Como os pulsares são usados para identificar a nossa posição no espaço?

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Artigo traduzido do site Space Answers.

Pulsares poderiam efetivamente agir como os satélites de GPS de exploração do espaço profundo, devido à facilidade com que podem ser localizados e identificados. Sendo um tipo de estrela de nêutrons – os restos densos de uma estrela grande que atingiu o fim da sua vida – eles emitem pulsos de radiação com um período muito regular e direcionado, tornando-os fáceis de identificar.

Uma estrela de nêutrons.
Uma estrela de nêutrons.

Isso significa que uma nave no espaço profundo poderia usar a localização do Sol, juntamente com pelo menos três pulsares, para triangular sua posição no cosmos. (É essa a técnica usada pela sonda Voyager para ajudar os nossos possíveis ”vizinhos” na galáxia a encontrar o Sol e nosso planeta Terra).

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O disco de ouro da sonda Voyager contém a localização dos pulsares mais próximos do Sol, o que facilita o trabalho dos nossos possíveis ”vizinhos” na galáxia para nos encontrar na imensidão do espaço.

Apesar de o Sol não ser tecnicamente estacionário no espaço, isso pode ser corrigido, permitindo que os pulsares orientem a espaçonave da mesma forma que o GPS orienta nossos carros.

Dian Fossey – A mulher que vivia sozinha na montanha

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Dian Fossey nasceu em 16 de Janeiro de 1932 na cidade de São Francisco, Califórnia. Desde criança sempre foi apaixonada pelos animais e chegou a iniciar a graduação em veterinária na Universidade da Califórnia, porém ela se transferiu para a San Jose State College onde cursou terapia ocupacional obtendo o bacharelado em 1954. Passou a morar em uma fazenda em Louisville, Kentucky, onde se tornou diretora em um hospital infantil em 1955. Mas sua vida estaria prestes a mudar com a decisão de fazer uma viagem à África.

Utilizando todas suas economias e solicitando um empréstimo bancário, em Setembro de 1963, Fossey embarca para uma viagem ao continente Africano. Durante a viagem ela conhece Mary Leakey e seu marido Louis Leakey, duas figuras importantíssimas na ciência com descobertas e trabalhos marcantes na área da paleoantropologia e da evolução humana. Após ser apresentada ao trabalho de Jane Goodall com os chimpanzés, não demora até que Louis Leakey a incentive a também trabalhar com os grandes primatas. Dian Fossey inicia então seu trabalho com gorilas no Congo, mas devido a ocorrência de uma guerra civil muda-se para Ruanda.

Em 1967, ela funda o Karisoke Research Foundation no Rwanda’s Volcanoes National Park, localizado entre dois vulcões: o Monte Karisimbi e o Monte Visoke. Foi nesse local, que durante muito tempo Fossey desenvolveu importantes pesquisas de campo em relação aos gorilas das montanhas, sendo considerada uma autoridade quando o assunto era a fisiologia e o comportamento desses animais. Fossey era conhecida pelos nativos por Nyiramachabelli, que significa algo como “a mulher que vive sozinha na montanha”. Passando todo o tempo sozinha na montanha enfrentando as tempestades, os perigos da montanha e doenças, Fossey ainda teve que enfrentar os caçadores da região. E não apenas através da mídia, enfrentou diretamente caçadores ilegais, agentes do governo que queriam transformar aquelas terras em fazendas e caçadores que capturavam os gorilas para vende-los a zoológicos. Chegava a expulsá-los da região enfrentando os cães e desarmando suas armadilhas.

Conseguiu seu Ph.D. em 1976 na Universidade de Cambridge e tornou-se professora na Universidade de Cornell em Nova Iorque. Ao retornar para dar continuidade ao seu trabalho, Fossey acabou se dedicando mais tempo a combater a caça ilegal dos gorilas do que ao trabalho científico. Em 1977 teve que lidar com a morte de seu gorila favorito, chamado Digit, que foi assassinado por caçadores. Digit foi encontrado decapitado e teve as mãos arrancadas. As mãos dos gorilas eram vendidas pelos caçadores como iguarias, algumas vezes alegando possuir alguns encantos mágicos e outras vezes eram utilizadas para se fazer cinzeiros.

Após o incidente, Dian Fossey fundou o Digit Fund, destinado a arrecadar fundos para combater a caça ilegal de gorilas na região. O grupo de Fossey conseguiu capturar um dos assassinos de Digit, que apontou o nome de mais 5 caçadores envolvidos no caso, sendo que 3 desses foram também capturados. Outros caçadores foram presos, muitas armadilhas foram desfeitas e alguns sequestros de gorilas para a venda foram evitadas.

