arrogância dos filósofos é notável. Também atacaram o livro o matemático holandês Hans Freudenthal, especialista em pedagogia matemática e o professor de física Strauss, da Alemanha Oriental, nenhum dos quais havia trabalhado em axiomática.

2. O problema da verdade

O problema da verdade o ocupou durante mais de 50 anos. Desde a publicação de sua primeira teoria da verdade em The Myth of Simplicity até a penúltima, Matter & Mind, você foi aperfeiçoando e esclarecendo sua posição. Qual é a situação atual do problema? O que falta fazer, em sua opinião?

2.1. Desgraçadamente não tenho nada novo que informar. Isto se deve a que a maioria dos filósofos nem sequer advertem o problema: não sabem que nas ciências e técnicas se usam dois conceitos de verdade (formal e fática), assim como verdades aproximadas além das exatas que nos dão a lógica e a matemática. Por exemplo, a afirmação de que os planetas são esféricos é uma verdade fática e aproximada: pertence à astronomia, não à geometria, e seu grau de verdade é algo menor que o da afirmação de que os planetas são elipsoides imperfeitos. Os científicos tomam tudo isso por sabido, enquanto os lógicos o ignoram. Inclusive o grande Tarski acreditou que o conceito de verdade como adequação da ideia à coisa, que aprendeu de Aristóteles, valia em matemática, e Popper acatou sua autoridade. Meu ex-aluno Jean-Pierre Marquis fez sua tese doutoral sobre a verdade aproximada e construiu toda uma teoria algébrica, à qual chamou “álgebra de Bunge”, publicada no Notre Dame Journal of Logic, mas não teve repercussão.

2.2. Os estudantes de filosofia costumam começar pelas tabelas de verdade, que servem ao princípio, e interpretam o princípio de ambivalência como a tese de que toda proposição é, ou verdadeira, ou falsa. Eu o interpreto como a tese de que toda inferência dedutiva é, ou válida, ou inválida. Creio ter sido o primeiro em sustentar que a lógica dedutiva não é uma teoria da verdade, de modo que há que inventar teorias das verdades que respeitem a lógica.

2.3. Também creio ter sido o primeiro em afirmar que as lógicas não-padrão, como a trivalente e a modal, são inúteis, e que a lógica paraconsistente, que admite contradições, é perniciosa, já que o mínimo que podemos pedir a uma teoria é que seja coerente. Também critiquei a identificação de verdade parcial com probabilidade, que é absurda, porque a verdade não tem nada que ver com acaso nem com incerteza. Certos fatos ou acontecimentos são prováveis (muito ou pouco), mas a expressão “a probabilidade da proposição A é igual ao número B” nem sequer tem sentido. Mas muitos filósofos seguirão usando o cálculo de probabilidades como a chave mestra para abrir todas as portas filosóficas, porque é a única teoria matemática que conhecem.

2.4. Em matemática pura se usam dois conceitos de verdade formal (como demonstrável e como satisfazível, ou susceptível de ter modelos) e nas demais disciplinas usamos o conceito, ainda intuitivo, de verdade de fato, ou conformidade da ideia à coisa. Fiz várias tentativas de construir tal teoria, a última vez em meu Evaluating Philosophies, de 2012, que deveria estar por sair em espanhol. Mas ainda não estou satisfeito. Necessitamos novas intuições e novos contraexemplos.

