Dia vira “noite” em São Paulo por causa de poluição e queimadas provenientes da região amazônica

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Vista da zona norte de São Paulo com céu encoberto, garoa e frio às 16h desta segunda- feira (19). Foto: Alex Silva / Estadão.

Os moradores da capital paulista ficaram espantados, nesta segunda-feira (19/8), quando o dia virou “noite” de repente, no meio da tarde, por volta das 16h. O céu escuro, de acordo com meteorologistas, foi causado pelo acúmulo de poluição e queimadas provenientes da região amazônica.

Helena Balbino, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), explicou que o fenômeno foi causado pela convergência de massas de ar vindas de localizações diferentes, como ventos do Sudeste e do Norte. “Isso fez com que São Paulo estivesse imersa em uma nuvem com muitas partículas poluentes”, explica. Em outras palavras, as nuvens que causaram a escuridão no meio da tarde são compostas de aerossóis e partículas provenientes do excesso de poluição urbana.

De acordo com o Climatempo, a fumaça proveniente de queimadas na região amazônica, nos estados do Acre e Rondônia e na Bolívia, chegou a São Paulo pela ação dos ventos e contribuiu para a formação dessas nuvens escuras. “A fumaça não veio de queimadas do estado de São Paulo, mas de queimadas muito densas e amplas que estão acontecendo há vários dias em Rondônia e na Bolívia. A frente fria mudou a direção dos ventos e transportou essa fumaça para São Paulo”, diz Josélia Pegorim, meteorologista do Climatempo.

As informações foram parcialmente reproduzidas do Climatempo, Correio Braziliense e G1.

Novo estado da matéria promete avanços na computação quântica

Computador quântico. Crédito: IBM.

Os físicos descobriram um novo estado da matéria, um avanço que oferece a promessa de aumentar as capacidades de armazenamento em dispositivos eletrônicos e melhorar a computação quântica.

Nossa pesquisa revelou evidências experimentais de um novo estado da matéria: a supercondutividade topológica“, diz Javad Shabani, professor assistente de física da Universidade de Nova York. “Esse novo estado topológico pode ser manipulado para acelerar o cálculo em computação quântica e aumentar o armazenamento“.

A descoberta, publicada no arXiv, foi feita por Igor Zutic da Universidade de Buffalo e Alex Matos-Abiague da Universidade Estadual de Wayne.

O trabalho é centrado na computação quântica, um método que pode fazer cálculos a taxas significativamente mais rápidas do que a computação convencional. Isso ocorre porque os computadores convencionais processam bits digitais na forma de zeros e uns, enquanto que os computadores quânticos utilizam bits quânticos (qubits) para tabular qualquer valor simultaneamente entre 0 e 1, elevando exponencialmente a capacidade e a velocidade do processamento de dados.

Em sua pesquisa, Shabani e seus colegas analisaram uma transição do estado quântico de seu estado convencional para um novo estado topológico, medindo a barreira de energia entre esses estados. Eles complementaram isso medindo diretamente as características de assinatura dessa transição no parâmetro de ordem que rege a nova fase da supercondutividade topológica.

Aqui, eles concentraram suas pesquisas nas partículas de Majorana, que são suas próprias antipartículas, substâncias com a mesma massa, mas com a carga física oposta. Os cientistas veem o valor das partículas de Majorana devido ao seu potencial para armazenar informações quânticas em um espaço especial de computação, onde a informação quântica é protegida do ruído ambiental. No entanto, não há material hospedeiro natural para essas partículas, também conhecidas como férmions de Majorana. Como resultado, os pesquisadores tentaram projetar plataformas – ou seja, novas formas de matéria – nas quais esses cálculos poderiam ser realizados.

“A nova descoberta da supercondutividade topológica em uma plataforma bidimensional abre o caminho para a construção de qubits topológicos escaláveis não apenas para armazenar informações quânticas, mas também para manipular os estados quânticos que estão livres de erros“, observa Shabani.

Elon Musk relança sua proposta para terraformar Marte com bombas atômicas

Terraformação de Marte. Crédito: Daein Ballard.

O fundador da SpaceX, Elon Musk, relançou sua proposta de que um bombardeio em Marte com mísseis nucleares poderia contribuir para a sua terraformação, aquecendo a superfície do gelado planeta Vermelho.

Em sua conta no Twitter, Musk divulgou no dia 15 de agosto a breve mensagem “Nuke Mars”, seguida por outro tweet com a imagem de algumas camisetas com esse slogan. Ele até colocou esse lema como foto de perfil.

