Neil deGrasse Tyson para reiniciar a série “Cosmos” de Carl Sagan

A Fox está olhando para as estrelas, literalmente.

Em sua apresentação realizada na segunda-feira passada no Beacon Theatre, em Nova York, a rede anunciou planos para reiniciar a série “Cosmos”, de Carl Sagan, um documentário maciçamente popular. A nova versão terá 13 episódios, que irão ao ar em meados de 2014.

A equipe inclui, Seth MacFarlane, produtor executivo, o criador, produtor, co-estrela, “espírito animador” da “Family Guy”, e será organizada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, Ann Druyan, viúva de Carl Sagan, e colaboradora na série original, e um convidado do popular “The Daily Show”.

No vídeo, o astrofísico fala sobre o remake da série Cosmos de Carl Sagan, e questões mais amplas da ciência atual.

Quando foi ao ar há 33 anos, “Cosmos” tornou-se a série de maior audiência na PBS (por 10 anos). Apresentado por Carl Sagan, a série explorou temas como a ameaça de guerra nuclear, o Big Bang, ea possibilidade de vida em Marte. A maior coisa que aconteceu para PBS foi a série “Cosmos”, disse Kevin Reilly, presidente da Fox Entertainment.

Fontes:

  1. Los Angeles Times.
  2. The New York Times.
  3. The Skeptics Guide To The Universe.

Jovem brasileiro se inscreve para fazer viagem sem volta a Marte

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Crédito da Imagem: Caetano Julio Neto.

Por Mario Bentes
Publicado no Jornal GGN

Um dia após a abertura das inscrições do projeto “Mars One”, que tem como meta realizar, até o ano de 2023, uma arriscada viagem tripulada com o objetivo de colonizar o árido planeta Marte, um brasileiro de São Paulo resolveu por seu nome à disposição dos holandeses responsáveis pelo projeto para ser um dos integrantes da missão. O paulistano Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira, de 22 anos, usou as redes sociais para divulgar, nesta terça-feira (23), a confirmação de sua inscrição no projeto.

Além de representar o primeiro intento humano presencial no planeta vermelho – o máximo que foi feito até agora foi o envio de sondas e rovers pela NASA –, a missão “Mars One” tem uma peculiaridade: a viagem não terá volta. Isso porque uma grande operação de ida e volta encareceria ainda mais o projeto, que tem orçamento previsto de US$ 6 bilhões. Uma vez em Marte, os 24 astronautas selecionados (divididos em equipes de 4) deverão viver no planeta e iniciar os passos para a colonização.

Outro fator que chama atenção: todo o processo pós-seleção dos 24 integrantes será transmitido mundialmente, em uma espécie de reality show. O objetivo é manter a atenção mundial ao projeto e, assim, obter mais recursos. Quem explica é o holandês Bas Lansdorp, cofundador do Mars One, em coletiva de imprensa realizada no último dia 22, em Nova York. Na ocasião, ele disse que o primeiro dia de inscrições recebeu mais de 10 mil e-mails de cem países de interessados em participar.

Estudante de astronomia e envolvido em atividades relacionadas a divulgação científica, Douglas afirma que a missão se trata de uma “oportunidade única na vida” e que, mesmo sem nenhum tipo de apoio da família – que diz que o jovem está carimbando o “passaporte para a morte” –, ele acredita no potencial da missão enquanto adota, ao mesmo tempo, uma visão cética sobre a questão: “se não der certo hoje, basta continuar tentando. Dará certo amanhã, a humanidade é assim”.

GGN – O projeto Mars One deixa claro que se trata de uma viagem sem volta ao planeta Marte com o objetivo de iniciar a colonização. O que levou você a se interessar no projeto?

Douglas Rodrigues – É uma oportunidade única na vida, conhecer outro planeta. Seria um feito extraordinário na história da ciência, igual ou ainda mais grandioso do que quando Neil Armstrong pisou na Lua. Eu tenho vontade de conhecer outras partes deste incrível Universo. Desde pequeno já sonhava em ser astronauta e seria fantástico ver a própria Terra de um ângulo diferente, nosso pálido ponto azul.