2.5. Em todo caso, trato a construção de uma teoria adequada (verdadeira?) da verdade fática parcial como um projeto de longo alcance. Espero que outros investigadores proponham teorias melhores que as minhas, mas lhes advirto que se exporão à irritação dos lógicos, como a que atacou meu amigo Paul Bernays (o assistente de Hilbert) quando lhe apresentei a primeira das minhas. Uma noite, em pleno inverno de 1961, foi ao nosso apartamento, situado no bairro negro de Filadélfia, para repreender-me e fazer-me desistir de minha tentativa. Eu o tomei com calma e não lhe levei a pauta. Também criticou minha teoria da intensão (com s) ou conotação, que expus uma década depois na sala lotada da ETH de Zurique, não porque lhe encontrasse erros, mas porque era ainda mais formalista que seu grande mestre David Hilbert. Mas nenhuma de ambas críticas embaçou a relação muito cordial que Marta e eu tínhamos com ele. Nos vimos tanto nos EUA como na Europa. Uma noite o apresentei ao filósofo argentino Andrés Raggio, velho amigo meu, e os três assistimos ao seminário que Bernays mantinha na ETH. Não entendemos muito porque expunha um estudante que parecia recém descido do cume, já que falava um alemão suíço muito fechado.

2.6. Nos visitamos com Bernays em Delaware e em Zurique, e nos encontramos em vários colóquios da Académie Internationale de Philosophie des Sciences, em Bruxelas, Lausanne e outras cidades europeias. Em uma de nossas conversas, Bernays se aborreceu por minhas críticas a Freud. Ao fim e ao cabo, ele era parente próximo de Martha Bernays, a esposa do mago vienense. Em outra oportunidade nos explicou o mistério de sua cidadania britânica: havia nascido em Londres, no seio de uma família judia alemã, e seu pai havia enriquecido importando da África do Sul plumas de avestruz para adornar os aparatosos chapéus que costumavam usar as grandes damas antes da Primeira Guerra Mundial.

3. Formalização e estilo no Treatise

Os 4 primeiros volumes de seu monumental Treatise on Basic Philosophy, dedicados à semântica e à ontologia, estão altamente formalizados. Isso os torna livros particularmente claros e precisos. Contudo, o estilo do Treatise muda a partir do tomo 5 e se torna mais discursivo. A que se deveu essa mudança? Visto de hoje, pensa que foi positivo?

3.1. É muito certo que a partir do 5º tomo de meu Tratado há pouca matemática. O motivo é que em torno dessa época mudou radicalmente o clima cultural ou Zeitgeist: as humanidades e as ciências sociais foram inundadas pelo pós-modernismo, inimigo do rigor. Por exemplo, a sociologia matemática, que James Coleman, Raymond Boudon e Harrison White haviam começado com tanto ímpeto ao redor de 1960, eclipsou-se de golpe. Quando cheguei a McGill no final de 1966, propus lecionar um curso de sociologia matemática e fui ver o diretor do departamento de sociologia pedindo-lhe que me mandasse alguns alunos, e me respondeu de boa-fé: “O que é isso?” E o patrão da epistemologia na Université du Québec à Montréal difundiu exitosamente a escola austríaca de economia, que ignora a matemática e vai junto com o individualismo filosófico e o neoliberalismo.

3.2. Eu cedi por temor a que ninguém me lesse e abandonei o estilo matemático embora, é claro, segui rejeitando a conversa fiada pós-moderna, tão bem criticada por José Sebrelli na Argentina e por Gabriel Andrade na Venezuela. Não obstante, em 1971 fundei a Society for Exact Philosophy, associação americano-canadense que segue reunindo-se anualmente. Eu deixei de assistir a suas reuniões porque quase todas as exposições que se fazem nelas versam sobre aplicações da concepção bayesiana ou subjetivista da probabilidade, que eu rejeito porque são modelos aprioristas, portanto arbitrários, da crença.

3.3. A psicologia da crença é outra coisa: é a investigação empírica das crenças. Ironicamente, um de seus resultados é que nossas crenças não se ajustam ao cálculo de probabilidades. Em particular, costumamos violar o teorema segundo o qual o grau de crença em uma conjunção A&B é menor ou igual que as probabilidades separadas de A e de B.

4. Filosofia das ciências sociais

A que se deveu que uma vez terminado o Treatise, se dedicasse uma década à filosofia das ciências sociais?

