Biotecnologia – uma breve reflexão sobre o futuro da humanidade

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Biotecnologia

Hoje, graças ao avanço científico e tecnológico, dispomos de meios para alterar geneticamente animais, sementes, etc. Tais animais e sementes são chamados de Organismos Geneticamente Modificados – OGM e causam muitas polêmicas e debates acirrados no mundo. Os defensores apontam os benefícios da biotecnologia[1], enquanto os críticos afirmam que esses produtos fazem mal à saúde e ao meio-ambiente.

Em que pese às acusações dos críticos, o fato é que nós humanos vivemos com modificações genéticas a todo instante. Na seleção natural, os organismos foram se adaptando ao ambiente e modificando seus genes; tais avanços eram passados hereditariamente e durante bilhões de anos foram se refinando em melhoramento genético para sobreviverem na natureza. Os seres vivos foram então se modificando e começando a se distinguir uns dos outros. As espécies foram surgindo e se extinguindo. Dentro da economia da natureza cada ser vivo procurou seu espaço e ali tentou prosperar. E é assim ainda hoje. Muitas outras mudanças podem acontecer nos próximos milhares de anos. Já na seleção artificial, quando o homem começa a ter consciência e interferir no meio-ambiente, nós fomos selecionando, artificialmente, o que gostaríamos de consumir, vestir, criar etc. Muitos de nossos tecidos, animais e tecnologia foram produtos de seleção artificial. A mesmíssima coisa acontece com os organismos geneticamente modificados, conhecemos o mundo de tal maneira que hoje podemos estudar os genes e modificá-los a nosso bel-prazer em um laboratório. Tal procedimento não é perfeito, claro, assim como ocorre em outras áreas do conhecimento humano, ainda temos muito a conhecer. Mas é um avanço, um progresso, e um fato incrível.

Os OGMs trazem diversos benefícios ao mundo. De forma geral diminuíram em 37% o uso de pesticidas[2]. Além disso, produzimos alimentos mais ricos em nutrientes, em uma quantidade gigantesca para alimentarmos o mundo. Hoje, graças à biotecnologia na agricultura, nós não passamos fome, pois, do contrário, o mundo já teria sucumbido. Os agricultores produzem mais em menos tempo e com menos recursos. Com a manipulação genética criamos sementes que proporcionam benefícios, como, por exemplo, o arroz com anticorpos para o HIV[3].

No caso dos animais, a transgenia é um dos maiores estudos da humanidade. Podemos criar animais transgênicos e utilizarmos seus órgãos em humanos, podemos, por exemplo, aproveitar o uso de tal tecnologia para fazer com que vacas deem mais leite com menos lactose e colesterol[4], etc. Com esse avanço podemos compreender melhor as doenças, seus estágios, e como erradicá-las, pois tudo, no final das contas, é um quebra-cabeça do DNA. No momento em que dominarmos por completo a transgenia, o mundo será novo, e não haverá limites para os seres humanos. Poderemos erradicar as doenças, prolongar a expectativa de vida, acabar com o sofrimento animal, ajudar o ecossistema. Essa tecnologia quando for finalmente compreendida em minúcias, dará ao homem o poder de salvar o mundo.

Muitos críticos dos transgênicos não aceitam os fatos, acusam as empresas de serem monstros do capitalismo, acusam os cientistas de serem loucos tentando serem deuses, acusam os OGMs de fazerem mal à saúde humana. Mas o fato é que existem mais de 2 mil estudos que comprovam a segurança dos transgênicos[5], dentre eles os principais órgãos científicos do mundo, como, por exemplo, a Academia Nacional de Ciência dos EUA[6]:

“Até a data, mais de 98 milhões de hectares de culturas geneticamente modificadas foram cultivadas em todo o mundo. Não há nenhuma evidência de problemas relacionados a essas culturas ou resultantes de alimentos geneticamente modificados”.

As pessoas que se opõem aos transgênicos têm medo do conhecimento, medo do progresso. E sempre foi assim em todas as descobertas científicas, como nas batalhas travadas entre a ciência e a religião, seja no caso da falácia do geocentrismo, na descoberta da evolução por seleção natural, nos debates sobre pesquisas com células-tronco embrionárias, ou na questão da ciência dos canabinoides. A discussão dos transgênicos traz o mesmo ponto: até aonde vai o conhecimento humano e sua aplicação?

De minha perspectiva, ele não tem limites. Os opositores da tecnologia são tecnofóbicos[7]. Utilizam-se e dependem da tecnologia, mas negam suas premissas filosóficas fundamentais. O progresso do conhecimento humano, em qualquer área, é um elemento fundamental para a sobrevivência da espécie humana.

Escrito por Bruno Leopoldino

Referências:

[1] Cf. http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/17/ciencia/1463506219_758061.html

[2] Cf. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0111629

[3] Cf. http://www.universoracionalista.org/cientistas-desenvolvem-sementes-de-arroz-transgenico-com-anticorpo-anti-hiv/

[4] Cf. http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/aplicacees_dos_animais_transgenicos.html

[5] Cf. https://www.geneticliteracyproject.org/2013/10/08/with-2000-global-studies-confirming-safety-gm-foods-among-most-analyzed-subject-in-science/

[6] Cf. artigo devastador em defesa dos transgênicos: http://climatologiageografica.com.br/transgenicos-ponto-final/

[7] Cf. argumento interessante de Mário Bunge sobre tecnofobia: http://www.universoracionalista.org/tecnofobia-no-terceiro-mundo/

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