Tumbas revelam intercâmbio cultural entre egípcios e núbios há 3500 anos

Crânio de uma criança que usava um colar egípcio no momento de seu enterro.Créditos: Michele Buzon/Purdue University.

Por Andrea Small Carmona
Publicado na Scientific American

Em torno de 1550 a.C., após um tumultuoso período cheio de conflitos e divisões, o faraó Amosis I chegou reunificar todas as dinastias territoriais do Egito em um período conhecido como o Novo Império.

Os arqueólogos pensavam que durante essa época, os núbios – uma civilização importante que se espalhou no Vale do Nilo e que enfrentou diversas lutas pelo poder com os egípcios da época – não interagiam com os egípcios de maneira pacífica.

Agora, descobertas arqueológicas realizadas por pesquisadores da Universidade de Purdue e Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, indicam ter acontecido relações cordiais entre egípcios e núbios, troca de aspectos culturais e, possivelmente, até casamento entre eles.

Os cientistas estudaram restos humanos e artefatos que encontraram em tubas de um sítio arqueológico de Tombos, uma comunidade localizada no que agora é o norte do Sudão e que forma parte do fértil Vale do Nilo.

Investigações prévias sobre o período anterior ao Novo Império – conhecido como o Segundo Período Intermediário – e que levam a cabo apenas 10 quilômetros de Tombos, demonstram que muitas pessoas morreram por feridas graves, possivelmente durante a invasão dos egípcios na Núbia. “Em contraparte, nos nichos mortuários de Tombos, poucos corpos tinham feridas, o que nos diz que os egípcios implementaram uma estratégia de conquista muito diferente nessa área”, disse Michele Buzon, bioarqueóloga do departamento de Antropologia da Universidade de Purdue e autora principal do artigo publicado na American Anthropologist.

Buzon afirma que os núbios de Tombos aceitaram como suas algumas tradições egípcias, incluindo importantes aspectos cerimoniais para enterrar os seus mortos. Alguns dos corpos achados, por exemplo, se encontravam em posições tipicamente egípcias – boca para cima com braços e pernas estendias -, mas as tumbas tinham acima montículos núbios, geralmente reservados para pessoas importantes.

“Nossa investigação nos permite examinar como ambos grupos se adaptaram as condições sociopolíticas da época, como os egípcios ainda promoveram o imperialismo e a integração de suas comunidades”, disse Stuart Tyson Smith, coautor do artigo e egiptólogo da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara.

Os cientistas esperam agora completar uma nova fase da investigação na mesma área: “Encontramos uma zona onde acreditamos existir muitas crianças enterradas. Nunca antes havíamos achado tantos corpos pequenos no mesmo sítio”, finalizou Buzon.

Artigo anteriorDescoberto um intenso campo elétrico em Vênus
Próximo artigoJuno bate na porta de Júpiter
Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Fundador do projeto de divulgação científica e filosófica Universo Racionalista. Pós-graduação em Ethical Hacking e Cybersecurity do Centro de Inovação VincIT (UNICIV) pela Faculdade Eficaz. Pós-graduação em andamento em Filosofia pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Especialização em Epidemiology in Public Health Practice pela Johns Hopkins University (Coursera Specialization). Especialização em Fundamentals of Computing Network Security pela University of Colorado System (Coursera Specialization). Especialização em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University (Coursera Specialization). Especialização em andamento em Computational Social Science pela University of California, Davis (Coursera Specialization). Graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Graduação em andamento em Tecnologia em Radiologia pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Editor-chefe do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade. Colaborador da revista cética argentina Pensar, uma publicação da organização internacional Center for Inquiry. Endereço do Currículo Lattes e do Catarse.