No dia 26 de Dezembro de 1985, Dian Fossey foi encontrada morta em sua cabana, algumas semanas antes de completar 54 anos de idade. Seu corpo foi encontrado na manhã do dia seguinte, a cabana apresentava claras evidências de invasão e não foi constatado roubo, todo equipamento fotográfico, seu dinheiro e outros pertences se quer foram tocados. Fossey foi atingida duas vezes na cabeça e no rosto por um facão. O crime nunca foi solucionado e o assassino não foi encontrado. Dian Fossey foi enterrada ao lado de Digit e de outros gorilas. Suas últimas palavras escritas em seu diário diziam:

When you realize the value of all life, you dwell less on what is past and concentrate more on the preservation of the future.

Seu livro publicado em 1983, com o título Gorillas in the Mist, que contava suas experiências em Ruanda, chegou a ser elogiado por ninguém menos que Nikolaas Tinbergen, etólogo e ganhador do prêmio Nobel em 1973, tornando-se um best-seller. Em 1988 um filme foi produzido com o mesmo título do livro, estralando a atriz Sigourney Weaver no papel de Dian Fossey.

O trabalho de Dian Fossey para a proteção dos gorilas continua através da Dian Fossey Gorilla Fund International.

Confira o trailer do filme:

Referência e mais informações: http://gorillafund.org/page.aspx?pid=380

Publicado originalmente em: http://evolutionacademy.bio.br/blog/2014/11/26/dian-fossey-a-mulher-que-vivia-sozinha-na-montanha/

Hipóteses pós-modernistas sobre gênero prejudicam mulheres

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Na imagem, o pensador pós-modernista Michel Foucault.

Por Claire Lehmann

Até o ano passado, mulheres nos EUA estavam inadvertidamente tomando overdoses de pílulas para dormir. Em janeiro de 2013, a American Food and Drug Administration (FDA) ordenou que as companhias farmacêuticas cortassem as doses de Zolpidem (uma droga para insônia chamada Ambien) pela metade. Os efeitos colaterais da overdose de Zolpidem incluem pensamento debilitado, tempo de reação diminuído (na direção de veículos) e problemas alimentares. A FDA ordenou que os fabricantes providenciassem instruções de dosagem diferentes para homens e mulheres. Antes de tal decisão, as instruções para homens e mulheres eram as mesmas. Por quê? Porque ainda não sabemos o suficiente sobre como homens e mulheres metabolizam drogas de maneira diferente.

Phyllis Greenberger, CEO da Sociedade para Pesquisa sobre Saúde da Mulher nos EUA descreveu no mês passado para o Huffington Post:

A realidade é que não sabemos se uma droga vai prejudicar as mulheres até que elas começassem a tomar.

Estamos em 2014 e as mulheres estão sob o risco de erros biomédicos preveníveis. Como chegamos até aqui?

Primeiro, as drogas são testadas em animais antes que cheguem até testes em humanos. Os testes em animais fêmea são mais difíceis de serem realizados, devidos ao perfil hormonal mais complexo. O neurocientista Larry Cahill afirma que o nosso entendimento da neurobiologia da mulher é escasso. Ele afirma que 93% dos animais usados em pesquisa neurocientífica são machos, simplesmente porque é mais fácil de estudá-los. Segundo, pesquisadores de medicina e saúde, incluindo neurocientistas e psicólogos, evitam estudar diferenças sexuais por medo de serem rotulados de “sexistas”. Uma psicóloga consistentemente rotula neurocientistas que publicam trabalhos em diferenças sexuais, rejeitando os trabalhos como “neurosexismo” ou “neurolixo”. Pesquisadores que desejam carreiras livres de controvérsias evitam tais áreas de pesquisa.

No campo da medicina, doenças cardíacas, o assassino número um de mulheres na Austrália, afeta homens e mulheres de maneira diferente. Mais mulheres morrem de ataques cardíacos do que machos e fêmeas estão sob um risco mais de sangramento depois de uma cirurgia cardíaca. O cérebro de mulheres também é mais sensível à deterioração neuronal. Isso faz com que o Alzheimer seja mais prevalente entre mulheres se comparadas com homens. Segue-se que pesquisas focando nas diferenças sexuais de homens e mulheres ao nível neuronal é um problema da saúde da mulher. Insinuar que é um nicho de interesse de “neurosexistas”, em 2014, é simplesmente repreensível.

A rejeição de pesquisas em diferenças sexuais deriva de uma hipótese falsa profundamente arraigada — que machos e fêmeas são os mesmos quando se trata de biologia. Para entendermos essa hipótese, temos que ir até Rousseau [1] e a sua ideia de tabula rasa. A ‘tabula rasa’, em Latin, significa ‘tábua raspada’ ou para nós, que um bebê nasce sem ideias preconcebidas, que sua mente é uma página em branco. De acordo com tal hipótese, a cultura escreve sobre essas páginas em branco, moldando o indivíduo até ele conformar de acordo com normas sociais. O pensamento da tábua rasa está entre nós há muito tempo, mas alcançou seu zênite entre 1970 e 1980, quando a filosofia pós-moderna se tornou popular. O pós-moderno Michel Foucault encarou a biologia e a medicina com suspeição. Ele caracterizou instituições produtoras de conhecimento, como a clínica médica, como potenciais ferramentas de opressão. De acordo com pós-modernistas, agendas de pesquisas tradicionais eram racistas, classistas, sexistas, (as vezes não-intencionalmente).

