Richard Feynman: “A ciência social é um exemplo de ciência que não é ciência”

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Richard Feynamn.

Richard Feynman, nascido em 1918, foi um físico teórico americano conhecido por seu trabalho em uma variedade de campos e sua contribuição imensurável, incluindo a mecânica quântica, eletrodinâmica quântica, física de partículas. Ele também foi um visionário que introduziu o conceito de nanotecnologia, além de ser o primeiro físico de renome a falar em computação quântica.

Professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Feynman ajudou a popularizar a física por meio de palestras e livros escritos para público em geral, um divulgador científico. Ele recebeu muitas honras por seu trabalho ao longo de sua vida. Ele foi eleito para a American Physical Society, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, Academia Nacional de Ciências e Sociedade Real de Londres. Feynman é classificado entre os dez maiores físicos de todos os tempos.


Crítica às Ciências Sociais


Feynman, por experiência própria estava ciente de como é fácil nossos experimentos nos enganar e, portanto, ciente da necessidade de empregar uma abordagem científica rigorosa, a fim de encontrar a verdade.
Devido a isso, ele era altamente crítico de áreas que se apresentam como científicas, mas que não aderem aos mesmos princípios metodológicos clássicos da prática científica.

As ciências sociais são um grupo amplo de disciplinas acadêmicas preocupadas com o estudo da sociedade, grupos e indivíduos humanos, incluindo a antropologia, geografia, ciência política, psicologia e vários outros.

Não pretendemos usar a transcrição dessa entrevista como argumento de autoridade, tampouco ignorar que 1. a humanidade, objeto de investigação das ciências sociais, e suas construções culturais são mais enigmáticas que a maior parte do mundo natural; 2. A complexidade presente nessas construções culturais muitas vezes fogem do escopo analítico, experimental e formal do método científico; 3. não obstante há uma grande quantidade de cientistas sociais, linhas de pesquisas e departamentos da área no mundo inteiro usando a formalidade científica, ferramentas e disciplinas analíticas, como a matemática, estatística, neurociência cognitiva, física da complexidade, biologia, sociobiologia, evolução, ciência da computação na investigação dos fenômenos sociais.

Aos cientistas sociais que ignoram a metodologia científica, a descrição matemática e os critérios lógicos e epistemológicos aqui está o que Feynman tinha a dizer sobre em uma entrevista à BBC em 1981:

“Por causa do sucesso da ciência, há uma espécie de pseudociência. A ciência social é um exemplo de ciência que não é uma ciência, eles seguem formulários. Você coleta dados, você faz isso, assim, e assim por diante, mas eles não obtém nenhuma lei, eles não descobrem nada, nunca chegaram a lugar algum – ainda. Talvez algum dia eles vão, mas não está muito bem desenvolvido.”
“O que acontece é que, em um nível ainda mais mundano, temos especialistas em tudo e que soam como se fossem uma espécie de cientista, de especialista. Eles não são cientistas. Sentam-se em uma máquina de escrever e inventam algo como ‘um alimento crescido com um fertilizante que seja orgânico é melhor para você, do que um alimento crescido com fertilizante inorgânico’. Talvez seja verdade, mas pode não ser verdade. Mas de uma forma ou de outra não foi demonstrado. Mas eles vão se sentar na máquina de escrever e inventar tudo isso, como se fosse ciência e, em seguida, vão se tornar especialistas em alimentos orgânicos, e assim por diante. Há todos os tipos de mitos e pseudociência em todos os lugares.”
“Agora, eu posso estar completamente errado. Talvez eles saibam de todas essas coisas. Mas eu não acho que estou errado. Veja, eu tenho a vantagem de ter descoberto o quão difícil é de conhecer realmente algo, o quão cuidadoso você precisa ser sobre a verificação de seus experimentos, como é fácil fazer erros e tolices. Eu sei o que significa saber alguma coisa.”
“E, portanto, vejo como eles obtêm suas informações. E eu não posso acreditar que eles sabem quando não fizeram o trabalho necessário, quando eles não fizeram as verificações necessárias e não tiveram os cuidados necessários. Eu tenho uma grande suspeita de que eles não sabem e que estão intimidando as pessoas. Eu acho que sim. Eu não conheço o mundo muito bem, mas é o que eu acho.”
Para sermos justos, entendemos que essas disciplinas buscam descobrir e compreender relações muito complexas envolvendo o elemento humano, volátil e imprevisível. O ponto de Feynman é que, ao invés de reconhecer essa limitação, especialistas nesses campos apresentam suas descobertas como verdades, sem empregar o mesmo rigor que nas ciências físicas.
 

Encerramos dizendo que o fato da sociedade humana, das relações econômica e construções culturais serem complexas não impede em nenhum momento — como alguns dizem, de serem analisadas através de uma metodologia científica rigorosa, por exemplo, por meio da modelagem matemática. Complexidade, caos, auto-organização, propriedades emergentes, não-linearidade e bifurcações são, sem dúvidas, assuntos das ciências exatas.

Referências

Link para entrevista completa:

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