A evolução pode estar acontecendo até 4 vezes mais rápido do que pensávamos, revela enorme estudo

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A majestosa carriça-fada, uma das espécies estudadas. (Créditos: Tracielouise/iStock/Getty Images Plus)

Traduzido por Julio Batista
Original de David Nield para o ScienceAlert

Novas pesquisas sugerem que a evolução darwiniana pode estar acontecendo até quatro vezes mais rápido do que se pensava anteriormente, com base em uma análise da variação genética.

Quanto mais diferenças genéticas houver em uma espécie, mais rápida a evolução pode acontecer, pois certos aspectos morrem e outros mais fortes se estabelecem. A equipe por trás deste último estudo o chama de “combustível da evolução”, e eles analisaram dados de 19 grupos diferentes de animais selvagens em todo o mundo.

Essa análise de dados revelou que essa matéria-prima para a evolução é mais abundante do que as estimativas anteriores e, como resultado, podemos ter que ajustar nossas expectativas sobre a rapidez com que os animais evoluem – uma questão pertinente em nossa era de mudanças climáticas.

“O método nos dá uma maneira de medir a velocidade potencial da evolução atual em resposta à seleção natural em todos os aspectos de uma população”, disse o ecologista evolutivo Timothée Bonnet, da Universidade Nacional da Austrália.

“Isso é algo que não conseguimos fazer com os métodos anteriores, então poder ver tantas mudanças potenciais foi uma surpresa para a equipe”.

Entre os animais selvagens estudados estavam as majestosas carriças-fada (Malurus cyaneus) na Austrália, hienas-malhadas (Crocuta crocuta) na Tanzânia, pardais-americanos (Melospiza melodia) no Canadá e cervos-vermelhos (Cervus elaphus) na Escócia. É a primeira vez que a velocidade da evolução é avaliada em uma escala tão grande.

A duração média de cada estudo de campo foi de impressionantes 30 anos, com detalhes de nascimentos, mortes, acasalamentos e descendentes todos registrados. O mais curto foi de 11 anos e o mais longo de 63 anos. Isso deu aos pesquisadores um total geral de 2,6 milhões de horas de dados de campo para combinar com informações genéticas de cada animal.

Demorou três anos, mas a equipe eventualmente quantificou quanta mudança nas espécies foi causada pela genética e seleção natural. Embora Charles Darwin pensasse originalmente que a evolução era um processo muito lento, pesquisas anteriores já mostraram que, em algumas espécies, a evolução pode ocorrer em apenas alguns anos.

“Um exemplo comum de evolução rápida é a mariposa, que antes da revolução industrial no Reino Unido era predominantemente branca”, disse Bonnet. “Com a poluição deixando fuligem preta em árvores e edifícios, as mariposas negras tiveram uma vantagem de sobrevivência porque era mais difícil para os pássaros localizá-las”.

“Como a cor da mariposa determinava a probabilidade de sobrevivência e sendo ela devido a diferenças genéticas, as populações na Inglaterra rapidamente se tornaram dominadas por mariposas negras”.

Como não há base para trabalhar – este é o primeiro estudo desse tipo – os pesquisadores enfatizam que ainda não há evidências suficientes para mostrar que as espécies estão evoluindo mais rápido do que no passado. O que está claro é que há mais desse “combustível da evolução” do que pensávamos.

Com o mundo e sua vida selvagem sofrendo com os efeitos contínuos das mudanças climáticas, saber mais sobre a rapidez com que os animais podem se adaptar será útil para modelar quais espécies serão capazes de sobreviver e quais não.

A preocupação é que, à medida que as mudanças no clima global continuem se acelerando, as espécies não serão capazes de se adaptar a tempo. Estudos ainda mais abrangentes e de longo prazo serão importantes para descobrir exatamente com que rapidez a evolução está ocorrendo.

“Esta pesquisa nos mostrou que a evolução não pode ser descartada como um processo que permite que as espécies persistam em resposta às mudanças ambientais”, disse Bonnet.

“O que podemos dizer é que a evolução é um fator muito mais significativo do que pensávamos anteriormente na adaptabilidade das populações às mudanças ambientais atuais”.

A pesquisa foi publicada na revista Science.