Biocientistas têm um novo plano ambicioso para ressuscitar o extinto mamute-lanudo

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Créditos: Kurt Miller / Stocktrek Images / Getty Images.

Publicado na ScienceAlert

É a grande questão cabeluda no campo da genômica: as espécies extintas podem ser ressuscitadas? Uma empresa de biociências insiste que sim, anunciando na segunda-feira sua intenção de usar tecnologia emergente para devolver o mamute-lanudo à tundra ártica.

A nova empresa Colossal, capitalizando uma parceria com um geneticista de Harvard, disse que seu esforço de “deextinção” da espécie tem o potencial de ancorar um modelo funcional para restaurar ecossistemas danificados ou perdidos e, assim, ajudar a desacelerar ou mesmo deter os efeitos das mudanças climáticas.

“Nunca antes a humanidade foi capaz de aproveitar o poder desta tecnologia para reconstruir ecossistemas, curar nossa Terra e preservar seu futuro através do repovoamento de animais extintos”, disse o executivo-chefe e cofundador da Colossal Ben Lamm, um emergente empresário de tecnologia, em uma declaração.

“Além de trazer de volta espécies extintas antigas, como o mamute-lanudo, poderemos alavancar nossas tecnologias para ajudar a preservar espécies em perigo de extinção que estão à beira da extinção e restaurar animais onde a humanidade participou de sua extinção”.

Mamutes-lanudos percorriam grande parte do Ártico e coexistiam com os humanos primitivos que caçavam os herbívoros resistentes ao frio para se alimentarem e usavam suas presas e ossos como ferramentas.

Os animais foram extintos há cerca de 4.000 anos. Durante décadas, os cientistas recuperaram pedaços de presas, ossos, dentes e pelos de mamutes para extrair e tentar sequenciar o DNA do mamute.

A Colossal diz que visa inserir sequências de DNA de mamutes-lanudos, coletados de restos bem preservados no pergelissolo e estepes congeladas, no genoma de elefantes-asiáticos, para criar um “híbrido elefante-mamute”.

Elefantes-asiáticos e mamutes-lanudos compartilham uma composição de DNA 99,6% semelhante, afirma a Colossal em seu site.

O cofundador da empresa, George Church, é um renomado geneticista e professor de genética na Faculdade Médica de Harvard, que está usando técnicas pioneiras, incluindo a tecnologia CRISPR, para promover a deextinção de espécies.

“As tecnologias emergentes em busca dessa grande visão – um substituto vivo e ambulante de um mamute-lanudo – podem criar oportunidades muito significativas na conservação e muito mais”, disse Church no comunicado.

Os vastos padrões de migração do mamute-lanudo foram considerados essenciais para preservar a saúde ambiental da região do Ártico.

A Colossal diz que restaurar os grandões tem o potencial de revitalizar as terras do Ártico, uma vasta região com importantes propriedades de combate às mudanças climáticas, como sequestro de carbono e supressão da emissão de metano.

A Colossal é financiada em parte por um capital semente de US$ 15 milhões de investidores e diz que seus consultores incluem líderes em bioética e genômica.