Lua: Face Oculta, Pólo Sul e Método de Encontrá-lo, Fenômeno da Libração e Cratera Onde Achou-se Água

0

A imagem mostra a região polar sul da Lua durante uma observação realizada em 29 de abril de 2013, levando a vantagem de uma libração favorável em latitude. Libração (do latim librare) significa balanceio, é o movimento de oscilação da Lua, o que nos permite observar mais da metade da superfície lunar – uma parte da face oculta.

Um clássico exercício quando se observa uma região como essa é tentar descobrir o nome das crateras que ali aparecem. Vamos começar pela Curtius no canto inferior a esquerda, depois passamos a Moretus, a cratera localizada no centro da imagem, com seu brilhante pico central. Um pouco além dela está a Short, e um pouco para a direita está a Newton e a Newton D, G, A e B. Um pouco mais além, quase no limbo está a Cabeus, e, emergindo do limbo, pode-se ver dois picos de montanhas conhecidos como M4 e M5. Interessante destacar também Malapert pois se fizermos uma triangulação imaginária (pontilhado) com Cabeus teríamos na outra ponta do triângulo a posição exata do Polo Sul Lunar (marcado por um x).

Esta técnica deveria chamar-se “Crater Hopping” e poderia ser usada mais frequentemente pelos observadores lunares que querem situar-se com precisão.

Outro fato interessante em relação a cratera Cabeus é que foi nela que ocorreu o impacto da sonda LCross visando comprovar a existência de água na Lua.

Os resultados do impacto confirmaram quantidade significativa de água no satélite da Terra, conforme divulgação da NASA.

A água representa um potencial recurso para sustentar uma futura exploração lunar.

Dados preliminares do LCross (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite) indicam que a missão descobriu água com sucesso durante os impactos realizados em 9 de outubro de 2009, na região permanentemente coberta de sombras de Cabeus, próxima ao polo sul da Lua.

Continue lendo, aqui.

Direitos Humanos: porquê e para quê

9

A percepção popular do brasileiro sobre direitos humanos é de que é “coisa de bandido”. Geralmente, o povão só ouve essa palavra em programas populares que urram que os tais “direitos humanos” são um obstáculo para se fazer a real “justiça”. Essa é uma ideia equivocada e perigosa. Quer entender realmente o que é direitos humanos? Leia esse pequeno artigo e tire suas conclusões.

Um pouco de História

Existe toda uma trajetória de discussões filosóficas e movimentos políticos que norteiam a definição do que seriam direitos essenciais a todas as pessoas, mas a definição do que seriam os “Direitos Humanos” é bastante recente. Não é que em outros momentos não tenham existido a garantia de direitos e igualdade para as pessoas de determinado local, mas essa igualdade era quase sempre bem relativa. A “declaração do homem e do cidadão”, feita na revolução francesa garante direitos iguais para todos, desde que você não seja mulher (Olympe de Gouges ousou criticar isso e foi decapitada). A “declaração de independência” americana começa dizendo que todos nascem iguais e dotados de direitos naturais e invioláveis, mas obviamente esse “todos” não incluem os negros, que ainda tiveram muito chão pra serem tratados dignamente na terra do Tio Sam. Meu exemplo favorito é do que envolve a crise diplomática entre o Japão e o Peru no século XIX: O Japão apreendeu na sua costa um navio cheio de escravos chineses que iriam para o Peru. O Japão deu uma lição de moral no Peru, e recebeu como resposta “seus hipócritas, ficam pagando de ser contra a escravidão mas ai no país de vocês tem umas minas que são tratadas como coisa (as gueixas)”. Resposta japonesa: “Olha meu filho, essas minas até parecem seres humanos, mas não são, tá!”. Acho que se você não é burro, já deve ter percebido como esse negócio de quem é humano ou não variava de acordo com algumas “conveniências”.