Tais ideias tem sido incrivelmente influentes. Em muitos cursos de graduação de humanas — como estudos de Inglês ou de Gênero — estudantes aprendem que o método científico é enviesado para o fato de que “se você fizer certas perguntas você tem certas respostas”. Simplesmente pesquisar sobre diferenças sexuais reforça uma dicotomia cultural opressiva.

Hoje em dia ativistas anti-vacinação citam argumentos pós-modernistas em suas suspeitas sobre a indústria farmacêutica. A antropóloga Anna Katta escreve:

“Manifestantes anti-vacinação fazem argumentos pós-modernos que rejeitam fatos científicos e biomédicos em favor de suas próprias interpretações. Esses discursos pós-modernos precisam ser reconhecidos antes que o diálogo comece.

Ideias pós-modernistas são apresentadas em uma linguagem complicada. Em seu coração, no entanto, está um manifesto implícito questionando ‘binários’, dicotomias até então pensadas como auto evidentes, como masculino versus feminino, normal versus anormal, ou biologia versus cultura. Pós-modernistas nós falam que esses binários são arbitrários, que o gênero é fluído por exemplo, e ao fazerem isso ajudam muitos homens e mulheres que não se encaixam em ideias estritos de masculinidade e feminilidade a explorar o sexo e gênero com uma mente aberta.

Infelizmente, no entanto, a filosofia pós-modernista e a bagagem cultural da tabula rasa não ajudou mulheres nas áreas da medicina. De fato, nos prejudicou. Simplesmente porque há muito mais no sexo biológico do que autonomia reprodutiva. E quando se trata de testes de hipóteses biomédicas ou intervenções, nós precisamos aplicar binários. Nós precisamos testar grupos de controle contra grupos experimentais, homens contra mulheres, para eliminar ruídos e vieses, para fazermos inferências causais.

Ativistas zelosos podem argumentar que incorporar diferenças sexuais em estudos pode prover munição para aqueles que fazem generalizações sexistas sobre mulheres. No entanto nós precisamos estar cientes também da atitude desdenhosa para com as pesquisas sobre as diferenças sexuais como um binário artificial. Se pesquisas sobre diferenças sexuais são automaticamente vistas como vilãs enquanto provas de similaridade são vistas como boas, então estamos falhando no pensamento crítico. (Se Foucault tivesse visto o quão rígido seus seguidores se tornaram, ele se reviraria no túmulo).

A conclusão é que a saúde da mulher precisa ser vista com seriedade. Enquanto diferenças sexuais devem ser tratadas com ceticismo saudável (como qualquer outra agenda de pesquisa), se nós tivermos medo para fazer perguntas, terminaremos sem respostas.


Erratas

[1] A tábula rasa foi um método proposto por John Locke, não por Rosseau.


 

Fonte

Claire Lehmann. Post-modern Assumptions About Gender Harm Women. 2014.

Tradutor

Insilications. Hipóteses Pós-modernistas Sobre Gênero Prejudicam Mulheres. 2015.

O que Thriller tem a ver com astronomia

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Música que dá nome ao álbum mais bem sucedido da história da indústria fonográfica mundial, com cerca de 65 milhões de cópias vendidas, Thriller possui uma breve ligação com astronomia. Antes de chegar à letra que conhecemos, a canção era intitulada Starlight (Luz das Estrelas).

A demo, que possui cinco minutos e praticamente a mesma sonoridade da música final, não fala em zumbis e noite de terror, mas sim em uma relação amorosa à luz das estrelas. O refrão é “Precisamos da alguma luz das estrelas / Luz da estrela Sol / Não há segunda chance / Nós temos de fazê-lo enquanto podemos”.

Starlight foi ignorada no primeiro semestre de 1982. Após conversa com Quincy Jones, produtor do álbum, o compositor Rod Temperton concluiu que a faixa que batizaria o próximo disco de Michael Jackson precisaria de um nome mais impactante. Três anos antes, coubera a Rod a honra de ver sua criação, Off the Wall, nomear o quinto disco de estúdio do futuro Rei do Pop.

“Fui para o hotel (após a conversa com Quincy Jones), escrevi 200 ou 300 títulos, e veio à minha mente ‘Midnight Man’”, relatou o músico no documentário radiofônico da BBC Radio 2 Rod Temperton: The Invisible Man. “Na manhã seguinte, eu acordei, e apenas falei essa palavra… Algo em minha cabeça apenas dizendo: ‘Esse é o título’. Você pode ver isso no topo da lista da Billboard. Você pode ver o merchandising para essa palavra, como pulou a página como Thriller”.

Embora não desfrute de uma temática com tantos eventos astronômicos, astros e afins quanto outras músicas – como Space Oddity, de David Bowie, Starlight foi o ponto de partida para um álbum que não parecia deste mundo. Definitivamente.