Vestígios antigos de um oceano gigante acabam de ser descobertos em Marte

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Os mapas topográficos fornecem novas evidências de um antigo oceano em Marte. (Créditos: Benjamin Cárdenas/Universidade Estadual da Pensilvânia)

Traduzido por Julio Batista
Original de David Nield para o ScienceAlert

Você sem dúvida estará familiarizado com a aparência seca e empoeirada de Marte como parece hoje – mas cientistas encontraram evidências de um vasto oceano existente na superfície do planeta vermelho há cerca de 3,5 bilhões de anos, provavelmente cobrindo centenas de milhares de quadrados quilômetros.

Essa evidência vem na forma de uma topografia costeira distinta, identificada através de inúmeras imagens de satélite da superfície marciana. Quando essas imagens são tiradas em ângulos ligeiramente diferentes, um mapa de relevo pode ser construído.

Os pesquisadores conseguiram mapear mais de 6.500 quilômetros de cordilheiras fluviais, aparentemente esculpidas por rios, demonstrando que são provavelmente deltas de rios erodidos ou cinturões de canais submarinos (canais esculpidos no fundo do mar).

O chão da Cratera Gale, perto de uma região chamada Aeolis Dorsa, que os pesquisadores acreditam ter sido um oceano maciço. (Créditos: NASA/JPL-Caltech/MSSS)

“A grande novidade que fizemos neste paper foi pensar em Marte em termos de sua estratigrafia e seu registro sedimentar”, disse  o geocientista Benjamin Cardenas, da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA).

“Na Terra, mapeamos a história dos cursos d’água observando os sedimentos que são depositados ao longo do tempo. Chamamos isso de estratigrafia, a ideia de que a água transporta sedimentos e você pode medir as mudanças na Terra entendendo a maneira como os sedimentos se acumulam. É o que fazemos aqui – mas agora em Marte.”

Usando dados do Mars Reconnaissance Orbiter coletados em 2007, a equipe aplicou uma análise das espessuras, ângulos e localizações das cordilheiras para entender a área de estudo: a depressão topográfica conhecida como região de Aeolis Dorsa em Marte.

Parece provável que uma quantidade significativa de mudanças estivesse acontecendo nesta parte do planeta todos esses anos atrás, explicou Cardenas. Isso é demonstrado pela evidência de aumentos substanciais do nível do mar e o rápido movimento de rochas por rios e correntes. Hoje, Aeolis Dorsa contém a coleção mais concentrada de cordilheiras fluviais em Marte.

Tudo isso está relacionado à busca por vida em Marte. Uma das questões mais fundamentais que os cientistas estão analisando em relação ao planeta vermelho é se ele já teve condições hospitaleiras o suficiente para poder sustentar a vida.

“O que imediatamente vem à mente como um dos pontos mais significativos aqui é que a existência de um oceano desse tamanho significa um maior potencial de vida”, disse Cardenas.

“Também nos fala sobre o clima antigo e sua evolução. Com base nessas descobertas, sabemos que deve ter havido um período em que era quente o suficiente e a atmosfera era espessa o suficiente para suportar tanta água líquida de uma só vez.”

Os pesquisadores não analisaram somente a região de Aeolis Dorsa.

Em um estudo separado publicado na Nature Geoscience, alguns dos mesmos pesquisadores, incluindo Cardenas, aplicaram uma técnica de imagem acústica usada para mapear antigos fundos marinhos no Golfo do México a um modelo de como a água pode ter erodido a superfície de Marte.

Existem enormes áreas do que podem ser cordilheiras fluviais em Marte, e as simulações realizadas pela equipe são notavelmente semelhantes à forma da paisagem no planeta vermelho – sugerindo que houve uma extensa cobertura de água ao mesmo tempo.

Estamos vendo cada vez mais sinais de que a água já foi abundante em Marte, e o trabalho continua para descobrir o que pode ter acontecido com ela e onde essa água está agora – embora olhar para trás por bilhões de anos não seja fácil.

“Se houvesse marés no antigo Marte, elas estariam aqui, trazendo e levando água gentilmente”, disse Cardenas. “Este é exatamente o tipo de lugar onde a antiga vida marciana poderia ter evoluído.”

A pesquisa foi publicada no Journal of Geophysical Research: Planets Nature Geoscience.