Bactérias intestinais dizem ao cérebro o que os animais devem comer

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Créditos: Gil Costa.

Neurocientistas demonstraram, pela primeira vez, que a microbiota intestinal “comunica-se” com o cérebro para controlar as escolhas de alimentos em animais. Em um estudo publicado na PLOS Biology, cientistas encontraram duas espécies de bactéria que apresentam tal mecanismo.

Doenças como obesidade já tinham sido associadas com a microbiota, mas a noção de que tais organismos poderiam controlar o comportamento era uma grande lacuna. No entanto, um time liberado por Carlos Ribeiro e colegas de universidade de Portugal e da Austrália conseguiram dar uma luz a isso. Eles fizeram experimentos com a mosca Drosopila melanogaster e, inicialmente, demonstraram que moscas privadas de aminoácidos mostraram uma fertilidade menor e uma maior preferência para comidas ricas em proteínas.

Além disso, os cientistas testaram o impacto das escolhas de comida em cinco espécies diferente de bactérias naturalmente presentes na microbiota desses animais. Duas de tais espécies tinham potencial de abolir o apetite aumentado das moscas pelas proteínas, fazendo com que ela pudesse ser alimentada tranquilamente com alimentos com pouca composição dessas substâncias. Segundo Santos, as moscas seriam mais capazes de enfrentar condições nutricionais desfavoráveis por meio desse mecanismo.

Santos afirma, ainda, que o apetite poderia ser alterado à medida que as bactérias oferecessem os aminoácidos ausentes, entretanto, os experimentos não apoiam essa hipótese. Ao invés disso, as evidências apontam que a microbiota intestinal “parece induzir alguma mudança metabólica que age diretamente no corpo e no cérebro, de modo a induzir uma saciedade por proteínas”, continua. “Nas moscas, há cinco tipos principais de espécies de bactérias; em humanos, há centenas”, diz Patrícia Francisco, coautora do estudo.

Sabe-se da contribuição dos mecanismos endócrinos para a regulação da fisiologia gastrointestinal e de fatores associados a elas, mas a área que trata da influência do microbioma ainda não insipiente. Pesquisas como essa promovem uma prospectiva interessante ao entendimento disso.

O artigo originalmente publicado na Phys.

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