E se Marte estivesse no lugar da Lua?

Créditos da Imagem: Hashem AL-ghaili - Sci-Tech.

Como Marte ficaria em nosso céu se ele aparecesse no lugar de nossa Lua. Você também pode ver a Lua sobre essa perspectiva.

O raio marciano tem cerca de 3.390 quilômetros. A distância mínima da Terra para Marte é cerca de 54,6 milhões de quilômetros. A distância entre eles é cerca de 401 milhões de quilômetros. A distância média de Marte é de cerca de 225 milhões de quilômetros.

O raio lunar tem cerca de 1.737,1 quilômetros. Em seu ponto mais próximo, conhecido como perigeu, a Lua fica a uma distância de 363.104 quilômetros. E no seu ponto mais distante, chamado apogeu, a Lua fica a uma distância de 406.696 quilômetros. A distância média da Lua é de cerca de 384.403 quilômetros.

Tradução de um texto publicado na Sci-Tech.

Entendendo os mecanismos de formação de metano na Terra primitiva

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Hidrotermal
Representação gráfica da Terra de 4 bilhões de anos atrás. Alguns pesquisadores defendem a tese que a Terra foi quase totalmente coberta de água; assim permitindo a diluição de compostos e permitindo a origem da Vida em hidrotermais.

Os compostos orgânicos são baseados na química do carbono. O metano (CH4) é o composto orgânico estável mais simples existente na natureza. Os cientistas acreditam que alguns cenários da Terra primitiva houvesse formação de metano mesmo na ausência de organismos.

 Sabemos atualmente que o metano é o produto de degradação de alguns microrganismos, mas também pode ser produzido por vias abióticas, ou seja, por processos geológicos. Uma possível rota (abiótica) de formação do metano é a partir da água (H2O) e hidrogênio (H2). A reação envolvida nessa caso seria do tipo Fischer-Tropsch (FT), sendo ser representada resumidamente pela equação: CO2 + 4H2 = CH4 + 2H2O. O que fica evidente é que, uma vez que tenha ocorrido a formação de hidrogênio – uma possibilidade é a partir da decomposição água através de fotoquímica causada por fonte de radiação ultravioleta (certamente mais intensa no período da Terra primitiva) – este reage com o dióxido de carbono presente no ambiente e forma metano. Simulações de hidrotermais em laboratório já demonstraram a possibilidade de reações desse tipo em temperaturas maiores que 200 °C [Fu e colaboradores, 2007]

Nos últimos anos têm sido proposto novas possibilidades de geração de metano por via abiótica, como as que envolvem baixas temperaturas (menor que 150 °C). Cálculos termodinâmicos têm apoiado essa hipótese, e se baseiam em processos de hidratação desde que exista uma fonte de carbono. Estudos envolvendo minerais como olivina têm sido promissores para essa rota de obtenção de metano abiótico [Oze & Sharma, 2005]. Ao contrário das reações do tipo FT, esse tipo de processo não requer moléculas de hidrogênio presentes no ambiente para a geração de metano [Suba e colaboradores, 2014].

hidrotermal
Um exemplo de fonte hidrotermal atual emitindo dióxido de carbono. Localizado aos arredores do vulcão submarino Eifuku (Japão).

No recente trabalho desenvolvido por Suda e colaboradores, foi realizada uma comparação de diferentes amostras coletadas em locais distintos da fonte hidrotermal Hakuba Happo (Japão). Nessa região há a formação de serpentinita (constituída por olivina), uma rocha que resulta de processos geoquímicos. Essas hidrotermais são consideradas modelos de ambientes pré-bióticos, nos quais puderam ter ocorrido síntese de material orgânico há bilhões de anos atrás.

 A novidade da pesquisa realizada por Suda e colaboradores é lançar luz sobre os prováveis mecanismos de formação abiótica do metano em sistemas hidrotermais. Segundo o pesquisador do instituto de tecnologia de Tóquio, os detalhes desse processo ainda não tinham sido satisfatoriamente compreendidos.

