Amostras de asteroide da sonda Hayabusa2 retornam à Terra de forma gloriosa

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(Créditos: Morgan Sette/AFP)

Traduzido por Julio Batista
Original de Kyoko Hasegawa e Sara Hussein (AFP) para o ScienceAlert

Em um raio de luz no céu noturno, as amostras coletadas de um asteroide distante chegaram à Terra no domingo após serem deixadas pela sonda espacial japonesa Hayabusa2.

Os cientistas esperam que as amostras preciosas, que não chega a mais que 0,1 grama de material, possam ajudar a esclarecer a origem da vida e a formação do universo.

A cápsula com amostras entrou na atmosfera pouco antes das 2h30, horário do Japão (14:30, no horário de Brasília), criando uma bola de fogo parecida com uma estrela cadente ao entrar na atmosfera da Terra.

“Seis anos de viagem e finalmente voltou para a Terra”, disse um oficial narrando uma transmissão ao vivo da chegada, enquanto imagens mostravam funcionários da agência espacial japonesa JAXA aplaudindo e erguendo os punhos de empolgação.

A cápsula separou-se da nave Hayabusa2 no sábado, quando a sonda espacial do tamanho de uma geladeira que foi lançada ao espaço em 2014 estava a 220.000 quilômetros de distância da Terra.

Ela pousou no deserto do sul da Austrália, onde foi recuperada em uma área de cerca de 100 quilômetros quadrados, com equipes de busca que se guiavam por faróis enquanto a cápsula descia.

As amostras foram coletadas do asteroide Ryugu, a cerca de 300 milhões de quilômetros da Terra durante duas fases cruciais da missão da Hayabusa2 no ano passado.

A sonda coletou poeira da superfície e material puro subsuperficial que foi agitado pelo disparo de uma mecanismo de impacto no asteroide.

Acredita-se que o material coletado do asteroide esteja inalterado desde a época em que o universo foi formado.

Corpos celestes maiores, como a Terra, passaram por mudanças radicais, incluindo aquecimento e solidificação, mudando a composição dos materiais em sua superfície e abaixo dela.

Mas “quando se trata de planetas menores ou asteroides menores, essas substâncias não foram derretidas e, portanto, acredita-se que substâncias de 4,6 bilhões de anos atrás ainda estejam lá”, disse o gerente da missão Hayabusa2, Makoto Yoshikawa, a jornalistas antes da chegada da cápsula.

Missão estendida para sonda

Os cientistas estão especialmente interessados ​​em descobrir se as amostras contêm matéria orgânica, o que poderia ter ajudado a semear a vida na Terra.

“Ainda não sabemos como foi origem da vida na Terra e através desta missão Hayabusa2, se formos capazes de estudar e compreender esses materiais orgânicos de Ryugu, pode ser que esses materiais orgânicos tenham sido a fonte de vida na Terra”, disse Yoshikawa.

Assim que as amostras forem recuperadas, elas serão processadas na Austrália e depois enviadas de volta ao Japão.

Metade do material será compartilhado entre a JAXA, a agência espacial estadunidense NASA e outras organizações internacionais, e o restante será mantido para estudos futuros conforme os avanços forem feitos na tecnologia analítica.

Mais tarefas para Hayabusa2

O trabalho, porém, não acabou para a Hayabusa2, que foi lançada em dezembro de 2014.

A sonda agora começará uma missão estendida visando dois novos asteroides.

Hayabusa2 completará uma série de orbitações ao redor do Sol por cerca de seis anos antes de se aproximar do primeiro de seus asteroides alvo – denominado 2001 CC21 – em julho de 2026.

A sonda não chegará tão perto, mas os cientistas esperam que ela seja capaz de fotografá-la e que o sobrevoo ajude a desenvolver o conhecimento sobre como proteger a Terra contra o impacto de um asteroide.

Hayabusa2 seguirá então em direção ao seu alvo principal, 1998 KY26, um asteroide em forma de bola com um diâmetro de apenas 30 metros. Quando a sonda chegar ao asteroide em julho de 2031, estará a aproximadamente 300 milhões de quilômetros da Terra.

Ele vai observar e fotografar o asteroide, tarefa nada fácil, já que ele está girando rapidamente, rotacionando em seu eixo a cada 10 minutos.

Mas é improvável que Hayabusa2 pouse e colete amostras, já que provavelmente não terá combustível suficiente para devolvê-las à Terra.