4.1. Até 1980 eu havia trabalhado nas filosofias da matemática, física, biologia e psicologia, mas havia descuidado a problemática filosófica das ciências sociais. Sentia o dever de preencher esse vazio em minha filosofia da ciência, tanto mais porque estava muito insatisfeito com os trabalhos que lia para lecionar meus cursos sobre a matéria, assim como com as apresentações que escutava em colóquios. Ademais, na década de 1970 eu havia publicado alguns trabalhos sociológicos sobre estrutura social, participação, marginalização, desenvolvimento, e indicadores sociais, de modo que me sentia capacitado para trabalhar em filosofia das ciências sociais.

4.2. Em particular me interessava a ontologia do social: Que classe de coisa é o grupo social, como funciona e em que se diferencia do biológico e do mental? Estava insatisfeito tanto com o globalismo de Talcott Parsons como com o individualismo de Friedrich Hayek: com o primeiro devido ao seu toque intuicionista, e com o segundo porque negava a existência de totalidades como a família e a empresa, que possuem propriedades impessoais, como composição, estratificação, coesão e estabilidade ou sua contrária.

4.3. Pensando nesses problemas dei com o terceiro enfoque, o sistemismo, e elaborei um conceito sistêmico de grupo social. Este se resume na quádrupla ordenada [composição, ambiente, estrutura, mecanismo]. Apresentei algumas dessas ideias nos seminários sobre desenvolvimento organizados pela UNESCO em Paris (1978), pelo PNUD no México (1979), e em Katmandu no ano seguinte. Todas essas reuniões me ensinaram e estimularam. Ademais, em todas elas tive mestres e críticos construtivos, os que escasseiam nas reuniões de filósofos.

5. Livros recentes e divulgação

Durante a primeira década do século XXI publicou uma série de livros notáveis como seu Philosophical Dictionary, Emergence & Convergence, Chasing Reality e Matter & Mind. De certa forma esses livros expandem de forma acessível problemas que já havia tratado. São, talvez, os livros que mais alcance tiveram ao grande público em inglês. O que o motivou a escrevê-los?

5.1. Cada um desses livros resume uma nova etapa de um projeto de investigação de longo alcance. Retoma temas que havia trabalhado antes, mas sempre corrijo erros e introduzo algo novo. Por exemplo, em Matter and Mind dou ao emaranhamento (entanglement) mais importância que antes, ao ponto de afirmar que a caricatura clássica de uma partícula elementar é o velcro e não a bolinha. Também dou ao livre-arbítrio, no qual sempre acreditei, mais importância que antes. É uma característica que a máquina de Turing não pode imitar, porque ela se detém quando não recebe impulsos exteriores. Há dezenas de problemas que me seguem intrigando e mantendo acordado depois de meio século. Este é um dos motivos da insônia que padeço desde os trinta anos de idade.

5.2. Ademais de repensar velhos problemas à luz dos novos conhecimentos que aprendo nas revistas científicas que frequento, estão os estímulos exteriores, como algumas perguntas que me formulam correspondentes velhos ou novos, assim como erros importantes que encontro na literatura. Por exemplo, na semana passada li uma frase de um neurocientista a quem admiro: “O cérebro é a maquinaria que constrói a realidade.” Junta um erro (o mecanicismo) com uma loucura digna de um esquizofrênico (isso da construção em lugar de representação do mundo).

6. Reconhecimento acadêmico

Por que pensa que os filósofos anglófonos são avessos a citar seus trabalhos, enquanto que os mesmos trabalhos são fonte de estímulo para muitos cientistas? Acredita que essa situação se reverterá?

6.1. Creio que há dois motivos: desinteresse pelos problemas que mais me interessam, e facilismo. Recordemos que o que mais aprendem os estudantes de filosofia em todo o mundo é história da filosofia, filosofia já feita por outros. Sua tarefa não é filosofar, mas ler e comentar textos. Ensinam-lhes a converter-se em escolásticos, não a ajudar a avançar o conhecimento conversando com gente que enfrenta problemas novos.

