Pergaminho gigante do ‘Livro dos Mortos’ é descoberto em antigo cemitério egípcio

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(Créditos: Ministério Egípcio de Antiguidades)

Traduzido por Julio Batista
Original de Owen Jarus para a Live Science

Um templo funerário pertencente à rainha Nearit foi descoberto no cemitério egípcio de Sacará próximo à pirâmide de seu marido, o faraó Teti, que governou o Egito de cerca de 2323 a.C. a 2291 a.C., disse o ministério egípcio de antiguidades em um comunicado

Feito de pedra, o templo tem três armazéns de tijolos de barro na parte sudeste que mantinham as oferendas feitas à rainha e seu marido. 

Perto da pirâmide, a equipe de arqueólogos egípcios também encontrou uma série de túmulos contendo os restos mortais de pessoas que viveram durante as dinastias 18 e 19 do Egito (1550 a.C. – 1186 a.C.), disse o ministério em comunicado divulgado em janeiro 16.

Esses enterros provavelmente faziam parte de um culto de adoração a Teti que surgiu após a morte do faraó. O culto parece ter permanecido ativo por mais de um milênio, com pessoas querendo ser enterradas perto da pirâmide do faraó. Até agora, a equipe descobriu mais de 50 caixões de madeira nesses poços, junto com uma grande variedade de objetos. 

Livro dos Mortos

Um dos objetos mais fascinantes encontrados nos túmulos é um papiro de 4 metros de comprimento que contém o Capítulo 17 do ‘Livro dos Mortos’, um manuscrito que os antigos egípcios usavam para ajudar a guiar os falecidos na vida após a morte.

O nome do dono do papiro, Pwkhaef, está escrito nele; esse mesmo nome também foi encontrado em um dos caixões de madeira e em quatro estatuetas shabti destinadas a servir ao falecido na vida após a morte. 

Embora os cientistas estejam atualmente analisando o texto, outras cópias do Capítulo 17 contêm uma série de perguntas e respostas – uma espécie de folha de cola para pessoas que estão tentando se orientar na vida após a morte. Resta ver se a cópia recém-encontrada do Capítulo 17 tem o mesmo formato de perguntas e respostas. 

Dentro dos poços funerários, a equipe arqueológica descobriu uma estela que pertencia a um homem chamado Khaptah, que é identificado como o supervisor da carruagem militar do faraó, e sua esposa, Mwtemwia.

A parte superior da estela mostra o casal homenageando Osíris, o deus egípcio do submundo, enquanto a parte inferior mostra o casal sentado em cadeiras com seis de seus filhos à sua frente. Suas três filhas são mostradas sentadas e cheirando flores de lótus, enquanto seus três filhos são mostrados de pé.

Os arqueólogos não têm certeza qual(is) faraó(s) Khaptah serviu. É possível que ele tenha servido a Ramsés II (que reinou de 1279 a.C. a 1213 a.C.), um faraó conhecido por suas campanhas militares que expandiram o império do Egito até a Síria.

Uma inscrição na estela diz que dois dos filhos de Khaptah têm o nome de membros da família de Ramsés II. Uma das filhas de Khaptah se chama Nefertari (o mesmo nome da esposa principal de Ramsés II) e um de seus filhos se chama Caemuassete (o mesmo nome de um dos filhos de Ramsés II). 

Jogos de tabuleiro e múmias

Outras descobertas nos túmulos perto da pirâmide incluíram um machado de bronze, jogos de tabuleiro, estátuas de Osíris e várias múmias, incluindo a múmia de uma mulher que parece ter sofrido de um tipo de doença comum no Mediterrâneo, um distúrbio genético que causa febre recorrente e inflamação no abdômen, nas articulações e nos pulmões. 

O topo da estela mostra o casal homenageando Osíris; a parte inferior mostra o casal sentado com seis de seus filhos. (Créditos: Ministério Egípcio de Antiguidades)

Um santuário dedicado a Anúbis – o deus do cemitério – também foi encontrado próximo aos túmulos, assim como estátuas do deus. 

A equipe egípcia que fez a descoberta inclui arqueólogos do ministério egípcio de antiguidades e do Centro de Egiptologia Zahi Hawass da Bibliotheca Alexandrina.