Brasileiras aprovadas em Stanford precisam da sua ajuda!

Gramado de Stanford, uma das marcas da Universidade. Fonte. stanford.edu/

A Universidade Stanford é uma universidade privada de pesquisa situada em Palo Alto, na Califórnia, e uma das instituições mais prestigiadas do mundo, com a maior seletividade de admissão dos EUA e ocupando a posição de primeira colocada em várias pesquisas e medições no país. Além de ser uma das maiores universidades do mundo para graduação e pós graduação, Stanford realiza anualmente cursos de Verão para estudantes do Ensino Médio do mundo todo, os chamados “summer camps”. Dentre todos os summer camps, o principal é denominado Stanford Pre-Collegiate Studies (SPCS), que convida anualmente 3000 brilhantes estudantes do Ensino Médio de mais de 100 países do mundo para estudarem durante três semanas assuntos de seu interesse e possuírem uma amostra da vida de um estudante de graduação em uma Top School.

Porém, o curso é pago, como todo curso de verão ou de graduação nos Estados Unidos, seja a Universidade pública ou particular, e é impossível ofertar bolsas para todos. Na edição deste ano, foram admitidos poucos brasileiros, e alguns deles em especial precisam de sua atenção agora por 1) não terem recebido uma bolsa total, ou, 2) terem recebido bolsa total (100% do custo do programa) mas ainda terem que arcar com passagens e visto. Conheça a história de duas meninas que receberam bolsas mas estão realizando campanhas para cobrir todos os custos e descubra porque você precisa ajudá-las:

Yasmin Rodrigues Reis

Yasmin é natural de Belo Horizonte e foi aprovada para o curso ‘Investigations in Bioscience and Biotechnology: Nanobiomaterials‘ (Investigações em Ciências Biológicas e Biotecnologia: Nanobiomateriais) na Universidade Stanford com uma bolsa de aproximadamente 50%. Yasmin é de uma família simples de Xodó Marize, um bairro periférico de Belo Horizonte que fica às beiras de um córrego a céu aberto, filha de um estofador autônomo e de uma mãe muito trabalhadora.

“Meus pais sempre me disseram que ‘pobre tem que estudar’; internalizei isso. Fui inspirada pela força das mulheres da minha família: minha avó, minha mãe, minhas tias e primas. São pessoas que sempre correram atrás de seus sonhos.”

Mesmo tendo origem simples, Yasmin sempre apresentou altas habilidades e potencial, que foram reconhecidos pelo instituto Ismart que a levou da Escola Pública onde estudava para uma particular excelente, o Colégio Bernoulli, com bolsa integral e outros benefícios para incentivar sua educação. Além disso, Yasmin é ativista da organização Mapa Educação fundada por alunos brasileiros em Harvard e do Greenpeace, promovendo ações relacionadas à preservação do meio ambiente. Também cofundou o Jornal Edson Luís de sua Escola e quer se tornar cientista e pesquisadora um dia, desenvolvendo atualmente pesquisas a fim de inibir a produção de dois compostos químicos que as cianobactérias do gênero Pseudanabaena produzem: a Geosmina e o 2-metilisoborneol. Eles causam gosto/odor de terra e mofo na água de lagos eutrofizados, prejudicando ainda mais sua qualidade. Ajude Yasmin clicando no link de sua arrecadação de fundos virtual (a Vakinha) e doando o valor que puder.

Vakinha de Yasmin, que até o dia 19 de Abril já arrecadou mais de R$8000,00. Contribua!

Camila Nascimento

Camila é uma estudante do Terceiro Ano do Ensino Médio muito esforçada que também foi aprovada para o Stanford Pre-Colegiate Studies (SPCS), no curso de ‘Topics in Psychology‘ (Tópicos em Psicologia) com uma bolsa de 100%. Por isso, Camila não terá que pagar nada para Stanford mas mesmo assim terá que arcar com o passaporte, visto e a passagem de avião. Camila é natural de Ponta Grossa no interior do Paraná, estuda em uma Escola Estadual e faz na mesma um curso técnico de Formação de Docentes. Ela recentemente se interessou por oportunidades acadêmicas, aprendendo inglês por conta própria para se tornar elegível para a maioria dos programas internacionais de intercâmbio e/ou estudo como é o SPCS. Sua família porém, não pode ajudá-la com o restante dos custos: Seu pai é eletrotécnico, sua mãe é diarista, e ela tem 2 irmãos mais novos. Ajude Camila clicando no link de sua arrecadação de fundos virtual (a Vakinha) e doando o valor que puder. Consulte nele também outras contas e formas de doar.