6.2. Para fazer carreira em filosofia há que mostrar que se memorizou uma pilha de detalhes que não excitam ninguém. É perigoso enfocar problemas novos, ou tratar problemas velhos de maneira original.

6.3. Para a maioria dos filósofos eu sou um intruso, um imigrante indocumentado, já que não tenho um doutorado em filosofia. Para pior, tenho o descaramento de reprovar filósofos profissionais, com doutorados em filosofia, o fato de que não se atrevem a abordar problemas gordos, que exijam estudar matérias que não figuram no plano de estudos de filosofia. E quando se animam a assomarmos a território estrangeiro costumam limitar-se a livros de divulgação, porque não estão preparados para ler artigos técnicos em revistas especializadas. Este não é meu caso, já que desde meus tempos de estudante me habituei a ler revistas e, havendo estudado ciências “duras”, não lhes temo às “moles”. Em resumo, não sou um deles, de modo que não têm por que ler-me nem, menos ainda, citar-me, sobretudo quando me plagiam.

6.4. Não sei se esta situação mudará alguma vez. Deixei de fazer profecias quando minha bola de cristal se estatelou ao chocar com a realidade.

7. Estilo polêmico

Em muitos de seus livros seu estilo polêmico costuma ser particularmente duro para os padrões acadêmicos anglo-saxões. Pensa que isso prejudicou a divulgação de suas ideias originais nesse âmbito?

7.1. Sem dúvida. Minha falta de tato, que já me reprovavam meus pais, atraiu-me muitas antipatias. Mas creio que o que mais ódios me acarretou é dizer a muitos que o que estão fazendo não é senão incomodar as traças: que nada do que dizem ou escrevem ajudará a avançar o conhecimento ou, o que é pior, que obstaculizaram a busca da verdade. A quem pode agradar que lhe digam que viveu em vão? Mas admita que sou circunspecto. Por exemplo, não escrevi que o segundo Husserl estivesse louco de amarrar, nem que o segundo Wittgenstein escrevia para tolos, nem que…

8. Nicholas Rescher

Entendo que Nicholas Rescher é o filósofo vivo que melhor consideração lhe merece. Pode resumir sucintamente o porquê?

8.1. Admiro Nick Rescher por sua curiosidade, seu conhecimento monumental, e seu amor pela claridade. Nunca esquecerei a ocasião em que, em uma reunião de um comitê de um organismo internacional tivemos que pronunciar-nos sobre a interpretação de certo regulamento. Éramos o lógico russo Kolmogoroff, parente do famoso, o filósofo e doutor em jurisprudência Stephen Körner, Nick e eu. O único que entendeu o problema foi Nick, quem dissertou sobre o mesmo e propôs a resolução que os demais aceitamos humildemente. Ademais, estou-lhe reconhecido a Rescher porque respondeu pontualmente a todas minhas perguntas e reconheceu meus méritos.

8.2. Outra característica pouco comum de Rescher é que não teve embaraço em abraçar causas políticas impopulares. Por exemplo, decidiu fazer-se republicano quando advertiu que todas as guerras haviam sido iniciadas por governos democratas. Não sei se o belicismo de George Bush Jr. lhe fez mudar de opinião.

9. Temas abertos para a filosofia

Quais são em sua opinião os principais temas abertos dos quais deveria ocupar-se a filosofia contemporânea?

9.1. Primeiro, seguem em pé todos os grandes problemas que nos legaram nossos predecessores, desde os chamados pré-socráticos em diante. Não é que sejam mistérios insolúveis, como o afirmou recentemente Noam Chomsky, senão que se trata de grandes projetos de investigação que esperamos, vão se resolvendo pouco a pouco.

