Um socorrista tailandês salvou um bebê elefante com reanimação cardiopulmonar e foi emocionante

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Este é outro elefante bebê, mas nós também o amamos. (Créditos: Sarah Kilian/Unsplash)

Traduzido por Julio Batista
Original de Tessa Koumondouros para o ScienceAlert

Para o socorrista tailandês Mana Srivate, a reanimação faz parte de seu trabalho há 26 anos. Alguns dias atrás, as coisas aconteceram de forma um pouco diferente – ele conseguiu sua primeira reanimação bem-sucedida de um elefante bebê.

“Quando o elefante bebê começou a se mover, quase chorei”, disse Mana à Reuters.

O jovem elefante-indiano (Elephas maximus indicus) foi atropelado por uma motocicleta enquanto tentava atravessar uma estrada na província tailandesa de Chanthaburi.

Usando seu conhecimento de reanimação cardiopulmonar humana (RCP), Mana foi capaz de descobrir onde o coração do elefante estava baseado em um clipe que ele viu online. Um vídeo viral dramático mostra-o realizando compressões com as duas mãos no bebê elefante deitado de lado.

“É difícil dizer se ele realmente parou de respirar antes do socorrista fazer as compressões torácicas, mas ele parecia estar em estado de choque”, disse a veterinária Jaclyn Gatt, diretora da Clínica de Animais Exóticos e Aves da Austrália, à ScienceAlert.

“Um trauma que causa um colapso assim pode causar sangramento no peito ou abdômen, e a perda repentina de sangue internamente baixaria a pressão arterial e potencialmente desaceleraria ou pararia o coração.”

Assim como na medicina de urgência humana, a RCP é uma prática comum no mundo da medicina veterinária. Você pode fazer aulas online de RCP para cães e gatos de estimação e o procedimento também pode ser realizado em muitas outras espécies, de crocodilos a antas bebês.

“Eu fiz RCP em muitas espécies: cães, gatos, coelhos, furões, pássaros, ratos, tartarugas, lagartos e até peixes”, disse Gatt.

“A RCP é um processo que ajuda a fazer o coração continuar ‘batendo’ com as compressões torácicas, permitindo a oxigenação dos órgãos e, finalmente, mantendo o cérebro vivo, pois ele morrerá sem oxigênio. Se o coração de uma pessoa ou animal parar ou não conseguir respirar, a RCP pode ajudar a salvar suas vidas até se recuperarem naturalmente ou até que a intervenção médica (medicamentos e máquinas) possa assumir o papel.”

Mas reviver um elefante não é algo que aqueles treinados em RCP humana geralmente se encontram fazendo.

Gatt explica que as principais diferenças entre a realização de RCP em animais e humanos incluem onde as compressões são feitas e a força de pressão. Em animais, as chances de recuperação geralmente dependem da causa da parada cardíaca – animais que estavam doentes antes da parada podem ser muito mais difíceis de reviver do que aqueles que sofreram trauma recente.

“Existem veterinários especializados em emergência e cuidados críticos (ECC), e enfermeiros e hospitais que são especialistas nesta área, mas todas as equipes veterinárias podem e irão realizar a RCP se nossos pacientes precisarem”, disse Gatt.

E, de fato, a equipe veterinária continuou a fazer exatamente isso, salvando regularmente as vidas de nossos amados animais de estimação e da incrível vida selvagem do mundo, mesmo em meio aos riscos, interrupções e terríveis tensões da pandemia.

“É meu instinto salvar vidas, mas fiquei preocupado o tempo todo porque pude ouvir a mãe e outros elefantes chamando pelo bebê”, disse Mana à Reuters.

Apesar do possível perigo dos parentes maiores do elefante, Mana persistiu em seus valentes esforços e após cerca de 10 minutos o bebê foi capaz de se levantar com uma pequena ajuda. Felizmente, o motorista da motocicleta, que foi tratado nas proximidades, não teve ferimentos graves.

“Se o corpo do elefante está em estado de choque, então é possível que as compressões torácicas ajudem a fazer o sangue circular novamente e também force o ar pelos pulmões até que seu cérebro receba suprimento de sangue suficiente (e oxigênio essencial) para trazê-lo de volta a um estado consciente”, disse Gatt.

No final, o elefante sobreviveu, tornando-se a história médica que serviu pra fechar com chave de ouro as últimas semanas em 2020.

Após o tratamento em outro local, a Reuters relata que o elefante bebê foi devolvido ao local original do acidente, onde seus gritos chamaram a atenção de sua família. Eles, mais tarde, se reuniram.