Centenas de múmias antigas são descobertas em uma vasta necrópole egípcia

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O rosto de um dos sarcófagos. (Créditos: Khaled Desouki/AFP)

Traduzido por Julio Batista
Original de AFP para o ScienceAlert

O Egito revelou na segunda-feira um esconderijo de sarcófagos e estatuetas de bronze – incluindo uma do arquiteto pioneiro Imotepe – no sítio arqueológico de Sacará, ao sul do Cairo.

Essas foram as mais recentes de uma série de descobertas feitas na área.

Sacará é uma vasta necrópole da antiga capital egípcia Mênfis, um Patrimônio Mundial da UNESCO que abriga mais de uma dúzia de pirâmides, cemitérios de animais e antigos mosteiros cristãos coptas.

Entre as 150 estatuetas de bronze desenterradas nas últimas descobertas está uma de Imotepe, que “revolucionou a arquitetura” no mundo antigo, disse Mostafa Waziri, chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, a repórteres.

O rosto de um dos sarcófagos. (Créditos: Khaled Desouki/AFP)

Imotepe, que viveu no terceiro milênio a.C., construiu a pirâmide de degraus de Djoser, uma das primeiras do antigo Egito. Mais tarde, ele se tornou o deus da medicina.

Waziri revelou um objetivo para a missão arqueológica, que até agora realizou quatro temporadas de escavações na área: “Encontrar o túmulo de Imotepe”.

Outras estatuetas desenterradas retratam vários deuses e deusas, incluindo Bastet, Anúbis, Osíris, Ámon-Min, Ísis, Nefertum e Hathor, de acordo com um comunicado do Ministério do Turismo e Antiguidades.

A missão também revelou “250 sarcófagos de madeira com múmias dentro, que remontam ao período tardio”, por volta do século V a.C., disse Waziri.

Dentro de um sarcófago, a equipe encontrou um papiro intacto e lacrado, disse ele. Ele foi transferido para o laboratório do Museu Egípcio no centro do Cairo para restauração e estudo completos, disse Waziri.

Algumas das 250 múmias encontradas na região de Sacará. (Créditos: Mohamed Abdel Hamid/Agência Anadolu/AFP)

Ele acrescentou que o papiro – estimado em nove metros de comprimento – provavelmente contém capítulos do Livro dos Mortos, coleções de textos funerários compostos de feitiços que os egípcios usavam para guiar os mortos pelo submundo.

Os sarcófagos serão transferidos para o Grande Museu Egípcio, que as autoridades esperam inaugurar perto das pirâmides de Gizé, no Cairo, no final deste ano, após repetidos atrasos.

As esperanças são grandes de que o novo museu, além das descobertas arqueológicas dos últimos anos, ajude a reviver a vital indústria do turismo do país.

O setor foi atingido por sucessivos impactos, incluindo a revolução de 2011 e a agitação que se seguiu, a pandemia de coronavírus e agora a paralisação dos turistas russos e ucranianos, que representavam grande parte dos visitantes do país.

Entre outras descobertas em Sacará, o Egito revelou em março cinco antigas tumbas faraônicas e, em janeiro do ano passado, anunciou a descoberta de mais de 50 sarcófagos de madeira que datam do Novo Reino, que terminou no século 11 a.C.

© Agence France-Presse