Um rinoceronte-lanudo muito bem preservado por mais de 20 mil anos é encontrado na Sibéria

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Créditos: Valery Plotnikov / The Siberian Times.

Por Carly Cassella
Publicado na ScienceAlert

O derretimento do pergelissolo no norte gelado da Sibéria está revelando um verdadeiro cemitério de animais pré-históricos congelados.

Nas últimas décadas, moradores e cientistas da República Russa de Iacútia descobriram as carcaças antigas de dois filhotes de leão-das-cavernas, um bisão, um cavalo, um rinoceronte-lanudo bebê e o mamute-lanudo mais intacto já encontrado.

À medida que as mudanças climáticas continuam a puxar esse cobertor de gelo, estamos fadados a descobrir ainda mais desses animais. Perto de onde foi encontrado o primeiro e, supostamente, único rinoceronte-lanudo do mundo, os residentes descobriram outro de sua espécie e, desta vez, a carcaça está quase 80% intacta.

Créditos: Valery Plotnikov / The Siberian Times.

Preservado no gelo por dezenas de milhares de anos, este jovem rinoceronte-lanudo ainda tem seu pelo castanho-avermelhado espesso, todos os seus membros e a maioria de seus órgãos internos, incluindo seus intestinos.

Créditos: Valery Plotnikov / RT.

Até o momento, esta criaturinha peluda é o rinoceronte-lanudo mais bem preservado encontrado na Região Ártica de Iacútia e pode até ser o mais intacto já descoberto em qualquer lugar do mundo.

Créditos: Valery Plotnikov / The Siberian Times.

“O jovem rinoceronte tinha entre três e quatro anos e vivia separado de sua mãe quando morreu, provavelmente por afogamento”, disse o paleontólogo Valery Plotnikov da Academia Russa de Ciências, que fez a primeira descrição da descoberta ao The Siberian Times.

“O sexo do animal ainda é desconhecido. Estamos aguardando as análises de radiocarbono para definir quando ele viveu. O intervalo de datas mais provável é entre 20.000 e 50.000 anos atrás”.

O pelo desta criatura morta há muito tempo pode parecer irregular e desgrenhado agora, mas revela um passado muito mais “atraente”. Olhando para a disposição dos pelos, os cientistas acreditam que o animal provavelmente morreu muito bem “agasalhado”, embora análises de laboratório sejam necessárias.

Para fazer isso, no entanto, mais gelo precisa se formar. Encontrada a jusante do rio Tirekhtyakh em agosto, a carcaça do rinoceronte está em um local particularmente difícil de acessar.

Créditos: Valery Plotnikov / The Siberian Times.

O vasto e remoto território de Iacútia tem apenas algumas estradas e, no verão, muitos lugares são acessíveis apenas por barco ou avião. Só no inverno as coisas começam a se abrir. É quando uma rede de estradas de gelo temporárias começa a se formar, permitindo que os caminhoneiros transportem mercadorias para os assentamentos mais ao norte da região.

No entanto, mesmo sem um exame mais detalhado da carcaça, está claro que essa descoberta é importante. Anteriormente, o único outro rinoceronte-lanudo encontrado nesta região era um bebê ainda mais jovem chamado Sasha, e seu pelo era de um tom loiro morango.

Ambas as descobertas fizeram Plotnikov pensar que os rinocerontes-lanudos já estavam adaptados ao clima congelante desde pequenos. Marcas nos chifres deste animal recém-descoberto sugerem que ele procurava comida.

“Existem tecidos moles na parte de trás da carcaça, possivelmente genitais e parte do intestino”, disse ele à RT.

“Isso possibilita o estudo das excretas, o que nos permitirá reconstruir o paleoambiente daquele período”.

A equipe já tem planos de enviar o rinoceronte à capital de Iacútia para análises posteriores. A carcaça será enviada para a Suécia, onde pesquisadores estão trabalhando para sequenciar os genomas de vários rinocerontes para entender melhor sua história e por que foram extintos.