9.2. Segundo, estão todos os novos problemas que vão surgindo à medida que avançam as ciências e as técnicas. Por exemplo, todavia não sabemos a ciência certa em que se distingue a matéria viva da química, em que consiste a informação de que falam os psicólogos, nem como devemos obrar para evitar causar nas crianças modificações epigenéticas hereditárias, nem o que é a justiça social.

10. Ignorância científica dos filósofos

Por que acredita que a maioria dos filósofos são tão ignorantes de ciência, em particular de física e neurociências?

10.1. Primeiro, porque aprender ciências duras é mais difícil que ler e comentar histórias da filosofia. O jardineiro de cemitério faz um trabalho muito menos duro que o lavrador que abre novos sulcos em terra virgem.

10.2. Segundo, porque o idealismo e o fenomenismo, que têm sido as filosofias dominantes desde Berkeley e Hume, Kant e Hegel, menosprezam, desprezam ou entendem mal a investigação científica. Inclusive Popper, o mais famoso filósofo da ciência, a entendeu mal, ao sustentar que os cientistas aspiram a que suas ideias sejam refutadas (como me disse em 1961, quando o visitamos com Marta), e que a história da ciência é uma sucessão de teorias, em que a única função dos experimentos é tentar refutar teorias.

11. Teoria do tudo

Pensa que tem sentido propor, como o tentam alguns físicos atuais, uma “teoria do tudo”? Considera epistemologicamente razoável pensar que possa formular-se tal teoria?

11.1. Nos tempos em que a mecânica era a única teoria científica propriamente dita, cabia a ilusão de que o explicasse tudo. A partir de então foram se descobrindo propriedades emergentes e foram se construindo teorias e disciplinas que transbordavam a ciência dos corpos. Nem sequer à física bastou a mecânica quando se estudou a luz. Os químicos posteriores a Dalton e Berzelius descobriram vínculos químicos, como o que mantém a molécula de hidrogênio, que não eram físicos. Darwin mostrou que as espécies biológicas podem transformar-se sem que sucedam catástrofes físicas. Marx descreveu mudanças sociais que surgem de conflitos sociais alheios à física e à química. Etc., etc. Em resumo, a realidade é tão variada, que não basta uma teoria para descrevê-la e explicá-la. De fato, cada tanto se formam ciências novas que ninguém previu. Por exemplo, ninguém previu a epigenética, nascida há uma década.

11.2. O projeto de construir teorias do tudo me parece ridiculamente ambicioso, porque a maioria das propriedades as têm exclusivamente os membros de algumas classes. Por exemplo, os átomos carecem de memória, e os seres humanos somos os únicos animais que nos distinguimos por ser em grande medida artificiais, fato que refuta as tentativas de explicar a natureza humana em termos puramente biológicos.

12. Ameaças à ciência

Quais são as maiores ameaças à ciência em nosso tempo?

12.1. A principal ameaça à ciência é a mesma que pende sobre a espécie humana: os desastres antropogênicos causados pela perda constante de solo, o esgotamento de recursos não renováveis, o aquecimento global, e outras calamidades concomitantes com a indústria que procura o ganho de uns poucos em lugar do bem-estar de todos.

12.2. As políticas científicas utilitárias, que privilegiam as ciências aplicadas e as técnicas, estão famintando as ciências básicas e estão prejudicando as que buscam conhecimento mais que poder. Exemplo recente: as grandes firmas farmacêuticas fecharam seus laboratórios de neurociências porque não lhes rendia. Em particular, não haviam inventado novas pílulas para tratar eficazmente as doenças mentais mais comuns, a depressão e a demência. A ciência aplicada e a técnica sempre se nutriram da ciência desinteressada. Se isto os empresários ignoram, o Estado terá que tomar a iniciativa. Inclusive Clinton e Obama, tão obtusos em todo o demais, o compreenderam.

