As crenças religiosas e sobrenaturais estão relacionadas à má compreensão do mundo físico

Por Daniel Reed
Publicado na Psychology Research News

A má compreensão do mundo físico está relacionada com as crenças religiosas e sobrenaturais, de acordo com um estudo publicado na Applied Cognitive Psychology.

Muitas pessoas gostam de acreditar em fenômenos sobrenaturais, por exemplo, a crença de que quebrar o espelho traz 7 anos de azar. No passado, estudos demonstraram que as pessoas enxergam os fenômenos naturais como tendo intenções e, portanto, dão características humanas aos deuses e outros agentes sobrenaturais. Além disso, os crentes paranormais e religiosos tendem a tratar afirmações metafóricas como literais, como “a Terra quer água” ou “a força sabe a sua direção”, ao contrário dos céticos.

Outro fator possível, em destaque na teoria Empathizing–Systemizing, propõe que as pessoas que são pobres em cognição física são conceituadas de baixos sistematizadores, porque elas têm poucas habilidades e baixos interesses em coisas como leituras de mapas, matemática e física intuitiva.

Embora as crenças sobrenaturais (paranormais ou religiosas) muitas vezes infiram um quadro peculiar sobre o mundo físico, a possibilidade de que as crenças são baseadas numa compreensão inadequada do mundo físico recebeu atenção da pesquisa.

O estudo, realizado por Marjaana Lindeman e Annika Svedholm-Häkkinen da Universidade de Helsinque, envolveu 258 participantes em um teste online examinando como as habilidades do mundo físico e conhecimentos preveem as crenças religiosas e sobrenaturais. Os dados sobre as crenças religiosas e sobrenaturais, capacidades de sistematizações e habilidades no mundo físico, habilidades mecânicas, habilidades físicas intuitivas e conhecimentos sobre fenômenos físicos e biológicos foram recolhidos.

Os resultados mostraram que as crenças religiosas e sobrenaturais correlacionaram com todas as variáveis que foram incluídas: baixas sistematizações, habilidades pobres em física intuitiva, habilidades mecânicas pobres, taxas baixas de rotação mental, notas baixas escolares em física e matemática, falta de conhecimento básico sobre fenômenos físicos e biológicos, estilos de pensamento intuitivo e analíticos e, em particular, com a atribuição de mentalidade aos fenômenos não-mentais. As análises de regressão indicaram que os preditores mais fortes das crenças foram capacidades físicas gerais (um fator que representa a maioria das habilidades físicas, interesses e conhecimentos) e estilos de pensamentos intuitivos.

Os pesquisadores concluíram que “formas não-científicas de pensamento são resistentes à instrução formal…”, acrescentando que isso pode “afetar a capacidade dos indivíduos para agir como cidadãos informados para fazer julgamentos fundamentados em um mundo que está cada vez mais regido por ciência e tecnologia”.

Os resultados abrem a possibilidade para futuras pesquisas para ajudar a desenvolver a compreensão da relação entre o pensamento intuitivo e as crenças sobrenaturais em maior profundidade.

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