Atividades ilegais de pesca e desmatamento da Amazônia estão ligadas a operações em paraísos fiscais

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Por Josh Gabbatiss
Publicado no The Independent

Indústrias ligadas a danos ambientais, incluindo o desmatamento da floresta amazônica e a pesca ilegal estão fortemente envolvidas no obscuro mundo dos paraísos fiscais. Investigação revela o uso de países como Ilhas Cayman e Belize por empresas e embarcações envolvidas em práticas potencialmente prejudiciais.

Uma investigação revelou que grandes quantidades de dinheiro que fluem dos setores de soja e carne bovina do Brasil são canalizadas através de países onde a taxação é baixa e falta transparência financeira. A mesma análise constatou que a maioria dos navios de pesca envolvidos em atividades ilegais está registrada em paraísos fiscais.

A divulgação dos Paradise Papers e Panama Papers mostrou que empresas, políticos e elites globais fazem uso de paraísos fiscais offshore para realizar negociações financeiras em segredo e pagar o mínimo de impostos.

Os autores de um novo estudo, publicado na revista Nature Ecology and Evolution, sugeriram que paraísos fiscais provavelmente dariam suporte a muitas formas de danos ambientais em todo o mundo, desde a extração ilegal de madeira até o comércio de vida selvagem.

O Dr. Victor Galaz, do Centro de Resiliência de Estocolmo, disse ao The Independent que “o uso de paraísos fiscais reduz a transparência financeira, e onde não há transparência não há responsabilidade”.

Sua equipe analisou o dinheiro estrangeiro ligado aos setores de carne bovina e soja que operam na Amazônia, ambos ligados à extensa destruição da floresta tropical. Eles descobriram que cerca de 70 por cento desses investimentos – mais de US$ 18 bilhões, entre 2000 e 2011, foram transferidos por meio de paraísos fiscais, principalmente através das Ilhas Cayman.

Do total de navios de pesca, menos de 5% estão registrados em paraísos fiscais. Já entre aqueles navios envolvidos na pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, 70% estão registrados em paraísos fiscais – particularmente Belize e Panamá.

Todo o trabalho da equipe fez uso de dados públicos do Banco Central do Brasil, Interpol e organizações regionais de pesca. Anteriormente, jornalistas investigativos revelaram operações isoladas, como em minas e locais de extração de madeira, mas ainda não havia nenhum exame minucioso do problema mais amplo.

Os autores do artigo disseram que a perda de dinheiro dos impostos resultante dessas atividades representa uma espécie de subsídio para danos ambientais em todo o mundo: “A perda de receita tributária significa dinheiro que poderia estar sendo usado para investir em assistência social, saúde ou proteção ambiental”, afirma Galaz.

“Quando falamos sobre paraísos fiscais, normalmente pensamos sobre as implicações sociais, políticas e econômicas – estamos descobrindo agora a dimensão ambiental da questão”.

Paper disponível aqui.

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