Então qual foi o “motor” que deu origem ao conceito moderno de direitos humanos (e a ideia que de ele deveria se estender à todos)? Basicamente, tudo se deve ao lindo evento conhecido como Segunda Guerra mundial. Como todos bem sabem (ou ao menos deveriam saber), a Segunda Guerra jogou muita coisa no ventilador: ideias eugenistas, racismo “científico”, genocídio, massacre de civis etc. Eu sei que você talvez tenha uma ideia glamourizada do período (culpa do call of duty?), mas na verdade foi um dos períodos mais terríveis da história da humanidade (tanto que até seu “fim” foi decretado com nada menos que uma bomba nuclear lançada sobre alvos civis). As consequências trágicas da Guerra levaram a tentativa de criação de um mediador de relações internacionais conhecido como ONU (Pros desinformados em história, a ONU é a digievolução da finada Liga das Nações, que tinha fins similares). Pois bem, além de tentar acalmar os ânimos de países loucos pra explodirem um ao outro, a ONU achou por bem criar um documento que norteasse os direitos que todo e qualquer ser humano deveria possuir (justamente pra evitar as cacas similares as que aconteceram na Segunda Guerra). Tal documento foi finalizado e publicado em 1948, com o nome de “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Ele não possui a força de lei (não existe um “rei do mundo”, ao contrário do que você aprendeu em “Titanic”), mas as Nações Unidas criam mecanismos diversos pra pressionar as nações a seguir a maior parte das regras estabelecidas no documento. Mas do que trata especificamente o bichinho? Leia o próximo tópico e descubra.

O que é a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(E porque deve ser respeitada).

É basicamente um conjunto de direitos que seriam inerentes a todos os seres humanos existentes, sem se pautar em distinção nenhuma. É ai que mora toda a polêmica do negócio: o tal distinção nenhuma inclui também pessoas acusadas de crimes. Nesse sentido, você deve ter ouvido (ou até dito) inúmeras vezes “direitos humanos pra humanos direitos” ou “nunca vi esses povo dos direitos humanos visitar a família da vitima”. Bem, por mais que tais argumentos pareçam atraentes para alguns, eles são falaciosos.

Os que argumentam que “criminosos” não deveriam possuir tais direitos esquecem ou não sabem que a noção de quem é “direito” e “torto” é algo bem relativo. Em outras épocas (e em alguns lugares atualmente) é errado ser mulher, ser negro, minoria étnica ou pobre. Você não é um criminoso por ter feito algo, mas simplesmente por ser algo. Os direitos humanos não visam necessariamente proteger os cidadãos de um local de outros cidadãos, mas principalmente protegê-los da ação ou omissão do Estado. Eu creio que você deve ter reclamações interessantes sobre corrupção, lerdeza, ineficiência e injustiças feitas pelos seus governantes, e realmente acho irônico como tem gente que enxerga como “solução” dar justamente a esse Estado o poder de estar acima da lei ou de matar. “Ah, mas eu não sou um criminoso!”. Tem certeza? Em alguns países cometer adultério é um crime, inclusive passível de pena de morte. Em muitos lugares do mundo, não seguir uma religião especifica também é crime, punível com morte também. Acha interessante cortar a mão de furtadores? Bem, baixar arquivos ilegalmente é furto, bem como ficar com um troco maior do que devia ter recebido. Estupradores e pedófilos devem morrer? Acho ótimo! Mas gostaria de lembrá-lo que transar com uma garota abaixo de 14 anos (mesmo que ela queira) ou “abusar” de uma mulher bêbada é configurado pela lei como “estupro de vulnerável”.

É muita ingenuidade presumir que o Estado vai apontar sempre as armas para as piores pessoas do mundo, e que o poder de discernimento de uma pessoa (um policial, por exemplo) ou uma instituição (o sistema jurídico, at example) vá ser infalível e exterminar justamente os culpados e poupar os inocentes. Isto não quer dizer em absoluto que ser um defensor dos Direitos Humanos é alguém a favor da impunidade, mas sim que tais punições devam seguir regras claras e justas, e assim garantir que um cidadão comum não entre de repente na bacia dos “não humanos” que “devem ser eliminados”.