Em síntese, o que os pequisadores fizeram foi medir o pH e temperatura, bem como o conteúdo de gás e de íons das amostras de água tanto em termos de concentração e proporção de diferentes isótopos dos constituintes químicos (diferentes isótopos do mesmo elemento químico diferem-se quanto oo número de neutros no núcleo). Cada reação resulta uma razão isotópica diferente porque a taxa de reação de cada isótopo é diferente dependendo do processo.

 A maneira mais convencional de discriminar a origem do metano é através da razão isotópico dos átomos presentes no hidrogênio, metano e água. Estudos prévios mostram que há uma faixa na qual pode-se inferir se o foi metano produzido a partir de fixação do dióxido de carbono na água (ou seja, reação do tipo FT). Assim, através de uma série de caracterização isotópica de regiões distintas da fonte hidrotermal Hakuba Happo, o grupo de pesquisadores descobriram valores inesperados para a relação entre diferentes isótopos do metano e hidrogênio molecular dissolvido na água.

A conclusão geral dos investigadores é de que a provável que a fonte de metano seja a partir da água e não do hidrogênio. Assim, isso aponta para um mecanismo de hidratação da olivina em detrimento de reações de FT. Ainda assim, os autores reconhecem a necessidade de estudos experimentais com baixas temperaturas para suportar suas hipóteses.

 Vale salientar que a produção abiótica de metano através de reações de hidratação pode ser um dos mecanismos no qual esse hidrocarboneto é gerado em Marte. Recentes trabalhos [Oze & Sharma, 2005] apontam para a existência de metano no planeta vermelho, e embora alguns defendam a tese que isso pode ser uma evidência indireta da presença de microrganismos, o debate sobre o assunto ainda não está encerrado; assim, entender melhor os mecanismos de formação abiótica do metano auxilia não apenas para entender os possíveis caminhos de formação das moléculas orgânicas na Terra primitiva, mas também lança luz sobre a possibilidade dessas mesmas moléculas surgirem na superfície de outros ambientes rochosos espelhados pelo sistema solar.

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Referências

 – Artigo  principal

 Suba, K. et al, Origin of methane in serpentinite-hosted hydrothermal systems: The CH4–H2–H2O hydrogen isotope systematics of the Hakuba Happo hot spring. Earth and Planetary Sci Letters, 386 (2014):112–125

 – Artigos Auxiliares

 Fu, Q. et al, Abiotic formation of hydrocarbons under hydrothermal conditions: constraints from chemical and isotope data Feochim. Cosmochim. Acta, 71 (2007): 1982–1998

 Oze, C.; Sharma, M. et al, Have olivine, will gas: Serpentinization and the abiogenic production of methane on Mars Geophys. Res. Lett., 32 (2005):276-299

 – Na mídia

 Science Daily

Qual é o problema de estarmos sozinhos no universo?

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Toda pessoa, seja criança ou adulta, já se pegou em algum momento olhando para o céu e imaginando se em alguma estrela perdida por aí existe um planeta com seres como nós. Isso não é só uma dúvida de crianças ou adultos, mas é um assunto que mobiliza os melhores cientistas e pensadores que existem ou já existiram. Nesse artigo não vou abordar a possibilidade de vida em outros planetas, mas olharei sob um outro aspecto: quais seriam as implicações de sermos únicos no Universo?

The_Earth_seen_from_Apollo_17Não existe nenhum problema se olharmos pelo ponto de vista do Universo. Ele existe e continuará existindo independente de nós. Nesse caso somos apenas hospedeiros de uma imensa nave cósmica chamada Terra. Nossas ações, pensamentos ou descobertas nada interferem na dinâmica cósmica. O problema de estarmos sozinhos no Universo é exclusivamente humano e até um pouco antropocêntrico. Pense o seguinte: embora as probabilidades de outras formas de vida existirem sejam altas, até agora estamos sozinhos. Ou seja, possuímos um diferencial que até agora nos torna únicos. Estamos cuidando bem para que esse diferencial realmente seja aproveitado?