12.3. Uma ameaça menor é o anticientificismo que campeia nos setores de extrema direita e de extrema esquerda, e cujo resultado líquido é desanimar os jovens que estão considerando seguir uma carreira científica. Este engendro de filósofos obscurantistas e científicos fracassados não seria tão daninho se não penetrasse nas universidades, como o vem fazendo na Argentina. Daí que os professores de ciências têm o dever de contrarrestá-lo.

13. Projetos futuros

A que vai dedicar-se no ano de 2015? Que projetos tem entre mãos?

13.1. Creio que me dedicarei aos fundamentos da sociologia. Embora já não poderei contar com os sábios conselhos de Bob Merton nem com as críticas agudas de Raymond Boudon, é seguro que poderei interagir com meu novo amigo Dominique Raynaud, que se especializa em história da ciência e da arte, assim como em sociologia histórica do conhecimento. É um náufrago notável do afundamento das humanidades francesas.

13.2. Contudo, não estou seguro de poder terminar este projeto, porque desde que tive meu primeiro acidente cerebrovascular, há quatro anos, sinto que as parcas me pisam os calcanhares.

14. Conselho aos jovens

O que diria a um jovem cientista com interesses filosóficos, ou a um jovem filósofo com interesses científicos?

14.1. Diria-lhe que faça filosofia sempre que a tome como vocação, não como profissão.

14.2. Também lhe aconselharia que se ocupe de problemas, não de autores, e que prefira os problemas grandes aos pequenos, embora pense que lhe ficam grandes, porque para desfrutar do filosofar há que tomá-lo como uma aventura, não como uma rotina.

14.3. Finalmente, lhe recomendaria que fale com não-filósofos, para saber qual é sua filosofia espontânea, para saber que teses e problemas filosóficos têm sem sabê-lo, e para suscitar-lhes inquietudes filosóficas. Por exemplo, pergunte aos matemáticos como demonstrar que todos os teoremas se descobrem, não se inventam. Aos físicos, que os entes físicos não têm propriedades antes que começaram a trabalhar os físicos. Aos biólogos, como sabem que os dinossauros de todo o mundo se extinguiram de golpe quando caiu o grande meteorito no Yucatán. Aos antropólogos, como sabem que Homo Sapiens nunca se cruzou com os Neanderthal. Aos historiadores, por que os parisienses destruíram a Bastilha apesar de que ali havia só 7 presos. Aos teólogos, que provas têm da existência de Jesus. E aos acólitos de Chomsky, que negam a evolução das línguas, por que quase todos os substantivos anglo-saxões perderam o gênero quando foram invadidos pelos normandos, que sim lhes atribuíam sexo (LA fleur, LE fruit).

15. Verdade e teorias

Sua teoria da verdade considera como portadores de verdade as proposições. Sendo as teorias sistemas infinitos de proposições, pensa que pode atribuir-se-lhes valores de verdade?

15.1. Não. Creio que os valores de verdade emergem somente no curso do trabalho de pôr à prova as proposições. Enquanto não se dê por concluído o trabalho de verificação, residem em uma espécie de limbo. É claro que no curso de tal trabalho costuma atribuir-se-lhes verdade ou falsidade, mas tal atribuição é tentativa ou transitória: faz-se para saber que consequências traria sua verdade ou sua falsidade.

15.2. Dou-me conta de que esta postura contradiz o platonismo, que é a filosofia espontânea do matemático. Mas concorda com minha visão da investigação como invenção justificável (não arbitrária), não como descoberta de um mundo platônico de ideias feitas. A realidade nos é dada, enquanto que à ciência vamos fazendo-a. Um jurista diria talvez que a mim me interessa a scientia ferenda mais que a scientia lata.

16. Estética

Por que não fechou o Treatise com um Vol. 9, dedicado à estética? É a única ramo da filosofia que não abordou de forma sistemática.

16.1. Não me ocupei da estética porque não acredito nela. Creio que a estética não é uma disciplina senão um monte de opiniões injustificadas, e que quem não tem experiência artística deveria abster-se de fazer estética.