O segundo argumento repetido a exaustão (aquele de que direitos humanos não se preocupa com as vítimas) também é extremamente desonesto. As instâncias preocupadas com Direitos Humanos agem em inúmeras outras frentes, protegendo minorias da opressão de outros civis e viabilizando políticas públicas para proteção de indefesos. Você considera defender os direitos básicos de crianças e adolescentes, idosos, deficientes, perseguidos políticos, homossexuais, minorias religiosas como defender bandido? Você acha que combater a escravidão, a tortura e a violência contra minorias é algo “negativo”?

Os defensores de Direitos Humanos estão SIM preocupados com TODAS as possíveis vítimas que existam ou possa existir em um país. E acredite: Se o preço que você paga pra ter direitos elementares é que outros também os tenha, você está na verdade com muita sorte.

Então por que muita gente da mídia é contra?

Bem, existe uma somatória de fatores. Embora eu não descarte afinidade ideológica nos envolvidos, o fator principal é o modo como um veiculo aberto como a Televisão obtém seus lucros: anunciantes. Onde você gostaria que algo que você quer vender seja anunciado: em um lugar que poucos veem ou em um lugar bem visível? E se eu disser pra você que pra eu tornar este lugar mais visível eu teria que fazer um pouco mais de estardalhaço e distorcer um pouco os fatos pra tornar tudo mais atraente? Dinheiro vem de anunciante, anunciante é atraído por audiência, e um dos melhores meios de se obter audiência é justamente o “bafão”. Muitos programas de TV nem usam o estardalhaço como tempero, mas sim como prato principal. Nesse sentido, cenas horrendas de crime e a ação policial para coibi-los não são tratados como coisa séria, mas como um “show”. Já reparou toda a coreografia nesses programas? Os bordões, os trejeitos, a gritaria e a repetição de cenas grotescas? Com certeza não é algo que visa lhe provocar uma reflexão, mas apenas uma reação emocional. A emoção trágica da fragilidade da vida, a emoção da “justiça feita”, a emoção da “indignação com o mundo”.

Certa feita especularam que o torcedor gosta do Galvão Bueno porque ele “torce por você”. Acho que é bem visível como tais apresentadores também reagem emocionalmente por você. Qualquer um que já tenha sofrido algum tipo de violência ou perda sabe a sensação horrível que é estar em condição tão vulnerável. Qualquer um que já tenha visto a impunidade acontecer sabe a agonia da ausência de justiça. Mas esses programas não te dão a solução desses problemas. Esses programas não trazem soluções sérias para nada que você está sentindo. De fato, esses programas servem de catarse para seus sentimentos primais, enquanto os problemas verdadeiros continuam convenientemente existindo sem solução…

Para saber mais:

Ainda acha que direitos humanos são ruins? Que tal ler essa versão resumida (de autoria de Frei Beto) e tirar umas conclusões? Segue abaixo:

Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos.
Todos temos direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal e social.
Todos temos direito de resguardar a casa, a família e a honra.
Todos temos direito ao trabalho digno e bem remunerado.
Todos temos direito ao descanso, ao lazer e às férias.
Todos temos à saúde e assistência médica e hospitalar.
Todos temos direito à instrução, à escola, à arte e à cultura.
Todos temos direito ao amparo social na infância e na velhice.
Todos temos direito à organização popular, sindical e política.
Todos temos direito de eleger e ser eleito às funções de governo.
Todos temos direito à informação verdadeira e correta.
Todos temos direito de ir e vir, mudar de cidade, de Estado ou país.
Todos temos direito de não sofrer nenhum tipo de discriminação.
Ninguém pode ser torturado ou linchado. Todos somos iguais perante a lei.
Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou privado do direito de defesa.
Toda pessoa é inocente até que a justiça, baseada na lei, prove a contrário.
Todos temos liberdade de pensar, de nos manifestar, de nos reunir e de crer.
Todos temos direito ao amor e aos frutos do amor.
Todos temos o dever de respeitar e proteger os direitos da comunidade.
Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação destes direitos.

