Se pudermos detectar esse gás em mundos distantes, isso pode significar que há vida

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(Créditos: Дмитрий Ларичев/Getty Images)

Traduzido por Julio Batista
Original de Andy Tomaswick para o Universe Today

Aqui está uma ideia que provavelmente nunca passou pela cabeça da maioria dos entusiastas do espaço – um gás emitido pelo brócolis (e outras plantas) é um dos sinais mais indicativos da existência de vida em um planeta.

Pelo menos de acordo com um novo estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Riverside (EUA).

Esse gás, brometo de metila, tem sido associado à vida na Terra. Ela ocorre naturalmente a partir do processo de defesa das plantas.

A metilação, como é conhecido o processo de defesa, permite que as plantas expulsem contaminantes estranhos, como o brometo, anexando uma série de átomos de carbono e hidrogênio a ele, gaseificando-o e permitindo que ele escape para o ar.

O brometo de metila, em particular, é interessante do ponto de vista astrobiológico. Foi usado como pesticida até o início dos anos 2000 e tem várias vantagens importantes sobre outras bioassinaturas potenciais de serem detectadas na atmosfera de um exoplaneta.

Primeiro, tem uma vida útil relativamente curta na atmosfera de um planeta. Isso é particularmente importante para pesquisas de exoplanetas, pois significa que qualquer processo que produz o gás provavelmente ainda está ativo. Sua presença não é simplesmente o resultado de um evento geológico que aconteceu eras atrás.

Uma segunda vantagem é aquela que todos os astrobiólogos adoram ver – existem muito poucos processos não biológicos que produzem o gás, e mesmo esses processos não são tipicamente naturais.

Apesar de agora ser considerado um produto químico perigoso, o brometo de metila era produzido em grandes quantidades para uso como pesticida antes de ser regulamentado devido aos seus efeitos deletérios à saúde.

Uma terceira vantagem é o comprimento de onda espectroscópico que compartilha com um gás ‘primo’ que também é uma bioassinatura – o cloreto de metila, que também resulta do processo de metilação.

Sua assinatura combinada os tornaria muito mais fáceis de detectar de longe, e ambos são indicativos da existência de um processo biológico, embora sejamos capazes de distinguir entre cloreto de metila e brometo de metila, pois o cloreto de metila já foi visto em torno de algumas estrelas, o que provavelmente foi causado por um processo inorgânico.

Não é bem uma vantagem, mas uma peculiaridade interessante sobre a capacidade de detectar brometo de metila é que seria relativamente difícil detectar na atmosfera da Terra de longe.

Seus níveis de concentração são altos o suficiente, mas a luz UV do Sol faz com que as moléculas de água na atmosfera se dividam em compostos que eliminam o brometo de metila, de modo que não existe por muito tempo na atmosfera da Terra.

A luz UV é apenas um problema para estrelas semelhantes ao Sol, no entanto. Em torno de estrelas como anãs M, que são 10 vezes mais comuns na galáxia do que estrelas semelhantes ao Sol, haveria menos radiação UV que potencialmente quebraria a molécula de brometo de metila.

Como essas anãs M serão alguns dos primeiros lugares que os astrobiólogos procurarão, elas podem ser uma chance de ver um acúmulo de brometo de metila em suas atmosferas.

Qualquer descoberta desse tipo pode ter que esperar um pouco, no entanto. Mesmo o JWST não está configurado para detectar oligoelementos na atmosfera de um exoplaneta.

No entanto, nos próximos anos, alguns telescópios terrestres estarão à altura da tarefa. Astrobiólogos esperançosos terão que esperar até que eles fiquem disponíveis antes que possam realmente procurar por essa bioassinatura altamente interessante.