Na antiguidade, nos séculos que se passaram, os homens que mudaram a história da civilização, não foram aqueles que mantiveram o sistema funcionando. Claro, eles eram extremamente necessários. Mas os que mudaram a sociedade foram os heróis, os conquistadores. E o que eram essas pessoas, se não o ser humano comum, porém com coragem o suficiente para ir mais além do que todos os outros jamais sonhariam?

Minha vontade é ser um desses que irá além das fronteiras estabelecidas. Existem diversas maneiras de fazer isso na Terra, mas que maneira seria mais épica do que pisar nas areias de Marte?

GGN – Outro ponto que consta no projeto é que haverá uma seleção e que todo o processo será transmitido ao resto da Terra, incluindo treinamento, viagem e demais passos. É como se fosse um reality show. Acha que, do ponto de vista científico, esta espetacularização é interessante?

Douglas – Olha, existem várias maneiras de visualizar esses fenômenos sociais da comunicação, como o BBB. Podemos considerá-lo “só um reality show”, mas também podemos vê-lo por tudo o que representa enquanto estrutura da mídia. Os reality shows são mais uma invenção humana que, como tantas outras, traz pontos negativos, mas também pontos positivos. Na sociedade do espetáculo, convivemos com essas invenções. A partir disso, nós temos três opções: ignorá-las, desprezá-las ou ver o que elas têm a nos oferecer.

No caso do “Mars One”, nos deparamos com um feito sem precedentes: a oportunidade de prover ao povo o acompanhamento midiático de uma conquista e toda a sua história. Seria como filmar a conquista das Américas, ouvir no rádio “Terra à vista!” quando os navios se aproximavam das areias das praias brasileiras.

E mais do que isso! Hoje temos a noção de que os homens nos navios de Cabral, Colombo, Américo, todos eles tiveram de se preparar de alguma maneira. Mas imagine se todo o processo nos fosse apresentado de maneira detalhada? É uma forma de, finalmente, criar um documento histórico com uma versão extremamente extensa do processo de conquista e exploração, há muito tempo esperada.

E é claro, seria portanto uma grande novidade, muito mais grandiosa do que o próprio “Big Brother”, e devemos dar importância à diferença fundamental: isso daria uma visibilidade maior para a ciência (e uma visibilidade muito devida, que todos os cientistas esperam faz tempo), quem sabe a partir de uma transmissão desse nível, para um público leigo em questões científicas. Poderíamos, de alguma forma, abrir mais as mentes das pessoas em relação à ciência e à tecnologia.

É como Carl Sagan, que eu considero um grande mentor na minha vida, diria para eu fazer. Ele fez com seu programa Cosmos, na televisão, o que eu estarei fazendo presencialmente.

GGN – Sendo alguém que costuma agir de forma cética, como fez para saber as reais intenções científicas do projeto? Que referências buscou? Acredita que o “Mars One” tem base científica para levar um nave tripulada para Marte em segurança e que há condições de manter seres humanos no planeta?

Douglas – Em qualquer projeto é preciso que haja pessoas dispostas a serem as primeiras a fazer e a testar possibilidades, uma característica imanente do método científico. As referências que eu busquei sobre o projeto “Mars One” mostraram que o foco principal do projeto é colonizar Marte.

Se isso vai dar certo ou não, se faz ainda necessário o teste. Temos que tentar descobrir se essa hipótese é verdadeira ou falsa, com a nossa tecnologia atual. Quero dizer, todos sabemos que o tempo passa, a tecnologia avança. Sabemos que colonizações começam com cabanas no meio do mato e terminam em megacidades espalhadas por um país.

A análise cética que podemos fazer seria do quão viável é esta empreitada com a tecnologia e conhecimento possuído por nós nesse presente momento da civilização. Por outro lado, se não der certo hoje, basta continuar tentando. Dará certo amanhã. A humanidade é assim, insistente.

Eu acredito que o projeto tem bases científicas consistentes para realizar um evento desse nível. Eles possuem o apoio de agências espaciais de porte para adquirir os equipamentos necessários e realizar a missão. Agora, se vai dar certo manter seres humanos vivendo em Marte, eu devo confessar que estou bem cético em relação a isso, mas nada que tire a minha vontade de chegar aonde nenhum humano jamais chegou.