Referências:

  1. Declaração de Independência dos EUA
  2. Incidente Diplomático do Japão Contra o Peru
  3. Site Brasileiro de Defesa dos Direitos Humanos
  4. Versão Resumida dos Direitos Humanos
  5. Versão Integral do Mesmo
  6. Sobre essa História de ser Crime Transar com Menor de 14 Anos
  7. Site Oficial da ONU no Brasil
  8. Quer Descobrir o Quão Criminoso Você Seria em Outro País?
  9. ONG Sobre Direitos Humanos que tem Vídeos bem Bacanas Resumindo o Assunto. Eles Também Enviam um DVD Gratuitamente a Quem Solicitar

Sabia que a Celestron também salva vidas?

0

Estava lendo uma notícia no site da Celestron e achei muito interessante. Como a maioria das pessoas ligadas a astronomia, pensava que a Celestron só fabricava telescópios, mas descobri que eles fabricam microscópios também.

Semana passada o Rei de Awing, dos Camarões, visitou a sede da empresa nos Estados Unidos e pude descobrir que a empresa doou alguns microscópios para a pesquisa médica no país.

Abaixo, o artigo traduzido da visita da comitiva real e das ações da Celestron para diminuir as doenças na África:

“A sede da empresa Celestron teve a honra de receber um visitante muito especial nessa semana: Sua Majestade Real Fon Fozoh II de Awing, Camarões. O Fon (palavra usada em Camarões para designar rei ou Chieftain) estava visitando os Estados Unidos e Canadá, quando parou na sede da Celestron, no dia 8 de julho.

O rei Fozoh II já estava familiarizado com a Celestron, uma vez que o povo de Awing utiliza um dos nossos microscópios desde 2006, para realizar exames médicos de rotina. De 2006 a 2012, um microscópio Celestron foi utilizado para analisar testes de laboratório para mais de mil pacientes por ano. O Centro Integrado de Saúde, em Awing, é especializado no tratamento de malária e outras doenças relacionadas.

No ano passado, a Celestron doou mais dois microscópios a Awing, para ser usado em dois outros centros médicos da região.

A comitiva real fez um passeio nas instalações e observou Vênus e o Sol.

O rei e sua comitiva expressaram seus sinceros agradecimentos pelos microscópios fornecidos pela Celestron em 2012 e ainda trouxe fotos deles em uso, em vários centros médicos. Como um símbolo de seu apreço, o rei presentou a equipe com alguns presentes de Camarões. Como agradecimento especial, o rei concedeu a Kevin Kawai um tradicional chapéu usado pelos homens em Awing. Ele também se tornou cidadão honorário de Fondom.

Ficamos felizes em enviar nossos visitantes para casa com um novo Microscópio Biológico Professional 1500 e um Microscópio Estéreo avançado para ajudar ainda mais em seus esforços na saúde.

Agradecemos ao HRM Fon Fozoh II, a Milton Nchinda, e ao resto dos nossos visitantes por compartilhar conosco onde e como estão os Celestrons no Camarões! Estamos felizes em saber que nossos microscópios são uma parte importante do trabalho de salvar vidas do Centro Integrado de Saúde, e estamos ansiosos para ver nossos amigos de novo… talvez em Fondom, Awing!”

Adaptado do Celestron

“Quem Somos Nós?”: como distorcer a física quântica para defender crenças espirituais e pseudocientíficas

Cena do documentário "Quem somos nós".

Quem somos nós é um documentário de autoajuda e pseudociência que distorce os principais conceitos da mecânica quântica. Uma pessoa que não tem noção alguma dos princípios da teoria quântica pode acabar acreditando no documentário por falta de informação e pensamento crítico. De fato, para um leigo, que não estudou disciplinas de cálculo avançado, de geometria e de física moderna, é praticamente impossível distinguir a ciência da pseudociência. Contudo, proponho escrever esse texto com a intenção de expor os principais pontos de desinformação promovidos pelo documentário e contribuir para a alfabetização científica do meu país.