“Meus pais sempre apoiaram tanto eu quanto meus irmãos no estudo, nunca mediram esforços em acreditar em nossos objetivos, e dessa vez não será diferente.”

Vakinha de Camila, com 15% do valor arrecadado até o dia 20 de abril de 2019. Contribua!

Neurocientistas conseguem reativar cérebros de porcos quatro horas após morte

Imagem: Age Fotostock.

Por Nuño Domínguez 
Publicado na Materia

Uma equipe de cientistas conseguiu preservar algumas funções celulares básicas nos cérebros de porcos mortos. Apesar da conquista, não havia nenhuma evidência de que os cérebros recuperassem a função elétrica necessária para voltar a funcionar.

Os cientistas desenvolveram um sistema de perfusão cerebral que imita o fluxo sanguíneo após a morte e mantém a temperatura corporal. Eles testaram nos cérebros de 32 porcos decapitados em um matadouro, quatro horas depois da morte dos animais. Após seis horas de perfusão, os pesquisadores detectaram uma redução da morte cerebral e a restauração de algumas funções básicas em nível molecular e celular, incluindo o funcionamento de algumas conexões neurais. Apesar disso, não havia nenhum sinal de funcional global, de acordo com a equipe do neurocientista Nenad Sestan, da Escola de Medicina de Yale (EUA), em um estudo publicado hoje na revista científica Nature.

A pesquisa sugere um possível caminho futuro para preservar o tecido cerebral de mamíferos após o fluxo de oxigênio ser interrompido depois da parada cardíaca. Os próprios autores reconhecem que ainda não sabem sobre a possibilidade futura de recuperar a atividade cerebral normal e mais estudos são necessários para determinar isso.

A descoberta pode ter implicações importantes em casos de doações de órgãos, pois aponta que a deterioração do cérebro após a morte dos animais é mais lenta do que se pensava.

Desconstruindo o Modelo Padrão

Modelo Padrão da Física de Partículas. Fonte: Symmetry Magazine.

Por Rashmi Shivni
Publicado na Symmetry Magazine

O Modelo Padrão da Física de Partículas é frequentemente comparado à uma tabela, como a periódica, e usado para descrever as propriedades das partículas, como sua massa, carga e spin. A tabela é organizada para mostrar também como essas pequenas porções de matéria interagem com as forças fundamentais da natureza.

Mas no começo, não era uma tabela. A grande teoria de quase tudo na verdade representa uma coleção de vários modelos matemáticos que se provaram ser interpretações atemporais das leis da física.

Abaixo há um breve tour nos tópicos que essa equação monstruosa traz.

A Coisa Toda

Essa versão do Modelo Padrão da Física de Partículas é escrita no formato de Lagrangiana. A Lagrangiana é um jeito chique de escrever uma equação para determinar o estado de um sistema em movimento e explicar a máxima energia possível que o sistema pode ter.

Tecnicamente, o Modelo Padrão pode ser escrito de diversas formas, mas, fora a aparência, a Lagrangiana é uma das formas mais simples e compactas de apresentar a teoria.

Lagrangiana do Modelo Padrão. Cortesia de T.D. Gutierrez.

Seção 1

As primeiras três linhas no Modelo Padrão se referem especificamente ao glúon, o bóson que carrega a força forte, uma das quatro fundamentais da natureza. Os glúons vêm em oito tipos, interagindo entre si e possuindo o que chamamos de ‘mudança de cor’.

Descrição dos Glúons. Fonte: Symmetry Magazine.

Seção 2

Praticamente metade da equação é dedicada à explicar a interação entre bósons, principalmente entre os bósons W e Z.

Bósons são partículas que carregam a força, e há quatro espécies de bósons que interagem com outras partículas utilizando 3 das forças fundamentais. Fótons carregam o eletromagnetismo, glúons carregam a força forte (antigamente força nuclear forte) e os bósons W e Z carregam ambos a força fraca. O bóson de Higgs, descoberto recentemente, é um pouco diferente; suas interações aparecem na próxima parte da equação.

Parte do Modelo Padrão dedicada às interações entre os bósons. Fonte: Symmetry Magazine.

Seção 3

Essa parte da equação descreve como as partículas elementares da matéria interagem com a força fraca. De acordo com a forma com que essa parte é descrita, partículas materiais vêm em três gerações, cada uma com uma massa diferente. A força fraca auxilia partículas massivas de matéria à decaírem em partículas menos massivas de matéria.