16.2. Contudo, creio que os filósofos que tenham experiência artística podem tentar fazer estética. Foi o caso de meu falecido amigo José María Ferrater Mora, autor de meia dúzia de bons romances e uma cinquentena de filmes. Durante anos instei-lhe a que escrevesse sobre estética. Finalmente começou a escrevê-lo e havia alcançado a terminar quatro capítulos quando lhe falhou o coração.

17. Gostos estéticos

Permita-me terminar perguntando-lhe por seus gostos estéticos. Poderia mencionar-me alguns artistas e escritores de ficção que tem em estima?

17.1. Não me durmo sem antes ler algumas páginas de algum romance. Os grandes romancistas me inspiram tanto respeito e afeto como os grandes científicos e filósofos. O mesmo me ocorre com os grandes dramaturgos e comediógrafos, como Aristófanes, Lope, Molière e Wilde. Em troca, os trágicos e a poesia me deixam frio.

17.2. Desde minha adolescência gostei de explorar as literaturas de todos os países. Creio que o Quixote, A comédia humana e Guerra e paz são os cumes da novelística universal. Mas “descobri” grandes romancistas em todos os países que visitei, exceto Argentina, Marrocos e Nepal, e me entusiasmam alguns de países que nunca visitei, como Albânia (Ismail Kadaré), Trinidad e Tobago (Vidiadhar Surajprasad Naipaul), e África do Sul (J.M. Coetzee). Também gosto muito de Eça de Queirós, Jorge Amado, Alejo Carpentier, Gabriel Delibes, Mario Vargas Llosa, Naipaul, Vonnegut, Narayan, Le Clézio, Margaret Atwood, Peter Carey, Philip Roth, Sinclair Lewis, Anatole France, Italo Calvino, José Saramago, Carlos Fuentes, Orhan Pamuk e outros mais.

17.3. Admiro o estilo de Borges, mas seus temas me parecem triviais: foi um miniaturista. Para empreender algo grande em qualquer campo há que ter coragem. Os tímidos seguem outros em lugar de tomar a dianteira. E se é necessário se agacham ante os poderosos.

17.4. Sempre gostei da música e uma vez quis aprender a tocar violino, meu instrumento favorito, mas fracassei. Meu repertório musical é reduzido: está compreendido entre Vivaldi e Prokofiev. Comovem-me Mozart, Beethoven, Schubert, e algumas coisas de Bach, Schumann, Mendelssohn, Ravel, Stravinsky e Fauré, mas Britten, Bartók, Mahler e Shostakovich me entediam ou irritam. Marta, que tem uma boa educação musical, se irrita pela limitação de meus gostos musicais, mas para mim não há arte sem emoção, e os compositores posteriores a Prokofiev me deixam frio no melhor dos casos. Quanto ao rock, parece-me a antimúsica, assim como o existencialismo me parece a antifilosofia.

17.5. Sou um negado para as artes plásticas, com exceção dos velhos mestres, como Dürer, Holbein, os Brueghel e Vermeer, assim como os impressionistas. Interessam-me Dalí e Magritte. E comovem-me o Partenon e as catedrais góticas, especialmente as de Notre Dame, Chartres e Freiburg, a que admirava diariamente desde meu escritório no Instituto de Física Teórica nessa cidade, na qual escrevi Foundations of Physics. Ela foi o que mais senti falta quando nos mudamos de Freiburg a Montreal.

Nota: Para todos os grupos de estudo.

O artigo foi publicado originalmente por Gustavo E. Romero no Filosofía en la Red.

Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira

Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira

Divulgador Científico há mais de 10 anos. Fundador do Universo Racionalista. Penetration Tester. Pós-Graduado em Computação Forense, Cybersecurity, Ethical Hacking, Full Stack Java Developer e Inteligência Artificial, Machine Learning e Data Science. Endereço do LinkedIn e do meu site pessoal.