Há quatro anos, Musk participou do The Late Show with Stephen Colbert e discutiu uma estratégia para tornar o planeta vermelho mais habitável: detonar bombar nucleares em seus polos. As explosões vaporizariam boa parte das camadas de gelo de Marte, liberando vapor de água e dióxido de carbono suficientes, ambos gases potentes do efeito estufa, para aquecer substancialmente o planeta, de acordo com a ideia.

No entanto, essa ideia tropeça no ceticismo de muitos cientistas, que questionam não apenas a capacidade tecnológica de que o ser humano consiga enfrentar esse desafio com a tecnologia disponível, mas também a dimensão ética de intervir em um planeta nesse nível.

Há também ressalvas sobre a efetividade da iniciativa. Um estudo de 2018, publicado na prestigiada revista Nature Astronomy, concluiu que Marte não contém CO₂ suficiente hoje para alcançar um aquecimento significativo. “Como resultado, concluímos que a terraformação de Marte não é possível utilizando a tecnologia atual”, escreveram os pesquisadores.

Mas o conceito nuclear poderia ser pior do que apenas ineficaz, disseram alguns cientistas. Ou seja, poderia contraproducente, dando lugar a um “fenômeno conhecido como ‘inverno nuclear‘ (semelhante ao impacto de um asteroide que matou os dinossauros), no qual tanta poeira e partículas seriam geradas que literalmente bloqueariam uma parte significativa da luz solar, esfriando o planeta”, disse o cientista climático Michael Mann, da Penn State University, ao US News and World Report por e-mail em 2015.

Modelo 3D da Via Láctea confirma: nossa galáxia é deformada e distorcida

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Vistas superiores da Via Láctea mostram dados simulados (à esquerda) e as posições observadas das Cefeidas. Créditos: J. Skowron / OGLE / Observatório Astronômico da Universidade de Warsaw.

Uma pesquisa publicada na revista Science apresentou um belíssimo modelo 3D da população de estrelas conhecidas como Cefeidas, que são estrelas jovens pulsantes, massivas, que brilham mais do que o Sol em nossa galáxia. Usando dados do Optical Gravitational Lensing Experiment (OGLE), os pesquisadores da Universidade de Varsóvia realizaram um levantamento a partir do Observatório Las Campanas no Chile, conseguindo selecionar 2.431 cefeidas através do gás e poeira da Via Láctea e utilizaram para fazer um mapa da galáxia.

Dorota Skowron, principal autora do estudo e astrônoma da Universidade Wroclaw, afirmou que o projeto OGLE realizou observações do disco galáctico da Via Láctea durante seis anos, coletando 206.726 imagens do, céu contendo 1.055.030.021 estrelas. No interior, eles encontraram a população de cefeidas, que são particularmente úteis para traçar o mapa pois seu brilho flutua com o tempo, o que permite os cientistas observarem quão brilhante a estrela é, de fato, e o quão brilhante ela se parece para nós na Terra. Essa diferença permite identificar a distância que uma estrela se encontra do Sol, por exemplo.

A equipe produziu um modelo 3D da galáxia, confirmando pesquisas que demonstraram anteriormente que a galáxia é distorcida em suas bordas. Eles também foram capazes de determinar a idade da população de cefeidas, com estrelas jovens localizadas mais próximas do centro do disco galáctico e estrelas mais velhas posicionadas mais longe, perto da borda.

Ao simular a formação de estrelas no início da Via Láctea, a equipe mostrou como a galáxia pode ter evoluído nos últimos 175 milhões de anos, com explosões de formação estelar nos braços espirais, resultando na distribuição atual de cefeidas variando entre 20 milhões e 260 milhões de anos.

“Esperamos que o nosso trabalho seja um excelente ponto de partida para uma modelagem mais sofisticada do passado da Galáxia”, diz Skowron. “Nossas cefeidas são um ótimo teste para verificar a confiabilidade de tais modelos”.

A nova pesquisa segue um estudo da Nature Astronomy, publicado em fevereiro, que analisou 1.339 cefeidas e também criou um dos mapas 3D mais abrangentes da Via Láctea, que mostrou que a nossa galáxia é torcida em suas bordas.  Os dois estudos mostram resultados muito semelhantes, especialmente no que diz respeito à natureza estranha das bordas distorcidas da Via Láctea. No entanto, ainda há dúvidas sobre esse fenômeno.

“Nosso mapa mostra que o disco da Via Láctea não é plano. É deformado e torcido longe do centro galáctico”, disse o coautor Przemek Mroz. “Esta é a primeira vez que podemos usar objetos individuais para mostrar isso em três dimensões”. A causa da curvatura ainda é desconhecida.