GGN – E o que sua família achou da ideia? Eles apoiam sua empreitada? Caso eles não tenham aceitado a ideia, que argumento você usou para embasar sua inscrição?

Minha família não aceitou a ideia e não a apoia de forma alguma. Eles argumentam que estou “carimbando meu passaporte para a morte”. O que eu digo a eles é que de qualquer forma, nada dura para sempre. Nossas vidas nesse pixel da galáxia são ínfimas, em tempo e também em importância perante o Universo. Até mesmo a nossa principal fonte de energia, o Sol, um dia vai morrer.

Acredito que devemos viver a vida tentando sempre realizar os nossos sonhos, independentemente do risco. Não existe um significado imposto pelo universo sobre as nossas vidas. O sentido da nossa existência, o motivo que norteia as nossas experiências, somos nós mesmos que damos. Se nós nos impedirmos de agir, sempre pensando no lado negativo das coisas, provavelmente a humanidade jamais chegaria aonde chegou. Quantos navios naufragaram antes de atingir as terras, hoje conhecidas como Brasil?

GGN – Caso você seja aprovado na seleção e passe nos treinamentos, sendo um dos membros da tripulação em definitivo, o que você diria ao por os pés em Marte?

Douglas – “Mais um pequeno passo para um homem, outro salto gigantesco para a humanidade” – em homenagem às sábias palavras de Neil Armstrong (primeiro homem a pisar na lua, pela missão Apollo 11, em junho de 1969).

Introdução à Astrobiologia

Crédito da Imagem: NASA.

O QUE É ASTROBIOLOGIA?

A astrobiologia é o estudo da origem, evolução, distribuição, e o futuro da vida no Universo: a vida extraterrestre e vida na Terra. Este campo interdisciplinar inclui a busca de ambientes habitáveis no nosso Sistema Solar e planetas habitáveis fora do nosso Sistema Solar, a busca de evidências da química pré-biótica, laboratórios e pesquisas de campo sobre as origens e evolução inicial da vida na Terra, e estudos relacionados ao potencial de vida na Terra e no espaço. A astrobiologia busca abordar questões importantes como: Existe vida fora da Terra? Se sim, como podemos detectá-la?

ASTROBIOLOGIA É CIÊNCIA?

Crédito da Imagem: Centro de Astrobiología.
Crédito da Imagem: Centro de Astrobiología.

Não há registros publicamente conhecidos e amplamente propagados da existência de vida extraterrestre ao longo da história, o que pode soar como um problema em estabelecer uma ciência da astrobiologia. Porém, nos últimos 20 anos, os cientistas encontraram indícios de que a vida pode ser bastante comum no universo, e muitos estão esperançosos de que em breve encontrarão provas de vida fora da Terra.

Algumas dicas vêm da vida terrestre. Biólogos descobriram muitas espécies de extremófilos, que são microorganismos que se desenvolvem em ambientes extremos, como lagos alcalinos, e fissuras da rocha no subsolo. A vida por ter se originado no fundo do oceano em torno de fontes hidrotermais, podem ser características comuns de outros planetas e luas. E os traços químicos do metabolismo aparecem em rochas logo após os ferozes bombardeios por meteoritos na Terra, o que implica que a vida pode ser capaz de começar rapidamente e facilmente.

Meteoritos de Marte ocasionalmente atingiram a Terra. Bactérias ou seus esporos provavelmente podem sobreviver à viagem no espaço, apesar do frio e da radiação intensa, o que significa que a vida primitiva pode um dia ter sido trazida de outros planetas do Sistema Solar, tal hipótese é chamada de panspermia.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ASTROBIOLOGIA E EXOBIOLOGIA?

Crédito da Imagem: NASA.
Crédito da Imagem: NASA.

Muitos confundem astrobiologia com exobiologia, mas a verdade é que, apesar da definição ser quase semelhante, é uma área mais específica e, portanto limitada. Exobiologia abrange a busca de vida fora da Terra, e os efeitos de ambientes extraterrestres em seres vivos, enquanto que a astrobiologia é mais ampla, e investiga a ligação entre a vida e o Universo, que inclui a busca por vida extraterrestre, mas também inclui o estudo da vida na Terra, sua origem, evolução e limites.

