Peixe transparente bizarro é capturado em filmagens raras

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Os olhos do peixe (virados para cima) são cobertos por lentes verdes brilhantes. Crédito: MBARI.

Por Nicoletta Lanese
Publicado na Live Science

Milhares de metros abaixo da superfície da Baía de Monterey, perto da Califórnia, cientistas recentemente capturaram imagens de um peixe com uma cabeça translúcida e bulbosa e olhos verdes em formatos esféricos que emergem através de sua testa.

Esta criatura bizarra, conhecida como peixes olhos-de-barril (Microstoma macropinna), é raramente vista. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI, na sigla em inglês) avistaram a espécie apenas nove vezes, apesar de terem enviado seus veículos operados remotamente (ROV, na sigla em inglês) em mais de 5.600 explorações no habitat do peixe, de acordou com um tweet do MBARI em 9 de dezembro.

Mas na semana passada, uma equipe de cientistas enviou o ROV Ventana do MBARI e avistou um peixe olho-de-barril parado na água.

Na época, o ROV estava navegando a uma profundidade de cerca de 650 metros no Cânion Submarino de Monterey, um dos cânions submarinos mais profundos da costa do Pacífico, disse Thomas Knowles, um aquarista sênior do Aquário da Baía de Monterey, ao Live Science por e-mail.

“O olhos-de-barril primeiro apareceu muito pequeno na distância azul, mas eu soube imediatamente o que estava olhando. Não poderia ser confundido com qualquer outra coisa”, disse ele.

Enquanto barulhos de empolgação percorria a sala de controle, Knowles manteve a câmera do ROV em foco enquanto o piloto do ROV Knute Brekke mantinha o robô subaquático apontado para o olhos-de-barril. “Todos nós sabíamos que esta provavelmente era uma experiência única na vida”, uma vez que a criatura elusiva é vista muito raramente, disse Knowles.

À luz do ROV, os olhos do olhos-de-barril brilhavam em um verde brilhante e podiam ser facilmente vistos através da camada clara e cheia de líquido que cobre a cabeça do peixe.

Esses olhos são incrivelmente sensíveis à luz e podem ser orientados diretamente para cima, em direção ao topo da cabeça do peixe, ou diretamente para a frente, de acordo com o MBARI. Dois envoltórios de cor escura ficam em frente aos olhos do peixe e contêm os órgãos que o animal usa para cheirar.

O habitat do peixe olhos-de-barril varia do Mar de Bering ao Japão e à Baixa Califórnia. Os peixes vivem na zona crepuscular do oceano, que fica cerca de 200 a 1.000 m debaixo d’água; especificamente, os olhos de barril vivem cerca de 600 a 800 m abaixo da superfície do oceano, perto da profundidade onde a água mergulha na escuridão completa, de acordo com o MBARI.

Os cientistas têm pouca noção de quantas dessas cabeças bulbosas e gelatinosas flutuam nas profundezas do oceano.

“Não temos controle sobre o tamanho da população, exceto em um sentido relativo”, disse Bruce Robison, um cientista sênior do MBARI, ao Live Science por e-mail.

Os olhos-de-barril são menos abundantes do que peixes comumente vistos na zona mesopelágica, como peixe-lanterna ou peixes-luminosos, e a equipe do MBARI encontra peixes olhos-de-barril com a mesma frequência que o tamboril, peixe-baleia e peixe-pelicano, “o que é muito raramente”, disse ele.

Com base em observações anteriores de pesquisadores do MBARI, publicadas em 2008 no periódico Copeia, os cientistas pensam que os peixes olhos-de-barril permanecem quase todos imóveis enquanto aguardam que presas desavisadas, como o zooplâncton e as águas-vivas passarem por cima. Os peixes podem pairar nas águas assim graças a um conjunto de nadadeiras largas e achatadas que se estendem para fora de seu corpo.

Ao apontar seus olhos verdes diretamente para cima, os olhos-de-barril podem identificar as silhuetas de suas presas de cima, e o pigmento verde em seus olhos provavelmente ajuda a filtrar a luz solar da superfície do oceano.

Assim que um peixe olhos-de-barril avista uma água-viva bioluminescente ou um minúsculo crustáceo flutuando, ele nada para cima para prender a criatura em sua boca enquanto gira seus olhos para frente, para que possa ver para onde está indo.

Os cientistas especulam que M. microstoma pode às vezes roubar comida de sifonóforos – organismos semelhantes a águas-vivas que se ajuntam em linhas longas e capturam presas em seus tentáculos, de acordo com um vídeo do MBARI de 2009.

A camada transparente da cabeça do peixe olhos-de-barril pode protegê-lo contra as células que queimam dos tentáculos dos sifonóforos – mas, novamente, isso é especulação.

“Muitos aspectos de sua história natural permanecem desconhecidos e muito do que pensamos que sabemos sobre eles é baseado em especulação”, disse Robison.

Embora M. microstoma tenha sido descrito pela primeira vez em 1939, os pescadores capturaram esses primeiros espécimes em redes que destruíram suas camadas transparentes. Portanto, os cientistas não sabiam sobre tais camadas até os anos 2000, quando os cientistas do MBARI viram um peixe olhos-de-barril em seu habitat natural, disse ele. Mesmo hoje, ainda há muito a aprender sobre tais peixes bizarro.

Em seu mergulho recente, a equipe observou avidamente o espécime de M. microstoma até que ele nadou para longe e então continuou sua busca por águas-vivas e ctenóforos do mar profundo.

“Não tínhamos ambição de coletar este animal”, já que o aquário não está adequadamente configurado para cuidar dos peixes pouco estudados, disse Knowles.

Dito isso, muitas outras criaturas bizarras e maravilhosas do fundo do mar logo estarão em exibição no aquário.

Na primavera de 2022, o Aquário da Baía de Monterey abrirá uma nova exposição chamada “Into the Deep: Exploring Our Undiscovered Ocean”, que apresentará todos os tipos de criaturas do fundo do mar, de isópodes gigantes a aranhas-do-mar e águas-vivas-de-pente vermelhas, de acordo com ao site do aquário.

E, como o peixe olhos-de-barril, muitas dessas criaturas parecem algo tirado direto de um romance de ficção científica.