Inicialmente, o problema do documentário consiste em misturar coisas que são, a princípio, incompatíveis, como a questão da ciência com a espiritualidade. Um outro ponto é tratar de assuntos pertinentes à investigação filosófica e neurocientífica com base em uma deturpação dos conceitos de consciência e mente.

Quando o documentário propõe a discussão sobre o problema da consciência, ele não está fazendo com base em neurociência, mas com pseudociências e crenças esotéricas da Nova Era e, ao fazê-lo assim, ele conduz o telespectador ao engano. Em primeiro lugar, a mecânica quântica não tem nada a dizer sobre a espiritualidade, a consciência ou a meditação. A quântica é uma teoria física que lida com coisas menores do que átomos, como partículas elementares, campos, etc. A teoria quântica tenta descrever aspectos imperceptíveis à experiência cotidiana, como os constituintes básicos do universo, utilizando tecnologia adequada para observá-los. Em outras palavras, nenhuma pessoa é capaz de observar em sua vida cotidiana, sem o auxílio de instrumentação adequada, coisas como elétrons, fótons e outras partículas elementares. Em segundo lugar, a ciência ainda não pode explicar o que é a “consciência”; o que cientistas têm são hipóteses mais ou menos compatíveis com a psicologia e a neurociência do momento sobre como emergem nossas experiências subjetivas – ou simplesmente o que nos tornam únicos.

Quem são os “especialistas” do documentário?

Muitas pessoas pensam que o documentário é produzido por uma comunidade de físicos respeitados e com ideias fortemente baseadas em evidência, mas isso é falso. Na verdade, o documentário é apresentado por um ex-padre que pregava o evangelho do irmão gêmeo de Jesus, um médico que acredita “curar” homossexuais, um terapeuta que exerce uma terapia não reconhecida pela ciência, um médium que alega ser praticante de levitação, uma mulher que diz receber um cara morto há 35.000 anos em seu corpo e, de maneira surpreendente, um físico sério enganado pelos discípulos dessa seita maluca.

Quem somos nós em poucas palavras

O documentário faz uma série de alegações equivocadas sobre a mecânica quântica para defender um conjunto de crenças da Nova Era, por exemplo:

  1. a física quântica diz que a realidade não é fixa – partículas elementares só passam a existir quando são observadas;
  2. a mente tem um enorme potencial, mas só usamos uma pequena parte dela para o pensamento consciente e perdemos muito do que está acontecendo ao nosso redor;
  3. se a sua mente é o “observador”, você deve ser capaz de escolher qual das muitas realidades possíveis em torno de você podem existir – você pode criar sua própria realidade.

Todas essas alegações parecem ser boas demais para serem verdadeiras. Contudo, nem tudo que parece é realmente verdade.

O efeito do observador

Amit Goswami, guru das crenças da Nova Era, afirma que “a mecânica quântica calcula apenas possibilidades. Quem ou que escolhe entre essas possibilidades para trazer o evento real da experiência? A consciência deve estar envolvida. O observador não pode ser ignorado”. Contudo, isso não está correto.

O efeito do observador na mecânica quântica não é sobre a consciência das pessoas. O efeito do observador é do Princípio da Incerteza de Heisenberg, que determina que não podemos medir a posição e o momento das partículas simultaneamente. Heisenberg mostrou que você pode obter de maneira precisa um ou outro resultado, mas nunca ambos simultaneamente. Então, no contexto da teoria quântica, o “observador” pode ser melhor descrito como “aparato de medição” em vez da consciência ou do pesquisador que está anotando os resultados.

Além da existência de partículas

Jeffrey Satinover, que é psiquiatra, diz que “a realidade física é absolutamente uma rocha sólida, que só passa a existir quando batemos contra outro pedaço de realidade física – como nós ou uma pedra”.