Outro termo usado no passado é xenobiologia, (“biologia dos extraterrestres”) uma palavra usada em 1954, pelo escritor de ficção científica Robert Heinlein em seu trabalho The Star Besta. O termo xenobiologia agora é usado em um sentido mais especializado, que significa “biologia baseada em química alienígena”, seja de origem extraterrestre ou terrestre (possivelmente sintética).

Embora seja um campo emergente e em desenvolvimento, a questão de saber se existe vida em outros lugares do universo é uma hipótese verificável e, portanto, uma linha válida de investigação científica. Embora uma vez considerada fora do “rol” da pesquisa científica, a astrobiologia tornou-se um campo de estudo formal. O cientista planetário David Grinspoon chama a astrobiologia de um campo da filosofia natural, aterrando a especulação sobre o desconhecido, em teoria científica conhecida.

O interesse da NASA em exobiologia começou com o desenvolvimento do programa espacial dos EUA. Em 1959, a NASA financiou seu primeiro projeto de pesquisa em exobiologia, e em 1960, a NASA fundou o programa Exobiologia; o antigo programa de Exobiologia é agora um dos quatro elementos-chave do programa atual da NASA em Astrobiologia. Em 1971, a NASA financiou o Programa SETI (Busca por Vida Extraterrestre Inteligente) para procurar frequências de rádio do espectro eletromagnético que possivelmente estariam sendo transmitidos por vida extraterrestre fora do Sistema Solar. A missão Viking da NASA, que tinha como objetivo a ida para Marte, foi lançada em 1976, e incluindo três experiências biológicas projetadas para procurar possíveis sinais de vida em Marte. A sonda Mars Pathfinder, em 1997, carregava uma carga útil científica destinada à exopaleontologia na esperança de encontrar fósseis microbianos nas rochas marcianas.

No século 21, a astrobiologia se tornou o foco de um número crescente de missões de exploração da NASA e da Agência Espacial Europeia do Sistema Solar. O primeiro seminário europeu sobre astrobiologia ocorreu em maio de 2001, na Itália, e o resultado foi o programa Aurora. Atualmente, a NASA mantém o Instituto de Astrobiologia da NASA e um número demasiadamente grande de universidades nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Irlanda e Austrália, que são oferecidos programas de pós-graduação em astrobiologia. A União Astronômica Internacional organiza regularmente conferências internacionais por meio de sua Comissão de Bioastronomia.

ASTROBIOLOGIA NO SÉCULO XXI

Crédito da Imagem: New Scientist.
Crédito da Imagem: New Scientist.

Os avanços nos campos da astrobiologia, astronomia observacional e a descoberta de grandes variedades de extremófilos com extraordinária capacidade de viver em ambientes mais extremos na Terra, levaram à especulação de que a vida pode, eventualmente, ser próspera em muitos dos corpos extraterrestres no Universo. Um foco particular da pesquisa em astrobiologia, é a busca de vida em Marte devido à sua proximidade com a Terra e história geológica. Há um crescente corpo de evidências que sugere que Marte já teve uma considerável quantidade de água em sua superfície, e sabemos, por exemplo, que a água é considerada um precursor essencial para o desenvolvimento da vida baseada em carbono.

Algumas das missões que foram especificamente projetadas para procurar por vida em Marte são os programas Viking e Beagle 2. Os resultados da Viking foram inconclusivos, enquanto a Beagle 2 não conseguiu transmitir a partir da superfície e se presume ter caído. Algumas missões futuras estão sendo planejadas para as geladas luas de Júpiter, em especial, Europa, onde pode ter água em estado líquido debaixo de sua superfície gelada.

Em novembro de 2011, a NASA lançou a Mars Science Laboratory (MSL), apelidado de Curiosity, que pousou em Marte na cratera Gale, em agosto de 2012. Os objetivos da Curiosity incluem uma investigação do clima marciano e sua geologia; avaliar se o ambiente já ofereceu condições ambientais favoráveis para a vida microbiana, incluindo a investigação do papel da água; e habitabilidade planetária.