Essa parte também inclui interações básicas da matéria com o campo de Higgs, a partir do qual algumas partículas elementares obtém sua massa.

O intrigante é que essa parte da equação assume algo que descobertas recentes feitas por físicos contradisseram: ela assume incorretamente que as partículas chamadas neutrinos não possuem massa.

Parte da equação que descreve como a matéria interage com a força fraca. Fonte: Symmetry Magazine.

Seção 4

Na Mecânica Quântica, não há um caminho ou trajetória definida que uma partícula pode seguir, o que significa que redundâncias aparecem às vezes nesse tipo de formulação matemática. Para sumir com essas redundâncias, os físicos teóricos utilizam partículas virtuais apelidadas de ‘fantasmas’.

Essa parte da equação descreve como as partículas de matéria interagem com os fantasmas de Higgs, artefatos virtuais do Campo de Higgs.

Como a matéria interage com os ‘fantasmas’ de Higgs, que são partículas e artefatos virtuais. Fonte: Symmetry Magazine.

Seção 5

A última parte da equação inclui mais fantasmas. Esses são chamados de fantasmas de Faddeev-Popov, e cancelam redundâncias que ocorrem nas interações que envolvem a força fraca.

Mais fantasmas, dessa vez os de Faddeev-Popov que remetem a interações na força fraca. Fonte: Symmetry Magazine.

Nota: Thomas Gutierrez é professor assistente de Física na Universidade Politécnica no Estado da Califórnia e transcreveu a Lagrangiana do Modelo Padrão para a internet. Ele derivou a Lagrangiana do documento referência em física teórica Diagrammatica escrito pelo laureado com o prêmio Nobel Martinus Veltman. Ao fazer a transcrição, Gutierrez notou um erro de sinal em algum lugar da equação. Boa sorte ao tentar achá-lo!

Não, a física quântica não sugere que a realidade objetiva não existe

Imagem: Getty.

Sobre a notícia da BBC, publicada com o título de “Existe a realidade? O experimento que indica que, no nível quântico, não há fatos objetivos”, transcrevo o comentário do astrofísico relativístico e filósofo científico Gustavo Esteban Romero:


Fatos objetivos

O experimento não estabelece que não há “fatos objetivos”. Estabelece que certos fatos dependem do sistema de referência em que são medidos. Isso não é “subjetivo”, mas relativo. Na física clássica, a mesma coisa acontece quando uma propriedade tem um valor em relação a um sistema de referência e outro diferente em outro sistema. Relativo não é igual a subjetivo.

Acrescento também que não é verdade que na teoria quântica não há “fatos”. Um fato é uma mudança em uma propriedade. A equação dinâmica estabelece precisamente como as propriedades (representadas por operadores) evoluem ao longo do tempo. Se não houvessem fatos, não haveriam equações dinâmicas.

Emaranhamento quântico

No que diz respeito ao emaranhamento quântico, é uma consequência de que as equações da mecânica quântica são lineares e, portanto, vale para elas o princípio de superposição. As equações de Maxwell também o são, e é por isso que a luz pode se sobrepor para formar, por exemplo, um laser. Na eletrodinâmica, o que é superposto são as intensidades, mas na quântica são os estados. Um sistema pode ser visto como uma mistura de estados em um marco de referência e como um estado simples em outro. Isso não significa que não exista uma realidade subjacente. O sistema tem energia em todos os sistemas de referência.


Sobre o autor

Gustavo E. Romero tem doutorado em física pela Universidade Nacional de la Plata. Atualmente, é Professor Titular de Astrofísica Relativista na Faculdade de Ciências Astronômicas e Geofísicas da UNLP e Investigador Superior do CONICET, Argentina, com lugar de trabalho no Instituto Argentino de Radioastronomia, onde dirige o Grupo de Astrofísica Relativista e Radioastronomia (GARRA). Foi presidente da Associação Argentina de Astronomia, Professor Visitante das universidades de Paris VII, Barcelona, Karlsruhe, Gunagzhou, Hong Kong e UNAM, entre outras, assim como cientista convidado em mais de 20 instituições científicas ao redor do mundo. Publicou mais de 350 artigos de ciência e filosofia e 10 livros. Seus principais interesses acadêmicos se concentram na astrofísica relativista, na filosofia científica, na cosmologia, e no cinema. Vive na cidade de La Plata, Argentina.