Essa ideia pressupõe que a realidade depende do sujeito para existir e, portanto, coloca os seres humanos novamente no centro do universo em nível de importância. Isso não é verdade. Em primeiro lugar, evidências paleontológicas mostram que existiam dinossauros e outras espécies de animais antes da existência de seres humanos. Em segundo lugar, evidências astronômicas mostram que existem objetos no universo mais antigos do que o próprio tempo de vida da espécie humana. Os astrônomos conseguem calcular a velocidade e o tempo com que a luz de objetos distantes levam para chegar até a Terra. Em terceiro lugar, as partículas estão constantemente interagindo umas com as outras, principalmente no interior de estrelas, como o Sol, onde ocorrem reações termonucleares. Os físicos sabem que essas reações físico-químicas estão ocorrendo constantemente, sem que existam seres humanos olhando para elas – e supondo que alguém realmente decida olhar para o Sol com um telescópio, a pessoa certamente ficará cega.

Fred Alan Wolf diz que “as partículas aparecem e desaparecem – para onde vão quando não estão aqui? Uma resposta possível: elas vão para um universo alternativo onde as pessoas estão fazendo a mesma pergunta: ‘onde elas foram?'”.

A verdade é que as partículas não estão indo para lugar algum. O que os físicos assumem é que as partículas são “flutuações”, ou seja, as regras da física dizem que é perfeitamente normal que elas existam em algum momento e/ou lugar e depois inexistam em outro momento e/ou lugar.

Eles estão errados sobre a mente perceber a realidade

Joseph Dispenza, que é quiroprático, diz que “sua mente não pode dizer a diferença entre o que você vê e o que você se lembra”.

É verdade que os exames de PET e MRI revelam que a mesma parte do cérebro é ativada sempre que você olha algo ou apenas lembra de alguma coisa. Contudo, é um grande salto lógico dizer que o cérebro não sabe a diferença entre a visão e a memória.

O cérebro não surgiu ontem. Há algumas pistas contextuais, por exemplo, quando as pálpebras estão abertas ou fechadas, o cérebro pode perceber alguma coisa simplesmente vendo ou lembrando algo. E tem o fator escalar: a atividade cerebral fica muito mais forte quando a pessoa está vendo alguma coisa do que quando está lembrando algo, de acordo com o que foi observado por neurocientistas.

Andrew Newberg, que é medico radiologista, diz que “nosso cérebro recebe 400 bilhões de bits por segundo de informação, mas só somos conscientes de 2000 bits por segundo. A realidade está acontecendo a todo tempo no nosso cérebro – estamos recebendo a informação, mas ela não está sendo integrada”.

Os valores são um pouco flexíveis, mas a ideia de que só somos “conscientes” apenas de uma fração da nossa atividade cerebral é correta e um imenso alivio.

O que pode ser pior do que estar ciente de cada pequeno detalhe que nosso cérebro recebe – desde os níveis de fosfato até a taxa cardíaca e o crescimento capilar. Em analogia, é como ser o presidente de uma gigantesca empresa e escutar o que cada funcionário está fazendo a cada minuto todo o dia.

O único problema com a afirmação de Andrew Newberg é a sugestão de que nosso inconsciente está fazendo coisas realmente interessantes e que estamos, de alguma forma, perdendo tudo isso. Então, se pudéssemos aproveitar o outro zilhão de gigabits poderíamos ser os mestres do nosso destino. No entanto, a verdade é que ninguém tem como testar essa hipótese e mensurar seus possíveis efeitos.

Candace Pert, ex-cientista e atual guru da Nova Era, diz que “só podemos ver o que é possível – os índios americanos nas ilhas caribenhas não puderam ver os navios de Colombo (ao horizonte) pois estavam além do conhecimento deles”.

É difícil apontar em qual parte Candace Pert está sendo desonesta sobre se os índios americanos viram ou não quando Colombo e o seu pessoal atingiram o horizonte. Certamente, Colombo não falava a língua local e os índios não deixaram registros escritos. Contudo, ela estava certa sobre nós não vermos coisas na frente de nossos olhos se não estamos olhando para aquilo. Um experimento clássico sobre processamento visual pediu para pessoas assistirem um vídeo com 6 pessoas passando uma bola de basquete e, em seguida, pressionarem um botão cada vez que um time em particular passar a bola. Invariavelmente, só metade das pessoas notou uma mulher vestida de gorila caminhando no meio da tela durante o jogo.

