Telescópio espacial gigante ficará submerso nas profundezas do lago mais profundo do mundo

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Créditos: Anton Petrus / Getty Images.

Publicado na ScienceAlert

Cientistas russos lançaram no sábado um dos maiores telescópios espaciais subaquáticos do mundo para observar as profundezas do Universo a partir das águas cristalinas do Lago Baical.

O telescópio subaquático de alta profundidade, que está em construção desde 2015, é projetado para observar neutrinos, as menores partículas conhecidas atualmente.

Batizado de Baikal-GVD, o telescópio foi submerso a uma profundidade de 750-1.300 metros, cerca de quatro quilômetros da margem do lago.

Baikal-GVD sendo mergulhado nas profundezas. Créditos: Kirill Shipitsin /Sputnik Kirill Shipitsin / Sputnik / Agence France-Presse.

Os neutrinos são muito difíceis de detectar e a água é um meio eficaz para isso.

O observatório flutuante consiste em fios com um vidro esférico e módulos de aço inoxidável anexados a eles.

No sábado, os cientistas observaram os módulos sendo cuidadosamente baixados nas águas geladas através de um buraco retangular no gelo.

“Um telescópio de neutrinos medindo meio quilômetro cúbico está situado bem abaixo de nossos pés”, disse Dmitry Naumov, do Instituto Central de Investigações Nucleares, à Agence France-Presse, enquanto estava na superfície congelada do lago.

Durante vários anos, o telescópio será expandido para medir um quilômetro cúbico, disse Naumov.

Créditos: Bair Shaibonov / Instituto Central de Investigações Nucleares / Agence France-Presse.

O telescópio de Baical rivalizará com o Ice Cube, um observatório gigante de neutrinos enterrado sob o gelo da Antártica em uma estação de pesquisa dos EUA no Polo Sul, acrescentou.

Cientistas russos dizem que o telescópio é o maior detector de neutrinos do hemisfério norte e o Lago Baical – o maior lago de água doce do mundo – é ideal para abrigar o observatório flutuante.

“Claro, o Lago Baical é o único lago onde você pode posicionar um telescópio de neutrinos por causa de sua profundidade”, disse Bair Shoibonov, do Instituto Central de Investigações Nucleares, à Agence France-Presse.

“A água doce também é importante, a clareza da água também. E o fato de haver cobertura de gelo de dois a dois meses e meio também é muito importante.”

O telescópio é o resultado de uma colaboração entre cientistas da República Tcheca, Alemanha, Polônia, Rússia e Eslováquia.