Astrônomos acabam de revelar um dos planetas mais extremos já descobertos

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Impressão artística do sistema em que o WASP-189 se encontra. Crédito: ESA.

Por David Nield
Publicado na ScienceAlert

Os astrônomos fizeram observações detalhadas de um exoplaneta incrivelmente extremo, detectando temperaturas infernais em sua superfície em torno de 3.200 graus Celsius.

Essas temperaturas – medidas pelo CHaracterising ExOPlanet Satellite (ou CHEOPS, do português: Satélite de Caracterização de Exoplanetas) da Agência Espacial Europeia  – são suficientes para derreter todas as rochas e metais, e até mesmo transformar esses materiais em gases.

Embora o exoplaneta, denominado WASP-189b, não seja tão quente quanto a superfície do nosso Sol (6.000 graus Celsius), é basicamente tão quente quanto algumas pequenas estrelas anãs.

As novas descobertas identificaram imediatamente o WASP-189b como um dos planetas mais extremos já descobertos. Ele tem uma órbita de apenas 2,7 dias ao redor de sua estrela, com um lado vendo um ‘dia’ de maneira permanente e o outro lado vendo uma ‘noite’ de maneira permanente. E ele é gigantesco também – cerca de 1,6 vezes o tamanho de Júpiter.

Descrição (em inglês) do sistema em que WASP-189b se encontra. A imagem descreve a estrela HD 133112, fazendo comparações como Sol (Sun, em inglês), e o planeta WASP-189b, fazendo comparações com a Terra (Earth, em inglês) e Júpiter. Crédito: ESA.

“WASP-189b é especialmente interessante porque é um gigante gasoso que orbita muito perto de sua estrela hospedeira”, disse a astrofísica Monika Lendl, da Universidade de Genebra, na Suíça. “Leva menos de três dias para ele dar uma volta completa em sua estrela e está 20 vezes mais perto dela do que a Terra está do Sol”.

HD 133112 é a estrela hospedeira em questão. Ela é 2.000 graus Celsius mais quente do que o nosso Sol e uma das estrelas mais quentes conhecidas que tem um sistema planetário ao seu redor. O CHEOPS também fez uma descoberta interessante sobre esse corpo celeste: ele está girando tão rápido que está sendo puxado para fora de seu equador.

WASP-189b está muito longe (326 anos-luz) e muito perto da HD 133112 para observarmos diretamente, mas CHEOPS conhece alguns truques. Primeiro, ele observou o exoplaneta passando por trás de sua estrela: uma ocultação. Então, ele observou o WASP-189b passar na frente de sua estrela: um trânsito.

A partir dessas leituras, os pesquisadores conseguiram descobrir o brilho, a temperatura, o tamanho, a forma e as características orbitais do exoplaneta, bem como algumas informações extras sobre a estrela que ele está circulando.

Como está na escala de tamanho de Júpiter, mas muito mais perto de sua estrela hospedeira e também muito mais quente, WASP-189b se qualifica como um planeta Júpiter quente (dá para ver de onde veio o nome). Os cientistas esperam que as informações que o CHEOPS reuniu sobre o WASP-189b melhore nossa compreensão dos Jupiteres quentes em geral.

“Sabe-se que apenas poucos planetas conhecidos existem em torno de estrelas tão quentes, e esse sistema é de longe o mais brilhante”, diz Lendl. “WASP-189b também é o Júpiter quente mais brilhante que podemos observar quando ele passa na frente ou atrás de sua estrela, tornando todo o sistema realmente intrigante”.

Uma das questões que a nova pesquisa CHEOPS levantou é: como o WASP-189b se formou? Sua órbita inclinada sugere que ele se formou mais distante da HD 133112 e foi, então, conduzido para mais próximo dela.

Além do tesouro de dados que esse novo estudo forneceu, ele também mostra que o CHEOPS está funcionando como deveria e de forma excepcional, medindo o brilho no espaço profundo com um nível de precisão impressionante.

O satélite tem muito mais missões depois dessa, com centenas de exoplanetas na fila para uma observação mais próxima. Os dados que ele coleta devem nos ensinar mais sobre nosso próprio Sistema Solar, bem como sobre os planetas fora dele.

“A precisão alcançada com o CHEOPS é fantástica”, disse o cientista planetário Heike Rauer do Instituto DLR de Pesquisa Planetária na Alemanha. “As medições iniciais já mostram que o instrumento funciona melhor do que o esperado. Ele está nos permitindo aprender mais sobre esses planetas distantes”.

A pesquisa foi publicada na Astronomy & Astrophysics.