Eles estão errados sobre a mente afetar a realidade

O documentário fornece dois exemplos de experimentos que mostram o suposto efeito da mente sobre a realidade. Contudo, nenhum dos experimentos confirma essa hipótese.

Efeito da meditação no crime violento em Washington, EUA

John Hagelin descreve um estudo em que ele fez em Washington, EUA, em 1992. No estudo, 4000 voluntários meditaram regularmente para atingir uma redução de 25% no crime violento no final do verão. O autor do estudo afirma que a redução foi atingida. Contudo, o uso do termo “atingida” para Hagelin é um pouco forte. Ele anunciou em 1994, um ano após o estudo, que a redução no crime violento foi de 18%. O telespectador pode pensar que houve 18% menos crimes do que o ano anterior, mas a redução foi relativa ao crescimento previsto por meio de um elaborado trabalho estatístico. Indicadores regulares do crime violento mostram uma versão diferente: o numero de assassinatos na verdade aumentou.

A meditação pode não ter ajudado as vitimas do crime violento, mas ajudou Hagelin a ganhar em 1994 o premio Ig Nobel da Paz.

O poder dos pensamentos na água

Um seguidor de Masaru Emoto diz que “se pensamentos podem fazer isso com a água, imagina o que nossos pensamentos podem fazer conosco”.

Masaru Emoto costuma fotografar cristais formados em água congelada. De acordo com os seus livros, quando a água é exposta com palavras de carinho, ocorre um tipo de padrão brilhante e bonito, enquanto que a água que é exposta aos pensamentos negativos forma um padrão incompleto e feio. Essas fotos são belas como obras de arte, mas não tem nada de ciência.

Se você gostaria de estudar o impacto dos sentimentos em forma de ações, desenhos ou escritos na suposta formação de cristais na água congelada, você terá que fazer um estudo rigoroso. Para começar, você teria que tirar um monte de amostras de diferentes partes de cada tipo de gelo e fazer o estudo sem saber o que foi “dito” para cada tipo de água para evitar que suas opiniões pessoais não influenciem os resultados.

O cético e ilusionista James Randi, famoso por desmascarar supostos médiuns e paranormais como Uri Geller, ofereceu o prêmio clássico de 1 milhão de dólares em dinheiro para o Masaru Emoto replicar o experimento com o objetivo de alcançar os mesmos resultados. Até agora, o Emoto não aceitou o desafio. Em compensação, ele acabou de lançar o seu terceiro livro de fotos de cristais bonitinhos.

Quem somos nós importa? É apenas um documentário!

Quando você percebe que muitas pessoas estão conversando sobre um assunto é o momento de buscar informações. Contudo, quando você percebe uma quantidade enorme de informações distorcidas para tentar adequar à moldura de sua vida, as coisas começam a ficar um pouco mais confusas: é nessa hora que você deve checar os fatos!

Referências

  • HOBBS, Bernie. What the bleep are they on about? ABC Science, 2005. Disponível em: <http://www.abc.net.au/science/articles/2005/06/30/2839498.htm>.
  • KUTTNER, Fred & ROSENBLUM, Bruce. Teaching physics mysteries versus pseudoscience. Physics Today, 2006. Disponível em: <https://doi.org/10.1063/1.2435631>.
  • REIS, Widson. O Guia Cético para assistir a “What the Bleep do We Know?” O Dragão da Garagem, 2006. Disponível em: <http://dragaodagaragem.blogspot.com/2006/11/o-guia-cetico-para-assistir-what-bleep.html>.
  • WILSON, Elizabeth. Review: What the Bleep Do We Know!? Reel Science, 2005. Disponível em: <http://pubsapp.acs.org/cen/reelscience/reviews/whatthe_bleep/?>.
  • ———-. The minds boggle. The Guardian, 2005. Disponível em: <https://www.theguardian.com/science/2005/may/16/g2.science>.