Por que os dedos enrugam?

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Créditos da Imagem: Jornal ABC Espanha

Quando ficamos mais de dez minutos debaixo de água, a palma de nossas mãos e, especialmente, os dedos, começam a enrugar. Desde crianças sabemos que isto é assim, e sempre foi explicado que a razão é que a pele absorve água, incha e ocupa mais espaço, causando dobras. Mas, tal como sugerido por estudos científicos, a explicação pode estar errada.

Os primeiros a darem atenção para esta hipótese clássica, foram os cientistas Thomas Lewis e George Pickering, em 1936 . Ao investigar um paciente que tinha danificado o nervo mediano, que conecta o cérebro com o polegar, indicador e dedo médio (e por isso perdeu parte da sensibilidade nessa área), observou que após a imersão da mão do paciente na água, a área controlada por esse nervo não fica enrugada. Pode ser, então, uma resposta do organismo a um estímulo externo, em vez de um efeito físico simples? E em caso afirmativo, por quê?

Os dedos enrugados voltaram a chamar atenção dos pesquisadores agora no século XXI, gerando novas pesquisas. Em 2001, a Universidade de Tel Aviv publicou um estudo que apoia a ideia de “rugas em resposta a um estímulo.” Fotografias observadas e comparadas de dedos de 18 pacientes com doença de Parkinson (que causa danos neurológicos progressivamente) com outros nove pacientes saudáveis, observaram que, embora as mãos enrugassem, nos pacientes doentes o resultado era muito menor. Em 2011, o neurobiólogo evolutivo Mark Changizi publicou um estudo analisando as rugas dos dedos. Ele concluiu que a forma não é aleatória, mas é muito semelhante aos fluxos naturais que se formam com o degelo das montanhas, ou as plataformas de veículos que são projetadas para dispersar a água pelos lados do telhado. O último estudo que foi feito sobre este assunto em 2013, queria descobrir se ter dedos enrugados realmente pode ajudar a dispersar a água e nos impedir de deslizar objetos molhados. Um outro grupo de várias pessoas foi escolhido para fazer o experimento. Dessa vez eles tinham que mover objetos com as mãos molhadas, sendo que um dos grupos estava com as mãos enrugadas e o outro não. Os objetos eram movidos de um recipiente para o outro e aqueles participantes com as mãos não enrugadas, tinham uma índice de deslize bem maior que os outros de mãos enrugadas.

Comparação entre sulcos em geleiras e na ponta dos dedos.
Comparação entre sulcos em geleiras e nas pontas dos dedos.

A velha teoria também tinha um problema: Por que a pele molhada só murchava na região dos pés e das mãos e não no resto do corpo? A resposta foi a de que nestes locais a espessura da pele é muito mais elevada e, portanto, as rugas são mais visíveis, porém, em todo o corpo elas aparecem, mas são imperceptíveis. De acordo com a nova pesquisa, o efeito é uma resposta a um estímulo externo que foi fornecido pela evolução. Quando a água penetra nas camadas exteriores da pele, altera o equilíbrio de eletrólitos e uma mensagem é enviada para o cérebro forçando ele a responder. O cérebro por sua vez, espreme o tecido subcutâneo e o fluxo sanguíneo capilar. Assim, a superfície das camadas inferiores da pele diminui, mas não das camadas externas, que têm menos vasos, e então são forçadas a enrugar.

Aparentemente, essa pesquisa pode parecer uma bobagem, mas muitos cientistas estão começando a ver utilidade como um método de diagnóstico. Se uma pessoa teve um acidente grave, agora uma alternativa de análise de dano nos nervos das extremidades é feita pelo método em que, se o dedo não murchar ou murchar menos que o normal em contato com a água, a vítima sofreu o trauma. Outra coisa interessante, é que para evitar colocar as mãos e os pés em baldes de água por meia hora e os mesmos enrugarem, algumas pessoas usam um creme anestésico que diminui a sensibilidade dessas áreas em apenas cinco minutos. Como é um tema em pleno andamento, muitas questões permanecem. Nós não sabemos se os animais também podem fazer isso, até que ponto isso pode ser representado como um benefício evolutivo, ou se as rugas efetivamente ajudam a drenar a água.


REFERÊNCIAS:

TEXTO TRADUZIDO E ADAPTADO DO SITE PROYECTO SANDÍA.

Adaptações retiradas da Scientific American.

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