Pesquisador do OCRC-UNICAMP desenvolve novo método para avaliar morte celular

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Publicado na Obesity and Comorbidities Research Center

A ciência precisa de técnicas e métodos para funcionar. Assim, o desenvolvimento de novas maneiras de realizar experimentos e avaliar dados é fundamental para que ela continue a prosperar, expandindo as opções disponíveis para pesquisadores no mundo todo. Com isso em mente, uma equipe do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da UNICAMP, um dos maiores grupos de pesquisa em obesidade e metabolismo do país, dedicou seus esforços no desenvolvimento de uma nova metodologia para avaliar a morte celular em cultura de células. O estudo foi conduzido pelo Dr. Tanes Lima, sob orientação do professor Dr. Leonardo R. Silveira, professor da UNICAMP que desenvolve suas pesquisas no OCRC.

O método consiste na utilização de um corante fluorescente, o Iodeto de Propídeo (IP), que é capaz de marcar o DNA de células mortas. O IP já é utilizado como marcador de morte celular através de outros métodos , porém são trabalhosos e mais caros. Portanto, os pesquisadores desenvolveram uma maneira de realizar esta análise em um espectrômetro comum, que é um aparelho capaz de ler a intensidade de cor ou fluorescência em uma amostra e, através disso, determinar a concentração de algum composto (No caso, o IP).

A grande vantagem do método é sua simplicidade, fornecendo resultados em até meia-hora. Para elaborá-lo, os pesquisadores cultivaram linhagem de células musculares C2C12 sob tratamento com palmitato, um composto conhecido por induzir morte celular. Eles trataram várias populações de células com concentrações diferentes de palmitato, formando, portanto, uma curva de proporcionalidade – quanto mais palmitato, mais células mortas. Ao corarem as amostras com o IP e lerem no espectrômetro, observaram que os valores obtidos pelo aparelho aumentavam de forma proporcional à concentração de palmitato. O grupo então validou os resultados observando a função mitocondrial e os níveis de espécies reativas de oxigênio destas células; ambos os parâmetros são conhecidamente perturbados pelo tratamento com palmitato, e serviram para demonstrar que o tratamento de fato funcionou e promoveu os danos esperados.

Esse trabalho é apenas o primeiro passo de algo muito maior. “A vantagem disso é que podemos otimiza-lo para experimentos de triagem em larga escala, que é o nosso objetivo final. Pretendemos usar esse método para monitorar a toxicidade de vários compostos químicos e naturais em culturas de células” disse o Dr. Lima, primeiro-autor do estudo. “No meu atual projeto de Pós-doutorado que está em andamento no OCRC, estamos desenvolvendo uma plataforma biológica de triagem em larga escala para avaliação de compostos com potencial de aumentar a capacidade metabólica em tecidos periféricos, incluindo músculo, adipócito (células de gordura) e fígado. Estes compostos poderão então ser estudados para o tratamento de disfunções metabólicas como o diabetes do tipo 2 e a obesidade”.

“Porém” Continua o pesquisador, “para esse fim é crucial identificarmos logo no início os compostos que são tóxicos para descarta-los. Dessa forma o método para avaliar morte celular desenvolvido pelo nosso grupo possui um papel fundamental. Como esse ensaio já está publicado, esperamos que outros grupos de pesquisa no Brasil e no mundo possam usar o método e adaptá-lo para outros tipos celulares e objetivos próprios.”

O trabalho é um exemplo do caráter cooperativo da ciência, onde um grupo em algum lugar no mundo desenvolve uma nova técnica que então poderá ser usada no mundo inteiro para muitos propósitos diferentes. É bastante positivo o desenvolvimento de novas técnicas e metodologias por pesquisadores brasileiros, pois ajuda a colocar o nome do país e do grupo em evidência no cenário internacional.

Referências

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