A Agência Espacial Europeia está atualmente colaborando com a Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos) no desenvolvimento do rover ExoMars, que deve ser lançado em 2018.

VIDA EXTRATERRESTRE INTELIGENTE

Crédito da Imagem: SETI.
Crédito da Imagem: SETI.

E quanto à vida inteligente? A equação de Drake prevê quantas civilizações na galáxia estão atualmente tentando se comunicar conosco, embora alguns fatores na equação são conjecturas quase pura.

Os otimistas enfrentam o paradoxo de Fermi: se civilizações são comuns, então por que nós não os vemos? Os cientistas passaram mais de 40 anos na busca por inteligência extraterrestre (SETI), usando telescópios de rádio para ouvir as transmissões das estrelas. E a Allen Array está sendo construído especificamente para o efeito. Outros astrônomos do SETI estão usando telescópios ópticos para procurar “sinais” de laser. Alguns especialistas acham que devemos procurar estruturas espaciais gigantes ou “Message in a Bottle” (Mensagem em Garrafa) em seu lugar.

Sem sorte até agora, mas provavelmente vamos encontrar alguns sinais estranhos antes de sintonizar na “TV alienígena”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. ESA. First European Workshop on Exo/Astrobiology. (2001).
  2. ESA. ExoMars: ESA and Roscosmos set for Mars Missions. 14 de Março de 2013.
  3. Harold P. Klein. et al. Science. The Viking Biological Investigation: Preliminary Results. 1 de Outubro de 1976.
  4. Markus Schmidt. BioEssays. Xenobiology: A New Form of Life as the Ultimate Biosafety Tool.
  5. Mars Express. Possible Evidence Found for Beagle 2 Location. 21 de Dezembro de 2005.
  6. NASA. About Astrobiology. 15 de Janeiro de 2014.
  7. NASA. NASA’s Next Mars Rover to Land at Gale Crater. 22 de Julho de 2011.
  8. Robert W. Graham. et al. NASA. Extraterrestrial Life in the Universe. Fevereiro de 1990.
  9. Science. ESA Embraces Astrobiology. 1 de Junho de 2001.
  10. Science. Exploring Martian Habitability.
  11. Science. Xenobiology. 21 de Julho de 1961.
  12. Stephen Battersby. New Scientist. An Introduction to Astrobiology. 04 de Setembro de 2006.

Morte magnética deixa secos exoplanetas parecidos com a Terra

Publicado na New Scientist

Aparentemente, nos exoplanetas habitáveis podem estar faltando uma blindagem magnética, deixando-os expostos à radiação.

Para suportar a vida como a conhecemos, os planetas precisam de uma determinada espessura, ambientes ricos em água, e água em estado líquido na superfície. Essas condições têm sido até agora só especuladas, baseando-se principalmente na distância de um planeta em relação a sua estrela.

Mas a água teria se dividido (teria dividido o vapor de água em hidrogênio, que escaparia para o espaço, e oxigênio, que poderia ir para formar o dióxido de carbono do gás de efeito estufa) devido aos ventos estelares, a menos que o planeta tenha um forte campo magnético, apontam Jorge Zuluaga e seus colegas da Universidade de Antioquia na Colômbia. Marte e Vênus não tem campos magnéticos, e sabe-se que os ventos estelares (solares) arrancaram a maior parte da atmosfera de Marte, enquanto Vênus ficou com maior parte do dióxido de carbono, tornando-se tóxico.

Um campo magnético também protegeria os habitantes da superfície da um planeta da perigosa radiação estelar.

Período de Arrefecimento

Um núcleo fundido ajuda a gerar um campo magnético, e a equipe calculou quanto tempo levaria para um planeta rochoso esfriar-se fazendo que o dínamo magnético parasse de funcionar.

Eles, então, verificaram três exoplanetas potencialmente habitáveis: Gliese 581d, HD 40307g e GJ 667Cc. Os dois primeiros podem ter apenas campos magnéticos não muito fortes, mas o terceiro está condenado.

Zuluaga sublinha a importância de se considerar os campos magnéticos quando se pensa em um planeta com um bom lugar para se viver. “Se queremos avaliar melhor a possível habitualidade de um planeta, é preciso de mais informação, não só a distância até a estrela.”