A cirurgia de crânio mais antiga da América do Norte data de pelo menos 3.000 anos atrás

Recrescimento ósseo sugere que um homem sobreviveu com um buraco na testa

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O mais antigo caso conhecido de cirurgia de crânio na América do Norte, talvez semelhante à cena ilustrada aqui, ocorreu entre 3.000 e 5.000 anos atrás no que hoje é o Alabama, sugere um novo estudo. (Créditos: Jose Antonio Penas/Science Source)

Traduzido por Julio Batista
Original de para o Science News Magazine

Um homem com um buraco na testa, que foi enterrado no que é hoje o noroeste do Alabama entre cerca de 3.000 e 5.000 anos atrás, representa o caso mais antigo conhecido de cirurgia de crânio na América do Norte.

Danos ao redor da cavidade oval do crânio do homem indicam que alguém raspou aquele pedaço de osso, provavelmente para reduzir o inchaço cerebral causado por um ataque violento ou uma queda grave, disse a bioarqueóloga Diana Simpson, da Universidade de Nevada, em Las Vegas (EUA). Qualquer um dos cenários poderia explicar fraturas e outros ferimentos acima do olho esquerdo do homem e no braço esquerdo, perna e clavícula.

O crescimento ósseo nas bordas da cavidade do crânio indica que o homem viveu por até um ano após a cirurgia, estimou Simpson. Ela apresentou sua análise dos restos mortais do homem em 28 de março em uma sessão virtual da reunião anual da Associação Americana de Antropólogos Biológicos.

Sabemos que a cirurgia de crânio já ocorria há pelo menos 13.000 anos no norte da África. Até agora, a evidência mais antiga dessa prática na América do Norte datava de não mais de 1.000 anos atrás.

Em seu auge, o novo recordista provavelmente serviu como praticante de rituais ou xamãs. Seu túmulo incluía itens como aqueles encontrados em túmulos de xamãs em locais próximos de caçadores-coletores norte-americanos que datam de cerca de 3.000 a 5.000 anos atrás. Objetos rituais enterrados com ele incluíam alfinetes de osso afiados e ossos de veado e peru modificados que podem ter sido ferramentas de tatuagem.

Os investigadores escavaram o túmulo do homem e 162 outros no sítio arqueológico de Little Bear Creek, um montículo funerário coberto de conchas, na década de 1940. Simpson estudou o esqueleto e os itens do túmulo do homem em 2018, pouco antes de as descobertas serem devolvidas às comunidades nativas americanas locais para serem enterradas novamente.