Como eu disse antes, esse problema pode envolver um pouco de antropocentrismo. Pessoalmente não vejo mal em utilizar um pouco de pensamentos antropocêntricos (gostamos de colocar o ser humano como centro de tudo) como uma forma de proteger a espécie, mas basta olhar um pouco os noticiários para perceber que não estamos cuidando como deveríamos de tudo o que é nosso. A vida propriamente dita é uma coisa rara, é uma exceção, não uma regra. Sabemos, por exemplo, que o aquecimento global está acontecendo e que pode ser uma ameaça à nossa espécie, mas o esforço de poucos para alterar o quadro não é o suficiente para convencer grandes corporações e governos de que estamos aos poucos destruindo nosso ecossistema. Também não é novidade que o consumismo desenfreado criado pelo sistema capitalista do início do século XX nos obriga a sempre desgastar ecossistemas em busca de matéria-prima.

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Felizmente conseguimos sair vivos de um período que poderia ser a nossa extinção: a guerra fria. Como dito por Carl Sagan, talvez olharemos de volta para a guerra fria no futuro e a veremos como a quase extinção da espécie humana por armas nucleares. Quem sabe se os governantes da época estivessem um pouco mais preocupados ou até mesmo conscientizados sobre a raridade da vida não teriam posto uma civilização inteira em risco. É aí que entra a necessidade e emergência de pensarmos como se fôssemos os únicos no universo. Não faz sentido desgastar o ambiente em que nossos filhos viverão se propostas de sustentabilidade já se mostraram eficientes. Tampouco faz sentido permitir que tais propostas de sustentabilidade sejam engavetadas para que grandes corporações continuem devastando e dificultando a propagação de vida na Terra.

Nós, como humanos e até como (por enquanto) os únicos do universo devemos tratar melhor essa questão. Nosso planeta abriga uma exceção, precisamos agir como tal. Dizem que é uma característica humana esperar até o último momento para resolvermos nossos problemas ou realizarmos tarefas. Seria uma pena se o último momento fosse tarde demais.observing-the-sky

Qual é o problema de estarmos sozinhos? Se realmente estivermos sozinhos, não estamos fazendo o suficiente para garantir que a vida seja mantida a salvo. O velho discurso de cada um faça a sua parte” faz sentido quando aplicado a populações. Talvez esteja na hora de pensarmos e agirmos como se fôssemos uma só civilização, sem distinção de país, raça, língua ou conhecimento, fazendo jus a nossa raridade como seres vivos.

Novo Trailer Oficial da Série Cosmos: Uma Odisseia no Espaço, com Neil deGrasse Tyson

Crédito da Imagem: Fox e National Geographic.

Quem está ansioso para o lançamento da nova série Cosmos com Neil deGrasse Tyson? Eu estou, é claro!

Segundo a National Geographic, “Cosmos: Uma Odisseia no Espaço” irá inventar novas narrativas científicas de maneira a revelar a imensidão do universo e reinventar elementos míticos da série original (com Carl Sagan), incluindo o calendário cósmico (Cosmic Calendar) e o nave espacial da imaginação (Ship of the Imagination).

Unindo ceticismo e pensamento crítico, e interligando a ciência rigorosa com elementos visuais e emocionais, esta será uma experiência de outro mundo – a visão do cosmos na sua imensa escala tal como a conhecemos.

E para animar esse fim de semana, a FOX acaba de liberar o novo trailer da série “Cosmos: Uma Odisseia no Espaço” que estreará na FOX e na National Geographic, dia 9 de Março de 2014. Se você ainda não viu o primeiro trailer, clique aqui.


Notícia divulgada na National Geographic com o título Cosmos: Uma Odisseia no Espaço.